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Magno Malta faz "limpa" e apaga vídeos antivacina do YouTube

Estratégia tem sido adotada por bolsonaristas, principalmente após o governo federal "mudar o tom" e adotar a imunização contra Covid-19 como bandeira

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 08/04/2021 às 02h00
Atualizado em 08/04/2021 às 02h03
Magno Malta e Bolsonaro: o apoio ao presidente continua
Magno Malta e Bolsonaro. Apoiador do presidente apagou vídeos antivacina que havia publicado. Crédito: Divulgação

O ex-senador Magno Malta (PL) fez um "limpa" em seu canal do YouTube e deletou, de uma só vez, cinco vídeos que continham criticas a vacinas. Segundo dados extraídos pela Novelo Data, empresa que monitora canais na plataforma, Magno deletou os envios na quarta-feira (31), mesmo dia em que o próprio YouTube removeu um vídeo em que o ex-parlamentar falava sobre o Supremo Tribunal Federal, a legalização da maconha e a atuação das Forças Armadas. 

Não é a primeira vez que isso acontece. Em dezembro, outros quatro vídeos sumiram do canal do ex-parlamentar. Três excluídos por ele, em que falava sobre as eleições norte-americanas e temas religiosos, e um deletado pela plataforma por violação das diretrizes da comunidade. Nesse, Magno fazia críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), e abordava o uso da Ivermectina como tratamento precoce para Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso do medicamento e as autoridades sanitárias, além dos próprios fabricantes da droga, afirmam que não há qualquer comprovação científica da eficácia do medicamento contra a doença. 

Aliado do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o político evangélico – que chegou a ser cotado para ser vice do capitão em 2018 e foi citado como exemplo de fidelidade pelo mandatário em uma reunião ministerial – segue uma tendência que tem se tornado comum entre bolsonaristas. Entre dezembro e janeiro, por exemplo, mais de 1.700 vídeos foram deletados de canais de apoiadores do presidente. Os dados foram levantados pelo jornalista Guilherme Felitti, fundador da Novelo Data, empresa de análise de dados digitais. 

Durante a pandemia, Bolsonaro criticou diversas vezes a Coronavac, vacina produzida em parceria entre o Instituto Butatã e uma empresa chinesa. O mandatário chegou a chamar o imunizante, em tom de desprezo, de "vacina do Doria" e a desautorizar o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ordenando que a União não comprasse doses do que chamava também de "vacina chinesa". Com a escalada de mortes e a aprovação do mandato em queda, no entanto, o governo mudou o tom e passou a usar a vacinação como bandeira. "Vacina é do Brasil e não de nenhum governador", disse o presidente, em janeiro.

A Coronavac é a vacina mais aplicada no Brasil. Foi com ela que foram imunizados alguns ministros do governo federal e o vice-presidente Hamilton Mourão, por exemplo.

Magno Malta tem 63 anos e poderia ser um dos próximos a se vacinar no Espírito Santo. Em alguns vídeos que continuam em sua página do Facebook, o ex-senador afirma categoricamente que não vai se vacinar. Já no YouTube, as publicações foram deletadas. Entre elas estavam vídeos com críticas ao uso emergencial de vacinas e referência ao termo usado por Bolsonaro: "Vacina do Doria". Os vídeos foram publicados entre os meses de dezembro e janeiro, mas deletados em março.

Facebook sinaliza publicação de vídeo de Magno Malta como
Facebook sinaliza publicação de vídeo de Magno Malta como "informação falsa". Crédito: Reprodução/Facebook

REGRAS DA PLATAFORMA

Diante do cenário de pandemia de Covid-19 em todo o mundo, o YouTube estabeleceu regras específicas para vídeos que tratam sobre o tema. Em sua política, a empresa proíbe a publicação de conteúdo que dissemine informações incorretas que contrariem as orientações da OMS ou das autoridades sanitárias de cada país.

Isso inclui alegações falsas sobre tratamento, contaminação e prevenção, como por exemplo que existe tratamento precoce garantido, que há um remédio que cure a doença ou afirmações envolvendo a vacinação que sejam contrárias ao que as autoridades sanitárias dizem. A plataforma também deleta vídeos que contém desinformação sobre a origem da doença ou outras informações falsas, como a negação da existência da pandemia.

O público pode sinalizar quando há esse tipo de propagação, mas a própria plataforma também derruba conteúdos publicados, às vezes instantaneamente, quando violam as leis da comunidade. Os canais podem receber até três avisos e, se continuarem publicando o mesmo tipo de informação, podem ser banidos. 

O QUE DIZ MAGNO MALTA

O ex-parlamentar foi procurado pela reportagem por telefone, mas não atendeu as ligações. Também foram enviadas mensagens questionando o motivo de ter deletado os vídeos e se Magno havia mudado de ideia quanto à vacinação, mas não tivemos respostas. A reportagem será atualizada caso haja manifestação.

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