Repórter / [email protected]
Publicado em 16 de outubro de 2022 às 20:12
O assassinato de dois soldados da Polícia Militar em Cariacica, na madrugada de domingo (16), chocou o Espírito Santo. O enredo da morte dos profissionais começou durante uma ronda noturna de rotina, na região da Rodovia Leste-Oeste. Quando passavam pelo local, os policiais flagraram uma tentativa de assalto. Ali, eles começaram uma perseguição aos suspeitos, que terminou com a execução dos dois militares após uma emboscada.>
Em menos de sete horas após o crime, o grupo suspeito de estar envolvido com as mortes foi preso, segundo informações do secretário estadual de Segurança Pública, coronel Márcio Celante.>
Entenda o que aconteceu entre a perseguição, a abordagem dos suspeitos, a execução dos PMs e como serão as investigações sobre o caso.>
>
Os policiais militares Paulo Eduardo Oliveira Celini, de 29 anos, e Bruno Mayer, de 30, realizavam uma ronda noturna em Cariacica, nos entornos da Leste-Oeste. >
Durante o serviço, por volta das 3 horas da madrugada, os soldados avistaram uma tentativa de assalto. >
Dois dos quatro suspeitos, que estavam em um Fox branco, saíram do carro e tentaram abordar um Fiat Argo. Nesse momento, os assaltantes foram surpreendidos pela chegada dos policiais, que ligaram suas sirenes e o giroflex.>
Ao avistarem a viatura, os assaltantes — um homem e uma mulher — entraram no Fox branco novamente e tentaram fugir. A partir dessa hora, foi iniciada uma perseguição.>
O carro era dirigido por Eric da Silva Ferreira, de 45 anos. No carona, estava Luana de Jesus Luz, de 26; no banco traseiro, estavam os namorados Eduardo Bonfim Meireles, de 40 anos, e Erica Lopes Ferreira, de 26 anos.>
Três pessoas estavam num Fiat Argo quando o assalto foi anunciado. Eles deram coronhadas nas vítimas, entre elas uma grávida.>
Os bandidos pegavam celular, pulseira e cordão de uma das vítimas quando viram o carro da polícia se aproximando. Durante a abordagem dos bandidos, um dos suspeitos fez um disparo de arma de fogo em direção ao carro e atingiu uma das vítimas de raspão. >
A mãe do motorista do carro assaltado disse que um dos criminosos daria outro tiro no filho, mas que a aproximação da polícia inibiu os assaltantes.>
Ainda não se sabe qual o tipo de arma foi utilizada na tentativa de roubo. De acordo com uma das vítimas, uma assaltante, que pertencia ao grupo criminoso, portava uma arma calibre 12. A suspeita da polícia é que essa mulher seja a Erica.>
Assim que avistaram a tentativa de assalto, os PMs deram início à perseguição e solicitaram reforços à Corporação.>
O veículo branco com os quatro suspeitos foi perseguido até o bairro Santa Bárbara. No local, os policiais ligaram novamente as sirenes da viatura, segundo a versão da polícia.>
Na Rua Manoel Freire, ainda em Santa Bárbara, os bandidos encostaram o Fox branco. Eduardo e Érica se esconderam atrás de um caminhão para uma emboscada, segundo a polícia. Eric e Luana continuaram dentro do veículo, nos bancos da frente, de acordo com as autoridades.>
Quando a viatura alcançou os suspeitos de assalto, os policiais desceram do veículo para realizar a abordagem do motorista e da carona. >
Conforme fala do comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, o tenente-coronel Paulo Roberto Schulz Barbosa, foi nessa hora que os suspeitos escondidos atiraram contra os soldados. Um foi atingido por um tiro no rosto e o outro na região da axila esquerda.>
Após atirar contra os soldados, Eduardo e Erica embarcaram novamente no Fox e fugiram com os outros dois que já estavam dentro do veículo. >
Segundo informações da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), quando as equipes de reforços chegaram, os dois policiais estavam deitados em frente à viatura, que também foi alvo dos disparos.>
Os soldados chegaram a ser socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levados ao Hospital Meridional, em Cariacica. Porém, não resistiram aos ferimentos.>
Ainda não há informação sobre os tipos de armas utilizadas contra Celini e Mayer e dos danos causados à viatura.>
Algumas horas após a fuga, a PM encontrou o Fox branco utilizado pelo grupo abandonado nos entornos de Castelo Branco. Ainda no bairro, um policial militar viu um casal caminhando nas proximidades, que apresentava atitude suspeita. O homem e a mulher foram identificados como Eric da Silva Ferreira e Luana de Jesus Luz. Motorista e carona, respectivamente. Após serem abordados, ambos confessaram a participação no crime.>
Em seguida, a partir de investigações das polícias Civil e Militar, os outros dois participantes foram identificados e localizados em um motel, em Cariacica. >
Eduardo Bonfim Meireles comemorava o aniversário de 40 anos neste domingo. Ele é namorado de Erica Lopes Ferreira, e ambos têm ficha criminal com homicídios e assaltos à mão armada, segundo a polícia. >
Os policiais foram descaracterizados ao local e abordaram o casal. Lá, foram encontradas três armas: uma pistola 9mm, debaixo da cama do motel, e outras pistolas 2 .40, que pertenciam aos soldados mortos. >
No início da abordagem, Eduardo, inicialmente, deu o nome falso de Marcelo, seu irmão. Erica é filha de Eric, que dirigia o carro Fox branco, ao lado de Luana. >
Em fala, o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), coronel Douglas Caus, informou que o tempo de duração entre a perseguição e as prisões foi de aproximadamente 7 horas. >
Os quatro suspeitos foram presos e encaminhados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) por volta das 10h45.>
Entre todos os membros do quarteto, apenas Luana — a carona — não tinha antecedentes criminais.>
Em coletiva de imprensa que ocorreu na tarde deste domingo (16), a delegada-geral adjunta da Polícia Civil Denise Maria Carvalho informou que as investigações continuam a fim de detalhar o envolvimento de cada um nos homicídios. >
Além disso, Carvalho enfatiza que “é preciso deixar claro que não há ligação entre (a morte dos policiais e) as últimas ocorrências no Estado envolvendo as queimas de ônibus e assaltos em Santa Leopoldina”.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta