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Morte na Darly Santos: motorista é denunciado pelo Ministério Público

O MPES entendeu que houve homicídio consumado qualificado por não dar chance de defesa à Amanda e, no caso do Matheus, entendeu por homicídio qualificado tentado

Tempo de leitura: 4min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 14/05/2021 às 19h17
Acidente com morte na Darly Santos
Acidente com morte na Darly Santos. Crédito: Montagem | Redes Sociais | Leitor A Gazeta

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) ofereceu denúncia nesta quinta-feira (14) contra o motorista Wagner Nunes de Paulo, de 28 anos, responsável pelo acidente que matou a jovem Amanda Marques, de 20 anos, e que chegou a deixar o companheiro dela, Matheus José Silva, de 23 anos, hospitalizado e agora usando cadeira de rodas.

O episódio aconteceu no dia 17 de abril, na rodovia Darly Santos, em Vila Velha. A jovem voltava para casa em uma moto conduzida pelo namorado. Wagner permanece em cumprimento da prisão preventiva.

Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um carro em Vila Velha
Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um carro em Vila Velha. Crédito: Instagram

O MP entendeu que houve homicídio consumado qualificado por não dar chance de defesa à Amanda e, no caso do Matheus, entendeu por homicídio qualificado tentado, além de ter reconhecido a hipótese de embriaguez ao volante do agora réu. Wagner deverá comparecer a um interrogatório e, em seguida, poderá ser pronunciado, o que significa dizer que responderá pelo crime diante de júri popular.

Procurado pela reportagem, o advogado Ramon Coelho Almeida, responsável pela defesa do acusado Wagner Nunes de Paulo, ainda não se manifestou. Esta publicação será atualizada caso haja resposta.

No dia 5 de maio, o advogado afirmou à reportagem de A Gazeta que "a defesa só irá se manifestar nos autos do processo a partir de agora".

Momento em que Wagner Nunes de Paulo é detido em Vila Velha
Momento em que Wagner Nunes de Paulo é detido em Vila Velha. Crédito: Leitor | A Gazeta

O advogado de Renata Aparecida Marques, mãe de Amanda, e assistente à acusação, Fábio Marçal afirma que a denúncia oferecida foi recebida com satisfação pela família das vítimas.

"Foi muito importante isso. O promotor Evaldo Martinelli também representou pela manutenção da prisão preventiva, assim como havia feito o delegado. Agora vamos batalhar para o réu ser pronunciado. Vamos vencer essa batalha e deixar esse assassino preso até o final do processo. Conseguimos em tempo recorde terminar esse inquérito em ação penal e agora ele responde a um processo criminal na Vara do Júri", afirmou.

"O CORAÇÃO AINDA ESTÁ DESTRUÍDO", DIZ MÃE DE AMANDA

Para Renata Aparecida Marques, mãe da jovem Amanda, o coração permanece inconsolado, mas saber da denúncia é um avanço. "Para mim continua muito difícil, o coração ainda está destruído, vai fazer um mês agora. Mas saber disso é uma coisa boa. Pelo menos pela morte da minha filha ele tem que pagar. A Justiça está sendo feita e vai continuar até o fim. Ele tem que apodrecer na cadeia", disse.

Em Vila Velha
Renata e a filha Amanda, vítima de acidente na rodovia Darly Santos. Crédito: Arquivo da família

Renata Aparecida Marques

Mãe de Amanda

"Amanda era tranquila, era do bem, não bebia, não fumava. Vem um assassino desses e tira a vida da minha filha. Tem que ter Justiça. Que Deus ilumine a cabeça de todo o Judiciário e do promotor. Quem mais sofre é a família"

RELEMBRE O CASO

O acidente que tirou a vida de Amanda Marques, 20 anos, e mudou drasticamente a de Matheus José da Silva, de 23, aconteceu na noite de 17 de abril deste ano. O casal estava de moto e voltava da casa da mãe da jovem pela Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Quando passavam pelo bairro Jardim Asteca, eles foram atingidos por um carro dirigido por Wagner Nunes de Paulo. Era Matheus quem pilotava a moto, modelo Honda XRE 300, no momento em que o Corolla, que seguia no mesmo sentido na pista, atingiu a traseira da motocicleta, segundo a Polícia Militar.

Moto Honda XRE envolvida no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha
Moto Honda XRE envolvida no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Crédito: Reprodução

Com a força do impacto, as vítimas foram arrastadas por cerca de 50 metros até o veículo parar. A jovem Amanda morreu ainda no local, enquanto o namorado foi socorrido em estado grave para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.

O motorista, identificado como Wagner Nunes de Paulo, de 28 anos, se recusou a fazer o teste de etilômetro no local do acidente, mas foi detido em flagrante após a batida e foi autuado inicialmente por homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, como informou a Polícia Civil, por meio de nota, à ocasião.

Toyota Corolla envolvido no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha
Toyota Corolla envolvido no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Crédito: Reprodução

Apesar de detido no local do acidente, Wagner Nunes de Paulo teria tentado arrancar com o carro para fugir, sendo impedido por testemunhas, que também afirmaram que o motorista estava embriagado e dirigindo em alta velocidade. Na ocasião, um policial civil amigo da família teria tentado retirá-lo da cena e ameaçado as pessoas.

Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana no dia 18 de abril, onde passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva, a pedido do Ministério Público, prisão que ainda está mantida.

Após as investigações, a Delegacia de Delitos de Trânsito concluiu que o condutor tinha ingerido bebida alcoólica durante uma festa com amigos. Indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, Wagner Nunes de Paulo está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Viana II, segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus).

De acordo com o relatório do caso obtido pela TV Gazeta, o procedimento adotado no atendimento ao acidente teve várias falhas, incluindo a ausência de teste toxicológico (diante da recusa do bafômetro). Por isso, as condutas deveriam ser apuradas. A Polícia Civil e a Polícia Militar já afirmaram que vão investigar as atitudes. 

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