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"Quando desci já era tarde. Só escutei grito", diz mãe de Luana

Mãe diz que acompanhava a filha no ponto de ônibus todos os dias e lamenta que, apesar das denúncias, morte da jovem não tenha sido evitada

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/02/2021 às 15h01
Atualizado em 12/02/2021 às 15h01
Mãe de Luana Demonier lamenta que a morte da filha não tenho sido evitada, mesmo com a denúncias feitas à polícia
Mãe de Luana Demonier lamenta que a morte da filha não tenho sido evitada, mesmo com a denúncias feitas à polícia. Crédito: Reprodução / TV Gazeta

Uma rotina marcada por medo, violência e pedidos de socorro. Ameaçada pelo ex-namorado, Luana Demonier, de 25 anos, recorreu à polícia várias vezes, mas era com a proteção da mãe que ela contava todos os dias. A jovem tinha medida protetiva contra Rodrigo Pires Rosa, de 38 anos, e mesmo assim evitava sair de casa. Quando saía para trabalhar, era a mãe que a acompanhava e esperava por ela no ponto de ônibus todos os dias. Na terça-feira (09), Luana não ligou e quando a mãe decidiu sair para encontrá-la, a filha já havia sido assassinada.

"Todo dia a gente descia junto 5h40 e eu esperava ela pegar o ônibus 515. Depois que ela pegava o ônibus dela é que eu pegava o meu. Na volta era a mesma coisa. Eu chegava primeiro, descia para buscar ela todos os dias no ponto. Ela me ligava e eu descia", afirmou a mãe em entrevista à TV Gazeta sem se identificar.

Mãe de Luana

"Na terça-feira (9) ela não me ligou. Quando eu desci já era tarde. Cheguei no portão e só escutei grito. Quando desci na esquina, era ela que estava lá no chão sozinha. Ele já tinha corrido"
Luana Demonier foi morta a facadas quando chegava em casa em Cariacica
Luana Demonier foi morta a facadas pelo ex-namorado. Crédito: Reprodução/Instagram

REVOLTA

A mãe conta que Luana vivia com medo e saía de casa apenas para trabalhar ou para ir até à casa da irmã. Para a família, a morte da jovem não ter sido evitada - mesmo com as denúncias à polícia - é motivo de muita revolta. "Ela ligou para os policiais. Eles vieram aqui, estavam na porta aqui em baixo, esperando ela chegar. Para quê? Para fazer nada? Só conversar? Essa lei (Maria da Penha) não existe. Não existe. Ninguém faz nada. Só tem nome", critica. 

Mãe de Luana

"Só sinto dor. Muita perda, muita dor. Muita revolta, muita tristeza, porque ninguém pôde ajudar minha filha. Ela pediu muitas vezes, fez vários boletins e nada fizeram para ajudar a minha filha"

RELACIONAMENTO MARCADO POR AMEAÇAS

Ao longo de quase um ano, tempo em que durou o relacionamento de Luana com Rodrigo, a jovem foi ameaçada muitas vezes. O casal chegou a ter uma filha e, após o nascimento da menina, Rodrigo também chegou a usar a criança para ameaçar a ex-namorada.

"Quantas vezes ele vinha ver a neném, falava que ia vender a neném, que ia roubar a neném. Amedrontava e ela nem saía de casa com a neném. Ela tinha muito medo, o único lugar que ia era para a casa da irmã. Eu só queria ajuda, pelo menos do Estado, para  deixar ele lá na cadeia, apodrecer. Sentir o que a minha filha sentiu, porque ela não vivia", lamenta a mãe.

Preso Rodrigo Pires Rosa
Rodrigo Pires Rosa, preso acusado de matar a ex-namorada no bairro Vila Capixaba. Crédito: Carlos Alberto Silva

O CRIME

Imagens gravadas por câmeras de segurança mostram o momento exato em que a jovem Luana Demonier, de 25 anos, é esfaqueada pelo ex-namorado Rodrigo Pires Rosa, de 38 anos. O assassinato aconteceu na noite de terça-feira (9), na rua onde a jovem morava, no bairro Vila Capixaba, em Cariacica.

Na manhã do dia do crime (9), ele entrou no mesmo ônibus em que a vítima estava e começou a intimidá-la, em voz alta, usando a morte da filha. Segundo a família, outros passageiros entenderam a postura como uma ameaça.

Enquanto voltava para a casa, ela recebeu uma mensagem do ex-companheiro, que afirmava que iria matá-la. Ao chegar na rua onde morava, no bairro Vila Capixaba, a vítima foi surpreendida por ele e levou 19 facadas. Luana morreu ainda no local.

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