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A mais jovem e o mais velho: disputa nas eleições 2020 no ES vai de 18 a 86 anos

Da época do mimeógrafo até a era dos smartphones, candidatos mais idosos e mais novos não necessariamente representam experiência nas urnas ou "nova política"

Publicado em 08/10/2020 às 16h23
Boris Castro, candidato a vereador de Vitória, tem 86 anos. Ao lado, Lara Favero, candidata em São Domingos do Norte de 18 anos
Boris Castro, candidato a vereador de Vitória, tem 86 anos. Ao lado, Lara Favero, candidata em São Domingos do Norte, de 18 anos. Crédito: Montagem/Carlos Alberto Silva/Lara

O Espírito Santo tem mais de 12 mil candidatos nas eleições municipais de 2020. Entre eles, a mais jovem tem 18 anos e o mais velho, 86. A idade não necessariamente, no entanto, indica que sejam velhos conhecidos das urnas ou integrantes da chamada "nova política". 

Há dois, na verdade, que, aos 86 anos, se eleitos, terminariam o mandato aos 90. Enquanto isso, do outro lado do gráfico, oito candidatos disputam cadeiras de vereador aos 18 anos, idade mínima exigida pela Justiça Eleitoral para entrar no pleito.

Em Vitória, Boris Castro (MDB) se prepara para sua primeira “campanha de verdade” desde que nasceu, em 26 de abril de 1934. Para ele, a primeira vez que concorreu para vereador “não conta”, foi há tantos anos que nem ele mesmo lembra o ano. “Eu não fiz campanha. De forma séria, é a primeira vez”, afirma.

Jornalista e advogado, Boris brinca que já “fez de tudo na vida”, menos ser político. Atuou em rádio, jornal e televisão. “Fiz televisão no tempo que o Silvio Santos estava começando, dizem até que ele me copiava”, brinca. A ideia de entrar na disputa veio depois que pessoas próximas e os líderes partidários o encorajaram.

Nascido na Capital, o candidato à Câmara municipal mora no bairro Praia do Canto há 22 anos. Sua estratégia de campanha é não fazer promessas que não possa cumprir. “Não vou ficar fazendo campanha com promessas, quero criar um fórum público para receber as lideranças comunitárias na Câmara, ouvir os planos e projetos e levar, pessoalmente, para o prefeito”, aponta.

Entre suas prioridades está, também, brigar por mais investimento no turismo da Capital. Sua ideia é incentivar parcerias público-privadas para construir uma estrutura turística no Morro do Penedo, “um restaurante tipo no Pão de Açúcar”, a retomada do aquaviário e uma revitalização do mercado da avenida Capixaba.

68 ANOS DE PALANQUE

O candidato a prefeitura de Rio Novo do Sul segura a comenda Domingos Martins, homenagem concedida pela Assembleia Legislativa
O candidato à Prefeitura de Rio Novo do Sul João Martins (PSB) segura a comenda Domingos Martins, homenagem concedida pela Assembleia Legislativa em  1995. Crédito: Amarildo Bianchi

Três meses mais novo que Boris, João Martins (PSB), também de 86 anos, já cultiva uma relação muito diferente com a política. Candidato a prefeito de Rio Novo do Sul, o capixaba já está há 68 anos na vida política. Seu primeiro mandato foi como vereador, no final da década de 50. “Fui vereador no tempo que vereador não tinha salário. A gente se reunia uma vez por semana, toda segunda-feira, às 14 horas, e eu nunca faltei uma reunião sequer”, relata.

Depois, o agricultor foi vice-prefeito por quatro mandatos durante as décadas de 60 e 80 e, por último, nos anos de 2004 a 2008. “Sou campeão de vice”, brinca. A intenção de voltar a concorrer, oito anos depois de ficar fora da cena política, veio, de acordo com ele, do incentivo de pessoas conhecidas. 

Caso seja eleito, João quer focar, principalmente, na geração de renda e emprego no município. “Rio Novo é um município que tem como base a agricultura e a pecuária, por isso eu acredito muito em melhorar a economia do município investindo no campo que pode oferecer muitas possibilidades, melhorar a produtividade, incentivar a agroindústria e o agroturismo para trazer investimentos”, sustenta.

Depois de mais de três décadas na esfera política, ele aponta o desenvolvimento do uso da tecnologia nas campanhas políticas é um dos aspectos que mais mudou. “Eu sou do tempo que não tinha nem a caneta esferográfica. A última tecnologia era o mimeógrafo a tinta e estava começando a chegar telefonia. A campanha eleitoral era completamente diferente. E a gente levava o voto no bolso e colocava na urna”, lembra.

Além disso, a forma de trabalhar também era diferente. Das primeiras vezes que foi vice, por exemplo, não havia secretarias no Poder Executivo. “O prefeito que cuidava de saúde, educação e obras. Infraestrutura, máquinas, não existia”, relata. As mudanças, para o candidato, foram positivas, mas ainda há o que melhorar. “Em algumas coisas melhorou bastante, era comum o voto de cabresto, ter que mostrar o papel com o voto para alguém. Mas a gente sabe que isso ainda existe, compra de voto, coerção do voto, mas aos poucos as coisas vão mudando”, finaliza.

DE PARAQUEDAS NA POLÍTICA

Muito longe da realidade dos mimeógrafos a tinta, Lara Favaro Trevizani (PL), candidata a vereadora em São Domingos do Norte, nasceu em 2002, quando os computadores começavam a ser popularizados e a internet, aos poucos, ia chegando para ocupar o espaço de destaque no Brasil. Natural de Colatina, a jovem estudante em um cursinho pré-vestibular é a candidata mais nova dos mais 12,4 mil candidatos que devem aparecer nas urnas em novembro.

Lara saiu do ensino médio no ano passado e, agora, estuda para entrar na faculdade. O curso dos sonhos é Medicina. Ela admite que, no início, sua candidatura era para completar o número de mulheres necessário para formar a chapa de vereadores do partido, mas afirma que, após começar a fazer campanha e receber incentivos pelas redes sociais, passou a se interessar pela disputa.

“Primeiro era só para completar o número e depois eu aceitei o desafio de ser vereadora também porque faltam mulheres na política. Comecei a fazer campanha nas redes sociais e todo mundo se empolgou também. Não sei se tenho voto suficiente para me eleger, mas com o pouco que eu vi de incentivo estou mais animada para fazer minha campanha”, afirma.

Como é estudante, a candidata quer levar para a campanha a bandeira da educação. Aos seus olhos, essa é a área que mais precisa de investimento no município. “Sempre estudei em escola pública e por isso tenho a percepção que precisa de melhorias”, relata.

Apesar de ter “caído de paraquedas” na candidatura, Lara sustenta que quer representar um “espírito de renovação” para a política e, se eleita, quer ser acessível para que os eleitores tenham a quem procurar. “É uma novidade para mim, minha mãe é funcionária pública então eu sempre escutei dentro de casa essas questões do que o município precisava, mas nunca tinha pensado em me candidatar. Entrei para mostrar um espírito novo, de renovação para o município e tentar, caso eleita, fazer com que meus eleitores e mesmo as pessoas que não votaram em mim possam vir até mim”, finaliza.

"PASSARINHO FILHO"

Passarinho Filho vai concorrer a vereador de Vitória com o apoio e orientação do pai, Gilmário Passarinho
Passarinho Filho concorre a vereador de Vitória com o apoio e orientação do pai, Gilmário Passarinho. Crédito: Passarinho/Divulgação

Diferentemente de Lara, que nunca teve contato anterior com a política partidária, o candidato a vereador de Vitória Gilson Gomes Neto, conhecido como Passarinho Filho (PSB), também de 18 anos, vem de uma família de políticos. Seu pai, Gilmário Passarinho, foi vereador da Capital por dois mandatos, mas está inelegível após ser condenado em uma ação por improbidade administrativa. O filho, então, foi lançado na disputa por uma vaga na Câmara de Vitória.

“Meu pai sofreu uma injustiça e, como ele não pode concorrer, eu e ele decidimos lançar minha candidatura a vereador para dar seguimento ao nosso projeto”, afirma. Todos os projetos que pretende desenvolver na Câmara, se eleito, vieram do pai e é com ele que Passarinho Filho faz campanha na rua. “Meu plano é ser um amigo das comunidades, como meu pai sempre foi. O projeto de apostar em comunidades como Maruípe e São Pedro, com projetos voltados para esporte e educação”, aponta.

A função de um vereador é propor e aprovar leis e fiscalizar o Poder Executivo.

Para o candidato que saiu do ensino médio no ano passado, o resultado das eleições vai ter um peso ainda maior. Depende dele a decisão de qual curso superior fazer. “Se eu for eleito vou fazer algo que tenha a ver, tipo Direito e Gestão Pública. Se não for, vou fazer algo mais parecido com o que eu gosto, que é esporte”, relata.

Os planos da dupla incluem não só esse pleito, mas envolvem um projeto político para o futuro. Nesse caso, o esporte e as atividades que gosta vão ter que “virar um hobby” para “fazer nas horas que der.”

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