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Interferência na PF, fraude e demissão: veja dez frases de Moro

Ministro da Justiça anunciou a demissão nesta sexta-feira (24); saída foi motivada pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar a direção da Polícia Federal

Publicado em 24/04/2020 às 16h12
Atualizado em 24/04/2020 às 19h05
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Ex-juiz federal, Sergio Moro assumiu o cargo de ministro da Justiça no início do governo de Jair Bolsonaro. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em um pronunciamento realizado nesta sexta-feira (24), o ministro Sergio Moro anunciou a própria demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública. De acordo com ele, a saída acontece devido à interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da Polícia Federal (PF), que tinha Maurício Valeixo como diretor-geral.

Ex-juiz federal com 22 anos de magistratura, Moro ficou famoso pela condução da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR). Ele abandonou a toga para assumir a pasta no governo federal. Na declaração da manhã desta sexta, ele relembrou o caso, falou sobre interferência política em investigações e fraude na publicação da exoneração de Valeixo.

VEJA AS PRINCIPAIS FRASES DO PRONUNCIAMENTO DE MORO

Com duração de aproximadamente 40 minutos, o ex-ministro começou o pronunciamento citando o atual contexto conturbado por causa da pandemia do novo coronavírus e lamentou a necessidade de o fazer. Bem como adiantou o clima tenso entre ele e o presidente Bolsonaro, sentindo-se obrigado a deixar o cargo.

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"Busquei ao máximo evitar que isso acontecesse, mas foi inevitável. Então, peço a compreensão de todos pela circunstância adversa, mas não foi por minha opção"

Logo depois, ele mencionou os 22 anos em que atuou como juiz federal e relembrou o principal caso da carreira: a Operação Lava Jato, que investigou um esquema milionário de corrupção no Brasil, incluindo atos que teriam sido praticados por diversos políticos, entre eles o ex-presidente Lula.

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"Desde 2014, na Lava Jato, a gente sempre tinha uma preocupação constante de uma interferência do Executivo nos trabalhos da investigação"

Apesar de assumir o temor que existiu no governo passado, de Dilma Rousseff (PT), Moro afirmou que ele nunca se concretizou e que a Polícia Federal teve autonomia para seguir com as investigações necessárias, apesar de terem como alvo diversos integrantes do próprio PT.

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"Foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse possível realizar esses trabalhos. Seja de bom grado ou seja pela pressão da sociedade, essa autonomia foi mantida e isso permitiu que os resultados fossem alcançados"

O cenário em relação à independência da PF, no entanto, teria mudado em 2019, quando  Bolsonaro ainda estava no primeiro ano de mandato e no qual o próprio ex-juiz federal já atuava como ministro da Justiça e Segurança Pública.

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"A partir do segundo semestre do ano passado passou a haver uma insistência do presidente pela troca do comando da Polícia Federal"

O tamanho do incômodo gerado por essa tentativa de interferência foi explicada por Moro em seguida:

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"O grande problema de realizar essa troca... Primeiro: havia uma violação a uma promessa que me foi feita inicialmente, que eu teria carta branca. Em segundo lugar, não havia um causa para essa substituição e estaria claro que estaria ali havendo uma interferência política na Polícia Federal "

Diante das insistências, o ex-ministro afirmou que o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu que era, de fato, uma tentativa de intervir politicamente no trabalho realizado pela Polícia Federal.

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"Falei ao presidente que seria uma intervenção política, e ele disse que seria mesmo"

Em conversas entre os dois a respeito dessa possível troca, Moro teria dito a Bolsonaro que não via por que mudar a direção da Polícia Federal e que, sendo necessária a mudança, o substituto deveria ser alguém técnico e capacitado para desempenhar a função. Do outro lado, o presidente também teria revelado preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçado a defesa da troca.

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"O presidente me disse, mais de uma vez, que queria ter uma pessoa da confiança pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência"

Em tom bastante crítico, Moro destacou a gravidade desse desejo no pronunciamento, usando como exemplo uma hipotética tentativa de intervenção do ex-presidente Lula na Lava Jato – e o quanto isso seria danoso ao processo. 

Em discordância com a troca na Polícia Federal, diante da ausência de justificativa para tirar Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral, Moro garantiu que não assinou a exoneração e que esta não teria sido feita "a pedido", como consta no texto.

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"A exoneração que foi publicada, eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial, na madrugada. Eu não assinei esse decreto"

A junção dos fatos desagradou o ex-ministro e resultou em uma acusação de fraude.

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"O fato é que não existe nenhum pedido que foi feito de maneira formal. Sinceramente fui surpreendido, achei que isso foi ofensivo"

Já na parte final do pronunciamento desta sexta-feira (24), Moro resumiu o que o motivou a deixar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, que assumiu no ano passado.

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"Tenho que preservar o compromisso que eu assumi inicialmente com o próprio presidente: que nós seríamos firmes no combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta"

No final, ele disse que irá "descansar um pouco" e deixou o futuro em aberto, enquanto ressaltou que espera que os indicados para diretor-geral da Polícia Federal e para o próprio cargo que deixou "possam realizar um trabalho autônomo".

O OUTRO LADO

Por meio das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou uma coletiva para às 17h desta sexta-feira (24) a fim de "restabelecer a verdade sobre a demissão a pedido do Sr. Valeixo, bem como do Sr. Sergio Moro".

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