Ao anunciar a sua saída do governo na manhã desta sexta-feira (24), Sergio Moro trouxe à tona o seu descontentamento com a postura do presidente Jair Bolsonaro que, segundo o ex-ministro da Justiça, tentava interferir em investigações da Polícia Federal. O seu desligamento, por si só, é malvisto por lideranças das áreas política e econômica do Espírito Santo, mas as acusações feitas por Moro conferiram maior gravidade ao caso.
Consultados por A Gazeta, empresários, representantes de entidades, economistas e líderes políticos fizeram sua avaliação sobre a saída de Moro e suas implicações. Confira!
"A saída de Sergio Moro era esperada haja vista que não foi a primeira vez que o presidente Bolsonaro interferiu em instituições oficias de controle. Vale lembrar que ele também interferiu no Coaf, que passou para o Ministério da Economia, e também tinha feito interferências na Polícia Federal do Rio de Janeiro, na Receita Federal e na autonomia até mesmo da escolha do procurador-geral do Ministério Público Federal. É inaceitável que um presidente da República faça tantas interferências em órgãos de combate à corrupção, ainda mais um que foi eleito sob essa bandeira. Era ainda mais inaceitável a permanência do ministro Moro diante disso tudo. O ministro agiu corretamente, já que não encontra mais espaço nem clima para permanecer. O presidente agiu de forma muito antirrepublicana e tem muito a explicar à população."
"Com a saída do Moro, o governo perde a maior referência que deu suporte a toda campanha do próprio Bolsonaro. Foi um tiro no pé. Uma perda que ainda não se sabe como vai ser preenchida. Essa instabilidade gerada tem consequência imediata no campo da economia. Ela gera expectativas negativas, tanto que a Bolsa já está caindo. Há algumas indicações de enfraquecimento do próprio Paulo Guedes. O país já está em situação complicada tanto do ponto de vista da economia quanto da pandemia de coronavírus. Com esse episódio, se intensifica o clima de instabilidade."
"Moro não saiu por corrupção ou mesmo indício de corrupção. Sua insatisfação foi administrativa e não existe evidência de práticas que sejam sequer semelhantes ao que sempre aconteceu. A população precisa continuar vigilante e, havendo desvios, continuar o processo de depuração que começamos em 2013. É sem dúvida uma perda para o governo. Uma reserva moral que o Brasil tem."
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Pelo que a gente tem percebido do governo Bolsonaro, que não consegue conviver com pessoas que têm atuação com repercussão junto à população, acho que a saída de Sergio Moro até demorou a acontecer. Moro desde o início tem cumprido a expectativa que as pessoas tinham dele. E o presidente, o contrário: não há ninguém que atrapalhe mais o governo do que ele mesmo.Fica caçando inimigo, caçando crise, só pensando em 2022. De tudo o que o Moro falou, a interferência do presidente na Polícia Federal talvez tenha sido o mais sério. Bolsonaro foi eleito com base num discurso que impede que aja dessa forma, com o discurso que o país tem que ser honesto e tudo o que os inquéritos apontam, por enquanto, é o risco de os filhos dele serem pegos fazendo coisa errada."
"Analisamos essa situação como gravíssima. Avaliamos que todos nós perdemos, até porque Sergio Moro sempre foi referência em termos de idoneidade, de ter uma postura ética. Então, lamentamos profundamente esse pedido de desligamento do ministério. A Fecomercio não questiona o posicionamento político que isso envolve, apenas lamentamos porque tratava-se de uma pessoa que era referência onde quer que fosse por seu passado recente como homem probo e de princípios que muito orgulha a nós brasileiro."