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Risco da Covid-19 pode cair em mais cidades do ES e permitir retomada econômica

Após Serra, Vitória e Vila Velha saírem do risco alto para moderado e outras 19 cidades serem enquadradas como de risco baixo, mais municípios do Estado podem garantir retorno das atividades nos próximos dias

Publicado em 18/07/2020 às 16h46
Atualizado em 18/07/2020 às 16h51
Movimento do comércio em Laranjeiras, na Serra
Movimento do comércio em Laranjeiras, na Serra: Grande Vitória hoje em funcionamento em dias alternados. Crédito: Ricardo Medeiros

Espírito Santo foi um dos primeiros Estados brasileiros a iniciar uma reabertura gradual da economia, com a flexibilização de regras e restrições para boa parte das atividades desde maio. A tomada de decisões vem levando em conta a Matriz de Risco, criada para definir as diretrizes por município, e que, após passar por novos aprimoramentos na última semana, deve permitir um retorno maior de atividades em algumas cidades nas próximas semanas.

A matriz - que classifica semanalmente os municípios em risco baixo, moderado, alto ou extremo -, pode ser aprimorada novamente em breve, caso haja queda sustentada nos índices do coronavírus para permitir regras mais brandas, de acordo com a cidade. Porém, mesmo sem isso, o modelo atual já permite que municípios tenham uma classificação de risco menos grave, caindo do risco alto para moderado, por exemplo, aumentando assim a flexibilização.

Neste sábado (18), cidades como Vitória, Vila Velha e Serra deixaram o risco alto pela primeira vez, e outras 19 foram do risco moderado para o baixo na atualização da Matriz de Risco. Essa já era uma expectativa após a última atualização da metodologia que passou a vigorar nesta semana.

Em vez de contabilizar todos os casos em cada localidade já registrados, a nova matriz passou a levar em conta apenas os registros de casos e óbitos por Covid-19 dos últimos 28 dias. Com isso, uma queda nos casos nas últimas semanas favorece algumas regiões na classificação de risco.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, a matriz continuará sendo a política pública responsável para determinar a retomada de atividades ou mesmo o aumento de restrições. Mas, como o modelo privilegia a vulnerabilidade dos leitos hospitalares, a expansão da rede estadual de saúde realizada até aqui deve seguir contribuindo para o retorno a certa normalidade em muitos locais.

Nésio Fernandes

Secretário de Estado de Saúde

"Nós fizemos uma expansão robusta de leitos de UTI e dobramos o tamanho da saúde pública no Estado, numa situação cômoda para não colapsar o sistema. Então, devemos começar a ver um cenário de queda da taxa de ocupação de leitos, para abaixo dos 80%, podendo chegar a 65%. Isso permitirá que municípios de risco alto possam ir para o risco moderado e os de moderado para o baixo, retomando as atividades de forma mais ampla no Estado"

Caso não haja surpresas como novos aumentos de casos, mais cidades devem sair progressivamente do risco alto ao longo de agosto e setembro, de acordo com o secretário. Hoje, no Espírito Santo, enquanto há no interior (sobretudo na Região Norte) uma curva de aumento de casos, na Região Metropolitana o cenário é de estabilidade e queda.

Representantes do setor produtivo capixaba já contavam que cidades da Grande Vitória conseguiriam deixar o risco alto rapidamente. Isso permitirá, por exemplo, o fim da abertura do comércio em dias alternados (e sim diário, de segunda a sexta) e funcionamento das academias sem limitação de cinco usuários por hora.

Mesmo com a redução do risco, algumas atividades vão continuar com funcionamento vedado. Atualmente, mesmo em cidades classificadas como risco baixo, não é permitido o funcionamento de instituições de ensino e realização de eventos. A autorização para retorno desses setores dependeria de uma nova atualização nas regras.

MATRIZ DE RETOMADA

Há a intenção de avançar ainda mais com a Matriz de Risco para permitir uma retomada mais ampla de atividades econômicas e sociais, incluindo o retorno de aulas. Essa "Matriz de Retomada", porém, só deve sair quando houver as condições necessárias. O secretário cogita que isso seja possível em setembro.

"É possível que retornemos a um conjunto maior de atividades sociais em setembro. No entanto, essa decisão não será tomada a partir de tendências e, sim, a partir de um contexto consolidado no Espírito Santo", disse Nésio, em coletiva de imprensa nesta semana.

De acordo com o secretário, será construída uma fase na matriz voltada para essa agenda de retomada mais ampla, mas para isso é preciso ter uma condição sanitária segura de controle da doença, e não apenas tendências.

"Precisaremos que a taxa de ocupação hospitalar seja baixa durante muitas semanas, que não tenhamos óbitos, que a gente tenha condições de reconhecer que a pandemia está de fato controlada e em um ambiente de alta testagem e capacidade de investigação", afirmou.

Ele aponta os dois caminhos possíveis para que esse cenário se concretize: "Isso pode ocorrer por estabilidade do nosso enfrentamento da pandemia, conseguindo isolar os positivos, distanciar as pessoas e reduzir a exposição do grupo de risco. Ou com o surgimento de vacina ou tratamento específico, que vai permitir romper a cadeia de transmissão e eliminar o risco de adoecimento nas formas graves da doença".

Nésio acredita que o enfrentamento padronizado da pandemia adotado desde o início no Espírito Santo deve permitir que o Estado seja um dos primeiros a ter de retomada mais ampla. "O Brasil vai conviver com a doença de maneira mais larga, o que vai incrementar os desafios da economia. Aqui, com a Matriz de Risco, teremos uma capacidade de retomada mais homogênea", avalia.

MEDIDAS INSUFICIENTES FORÇAM RETORNO

O secretário da Saúde ainda faz uma crítica que a falta de medidas econômicas eficazes em nível nacional atrapalham o combate ao vírus. Sem elas, as pessoas vão ter que começar a voltar para as ruas para terem renda.

Devido à pandemia, o desemprego explodiu no Estado. Batemos recorde de pedidos de seguro-desemprego, temos 25% da população sendo contemplada com o auxílio emergencial de forma direta e mais um 25%, pelo menos, de forma indireta, o que mostra o grande impacto do coronavírus na nossa economia. Porém, pesquisas já mostram que o auxílio emergencial é insuficiente para manter o trabalhador em casa.

O Secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, em entrevista virtual
O Secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, em entrevista virtual. Crédito: Divulgação/Sesa

Para o Nésio, isso se dá pela falta de um remédio eficaz para a crise financeira, fazendo com que as pessoas culpem e se rebelem contra as medidas de isolamento e distanciamento.

“Enquanto esse cenário de redução dos riscos não ocorrer, podemos manter as medidas de distanciamento social por um bom tempo. Só que há esse risco. Na ausência de uma política econômica nacional ampla que seja capaz de retomar o crescimento da economia, as medidas de restrição podem ter um peso muito grande que provoquem descontentamento e a desobediência civil”, frisa.

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