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Feminicídio

Polícia esperava por Luana na rua em que jovem foi morta em Cariacica

Ela havia acionado a Polícia Militar após ser ameaçada horas antes do crime pelo ex-namorado, que confessou tê-la matado; equipe da Patrulha Maria da Penha passou pela rua de Luana minutos antes do assassinato

Publicado em 10 de Fevereiro de 2021 às 20:45

Daniel Pasti

Publicado em 

10 fev 2021 às 20:45
Luana Demonier foi morta quando voltava do trabalho
Luana Demonier foi morta quando voltava do trabalho Crédito: Reprodução/Instagram
Uma equipe da Polícia Militar estava indo em direção à casa da jovem Luana Demonier no momento em que ela foi assassinada pelo ex-namorado Rodrigo Pires Rosa, na noite desta terça-feira (9), no bairro Vila Capixaba, em Cariacica. A Polícia Civil informou que o acusado pegou o mesmo ônibus em que Luana estava no caminho do trabalho, na manhã do crime e, por isso, a vítima acionou a PM.
Uma câmera de segurança de um estabelecimento comercial próximo à casa de Luana que flagrou o momento em que Rodrigo ataca a vítima. Nas imagens é possível ver uma viatura da polícia passando pela rua dois minutos antes do crime. Demandada pela reportagem de A Gazeta, a PM explicou que uma equipe da Patrulha Maria da Penha esteve na residência de Luana atendendo a uma solicitação da vítima por meio de uma visita tranquilizadora.
Polícia esperava por Luana na rua em que jovem foi morta em Cariacica
A polícia afirmou, também, que logo após o crime, os militares que estavam em frente à casa de Luana desceram a ladeira para tentar deter Rodrigo, mas não o alcançam. Confira nas imagens:
A nota da PM ainda explica que as visitas tranquilizadoras fazem parte do conjunto de medidas adotadas para a proteção de vítimas de violência doméstica e familiar que possuem Medidas Protetivas de Urgência e são realizadas a partir da solicitação das vítimas, em dias e horários previamente agendados, visando atuar de modo preventivo.
A corporação citou que emprega todos os esforços para que qualquer vítima com medida protetiva seja atendida pela Patrulha Maria da Penha, quando a equipe for acionada em casos de ameaças. "A PM orienta ainda que em casos de ocorrências em andamento, vítimas entrem em contato com o Ciodes 190 imediatamente, para que uma equipe se desloque até o local onde a vítima se encontra. Posteriormente, é importante que a vítima se dirija a uma delegacia, para comunicar o descumprimento da Medida Protetiva", diz a nota.
Por último, a Polícia Militar ressaltou que a conduta padrão em casos de vítimas atendidas pela Lei Maria da Penha e que possuem medidas protetivas são "garantir atendimento humanizado e integrado à mulher em situação de violência, que tenha requerido Medida Protetiva de Urgência, observado o respeito aos princípios da dignidade da pessoa humana, da não discriminação, bem como da autonomia e autodeterminação das mulheres. Promover a integração dos serviços oferecidos às mulheres em situação de violência, articulando a segurança pública aos demais serviços da Rede de Atendimento e de Enfrentamento à Violência contra a Mulher das áreas da Saúde, Assistência Social e Direitos Humanos e outras áreas afins".

FRIEZA E CRUELDADE CHOCANTES

A delegada Rafella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), explicou que Rodrigo ameaçou a vítima no coletivo e também entrou no mesmo ônibus que Luana pegou para fazer o caminho de volta. Ela foi assassinada na rua de casa, quando retornava do trabalho. 
“Ontem (9) mais cedo, quando a vítima se dirigia para o trabalho, ele já foi no mesmo ônibus que ela e a ameaçou de morte. Foi quando ela acionou a patrulha da Lei Maria da Penha afirmando o que tinha acontecido. No final da tarde, novamente ele pegou o mesmo ônibus que ela. Com as imagens, percebe-se que eles estavam conversando de forma natural, tranquila. De repente, quando estavam na rua da casa dela, ele sacou um facão e deliberadamente começou a esfaqueá-la sem parar”, contou.
A delegada ainda afirmou que a frieza e a crueldade do crime a impressionaram.
“Ao todo, foram 19 facadas que a vítima recebeu. Foi de uma crueldade e uma frieza que, quem vê as imagens, fica chocado. Dos últimos crimes que nós apuramos, foi um dos mais cruéis. Foram tantas facadas e a forma como ele fez, pode-se ver que a vítima tentou lutar pela vida dela, é algo que nos choca”, concluiu Rafaella Aguiar.

O CASO

Uma mulher foi morta a facadas no bairro Vila Capixaba, em Cariacica, por volta das 19h30 desta terça-feira (9). Luana Demonier, 25 anos, estava voltando do trabalho quando o suspeito a abordou e desferiu vários golpes de faca contra a vítima, que morreu no local.
Segundo a Polícia Militar, assassino confesso de Luana, Rodrigo Pires Rosa, já teria a perseguido outras vezes. Luana tinha uma medida protetiva contra o ex, o que não impediu o crime. A perícia da Polícia Civil foi acionada e o corpo foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML).
Rodrigo Pires Rosa foi autuado em flagrante por feminicídio e homicídio duplamente qualificado. Ele foi levado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, onde prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (10). À noite, o acusado foi passou por exames no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, e foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana (CTV).

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