ASSINE

Bolsonaro admite que pediu troca da PF no Rio por caso Marielle

Bolsonaro criticou o ex-juiz federal, abordou as investigações do caso Marielle Franco e disse que agiu em caso em que um dos filhos era citado

Publicado em 24/04/2020 às 18h02
Atualizado em 24/04/2020 às 19h52
Bolsonaro fez pronunciamento junto com todos os ministros de Estado
Bolsonaro fez pronunciamento junto ministros de Estado. Crédito: Reprodução/TV Brasil

Em pronunciamento sobre o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, nesta sexta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro negou ter interferido em investigações da Polícia Federal, como acusou o ex-ministro, mas ao mesmo tempo admitiu que pediu informações sobre casos que envolviam pessoas ligadas a ele.

"Não são verdadeiras acusações que eu desejava saber sobre investigações em andamento. Jamais lhe procurei para saber de investigações já realizadas, a não ser aquelas sobre o porteiro, o Adélio e meu filho zero quatro", afirmou o presidente.

Adélio Bispo é o autor da facada desferida em Bolsonaro durante a campanha de 2018. A investigação da PF concluiu que ele agiu sozinho e um laudo atestou que é mentalmente incapaz. 

Bolsonaro não comentou a fraude apontada em assinatura de Moro, na exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

O presidente já iniciou o discurso afirmando que, em conversa com os aliados mais cedo, já havia dito que "hoje vocês conhecerão pessoas que têm compromisso com seu ego, e não com o Brasil". Disse também que logo após sua vitória nas eleições, e o convite a Moro para o ministério, lhe prometeu autonomia, mas que "autonomia não é sinal de soberania".

"Mais de 90% dos cargos que passaram por minhas mãos eu dei o sinal verde. Assim como foi com o senhor Valeixo.  A indicação foi do ministro Moro. Apesar da lei de 2014 dizer que é do presidente da República, que colocou todos os cargos-chave  pessoas de Curitiba.  Me surpreendeu: será que todos os carros chefes da PF estão em Curitiba?", disse Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou não ter interferido em investigações.

"Será que é interferir na PF exigir, quase implorar a Sergio Moro para apurar quem mandou matar Jair Bolsonaro? A PF de Sergio Moro mais se preocupou com Marielle, do que com seu chefe supremo. Cobrei muito deles, não interferi. Entre meu caso e o da Marielle, o meu está muito mais simples de solucionar", declarou.

Foi no âmbito do caso da morte da vereadora do Rio, Marielle Franco que ele admitiu interferência. Um sargento foi preso acusado de ser um dos assassinos.

"Sugeri a troca de dois superintendentes entre 27. O do Rio, a questão do porteiro, a questão do meu filho zero quatro, Renan, que agora tem 20, 21 anos de idade. Quando no clamor da questão do porteiro do caso Adélio, que os dois ex-policiais teriam ido falar comigo, também apareceu que meu filho zero quatro teria namorado a filha desse ex-sargento".

"Foram lá, a PF fez seu trabalho, e está comigo a cópia do interrogatório, onde ele diz simplesmente o seguinte: 'a minha filha nunca namorou o filho do presidente Jair Bolsonaro, porque minha filha sempre morou nos Estados Unidos'. Mas eu é que tenho que correr atrás disso ou é um ministro, uma Polícia Federal que tem que se interessar?"

Bolsonaro afirmou também que Valeixo havia concordado com a exoneração a pedido, e que manifestava esse interesse a seus superintendentes desde janeiro, por estar cansado.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.