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"Machuca não ter o último momento com Amanda", diz namorado após acidente

Em entrevista exclusiva, Matheus José da Silva falou pela primeira vez após o acidente sofrido na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha, em abril, onde a namorada morreu; ele está em uma cadeira de rodas

Publicado em 05/05/2021 às 16h06
Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um carro em Vila Velha
Amanda Marques e Matheus José da Silva moravam juntos há cerca de seis meses, em um apartamento em Vila Velha. Crédito: Instagram

Na cadeira de rodas, sem conseguir andar sozinho e dependendo da ajuda de familiares. Essa é a atual situação de Matheus José da Silva, de só 23 anos, depois do acidente sofrido em Vila Velha, no último dia 17. A limitação física, porém, parece não ter importância diante da dor emocional de ter perdido a namorada Amanda Marques, de 20 anos.

"Ninguém gostaria de dormir sabendo que a pessoa amada está junto e acordar sabendo que ela faleceu. Eu procuro me lembrar das coisas boas que ela viveu, que nós vivemos. Mas, para mim, o que mais me machuca é não lembrar de algumas coisas, de não ter esse último momento com ela. Só lembro de coisas bem vagas", desabafou.

Amanda Marques e o namorado Matheus José. Crédito: Instagram
Amanda Marques e o namorado Matheus José. Crédito: Instagram

No início da noite desta terça-feira (4), o autônomo falou pela primeira vez após o acidente e revelou que a última lembrança que possui é de quando ainda estavam a caminho da casa da mãe da jovem. Ou seja, as memórias dele acabaram interrompidas cerca de dez horas antes da batida na Rodovia Darly Santos.

Matheus José da Silva

Autônomo e vítima do acidente

"Não me lembro de nada de lá para cá, devido à pancada. Só lembro de acordar no hospital e receber a notícia do falecimento dela"

Nesta semana, ele começou a ler e se informar melhor sobre tudo que havia acontecido — um processo também bastante doloroso. "Às vezes eu até evito, para não ficar remoendo, mas sei, pelo o que me contaram e pelas reportagens que li, que foi muito feio. Se não fosse ela, poderia ser que quem estivesse morto fosse eu", disse.

Os dois se conheceram por meio de amizades em comum e completariam um ano de namoro na próxima semana. Próximo à data, ele começou a publicar fotos do casal nas redes sociais, acompanhadas da música "Impressionando os anjos", do cantor Gustavo Mioto, cuja letra é uma conversa apaixonada com a pessoa amada que já partiu.

Amanda Marques e o namorado Matheus José. A moto em que eles estavam foi atingida por um Tou
Poucos dias antes do acidente, Amanda e Matheus fizeram uma viagem juntos para a cidade de Ibiraçu. Crédito: Instagram

Matheus e Amanda moravam juntos há cerca de seis meses, em um apartamento alugado no bairro Divino Espírito Santo, em Vila VelhaOs planos eram casar e ter filhos. Ela também queria fazer alguma faculdade. "A gente tinha esse ciclo que queríamos para a nossa vida, e que infelizmente foi interrompido", lamentou.

"Desde a alta, estou na casa da minha avó. Não tive coragem de ir até o apartamento, e também estou muito machucado. Fico pensando: quando eu estiver melhor e voltar para lá, como vai ser? Eram as nossas coisas. Cada canto daquele lugar era dela também. Falar da Amanda me dá vontade de chorar", desabafou.

Matheus José da Silva

Autônomo e vítima do acidente

"É uma época insuportável. Pego o telefone, as nossas conversas... não tem uma vez que olhe para a foto dela e não chore. Não vou negar, estou à base de remédio"

Internado em estado grave, o jovem só soube que a namorada não havia sobrevivido ao acidente no sábado (24). As lembranças desse momento são praticamente inexistentes. Três dias depois, ele pode sair do hospital e, na mesma data, encontrou os pais de Amanda – um dos momentos mais difíceis para ele.

"O pai e a mãe me abraçaram, deram apoio. Falei que não tive culpa, e eles falaram que sabiam disso, que me conheciam. Nunca fui de empinar moto, essas coisas. Conversar com eles foi muito difícil. Eles choraram, eu chorei. Não tem como. Nós todos nos gostávamos muito e nos dávamos muito bem", afirmou Matheus.

Matheus José da Silva lembra com carinho do bom relacionamento e da
Matheus José da Silva lembra com carinho do bom relacionamento e da "conexão fácil" com Amanda. Crédito: Reprodução/Instagram/Arquivo pessoal

Atualmente, o rapaz ainda se recupera dos machucados e usa um colete imobilizador para tentar escapar de uma cirurgia na coluna. "Só Deus sabe o quanto dói. Estou melhorando, mas é bem devagar. O lado esquerdo do meu corpo, minha perna, meu braço, está em carne viva. Só nessa noite, eu acordei nove vezes", revelou.

Apesar disso, a maior preocupação dele é que seja feita justiça. "Porque, uma hora, isso vai passar. Se ficasse na cadeira de rodas e ela estivesse viva, não faria falta nenhuma. Eu quero que ela seja vingada, no sentido da polícia fazer algo. Eu sinto falta dela todos os dias da minha vida e eu sou só o namorado", concluiu, com voz trêmula.

MOTORISTA BEBEU E TENTOU FUGIR: RELEMBRE O CASO

O acidente que tirou a vida de Amanda Marques e mudou drasticamente a de Matheus José da Silva aconteceu na noite de 17 de abril deste ano. O casal estava de moto e voltava da casa da mãe da jovem pela Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. Quando passavam pelo bairro Jardim Asteca, eles foram atingidos por um carro dirigido por Wagner Nunes de Paulo.

O motorista de 28 anos atingiu a traseira da moto pilotada por Matheus. Com a força do impacto, as vítimas foram arrastadas por cerca de 50 metros até o veículo parar. A jovem Amanda morreu ainda no local, enquanto o namorado foi socorrido em estado grave para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.

Toyota Corolla envolvido no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha
Foto mostra o estado em que ficou o carro de Wagner Nunes de Paulo após o acidente no último dia 17 de abril. Crédito: Reprodução

Apesar de detido no local do acidente, Wagner Nunes de Paulo teria tentado arrancar com o carro para fugir, sendo impedido por testemunhas, que também afirmaram que o motorista estava embriagado e dirigindo em alta velocidade. Na ocasião, um policial civil amigo da família teria tentado retirá-lo da cena e ameaçado as pessoas.

PRISÃO

Após as investigações, a Delegacia de Delitos de Trânsito concluiu que o condutor tinha ingerido bebida alcoólica durante uma festa com amigos. Indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, Wagner Nunes de Paulo está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Viana II, segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus).

De acordo com o relatório do caso obtido pela TV Gazeta, o procedimento adotado no atendimento ao acidente teve várias falhas, incluindo a ausência de teste toxicológico (diante da recusa do bafômetro). Por isso, as condutas deveriam ser apuradas. A Polícia Civil e a Polícia Militar já afirmaram que vão investigar as atitudes.

Por telefone, na tarde desta quarta-feira (5), o advogado Ramon Coelho Almeida, responsável pela defesa de Wagner Nunes de Paulo, informou que só irá se manifestar nos autos do processo e lamentou o ocorrido. 

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