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Crise econômica

Número de empresas abertas no ES cai 30% na pandemia do coronavírus

Em abril, maio e junho foram 2.388 novos negócios abertos. O primeiro semestre do ano foi também o pior desde 2014

Publicado em 13 de Julho de 2020 às 05:01

Redação de A Gazeta

Publicado em 

13 jul 2020 às 05:01
Comércio fechado por causa do coronavírus no Centro de Vila Velha
Comércio fechado por causa do coronavírus no Centro de Vila Velha Crédito: Carlos Alberto Silva
A abertura de novas empresas caiu 30% no Estado no último trimestre segundo dados da Junta Comercial do Espírito Santo. Em abril, maio e junho – meses críticos para a economia devido à pandemia do novo coronavírus – foram 2.388 novas empresas abertas. No mesmo período de 2019, foram 3.425 novos negócios registrados.
No acumulado de 2020, foram 5.582 empresas abertas – o menor número para o semestre desde 2014, quando o órgão teve abertura de 5.464 novas empresas. Na comparação com o primeiro semestre de 2019, a queda no número de novos negócios é de 17,7%.
Para o especialista em Marketing e professor universitário Emerson Mainardes, a explicação está na menor visão de oportunidades para os empreendedores durante a pandemia. “Há uma restrição de demanda elevada e as pessoas que pretendem empreender reduzem essa disposição à espera da pandemia passar”, avalia.
Esse número, segundo ele, deve aumentar nos próximos meses – mas não que isso represente algo muito bom. “A gente vai ver muito o empreendedorismo por necessidade. As pessoas perdem o trabalho e vão tentar fazer alguma coisa para ganhar dinheiro, para pagar as contas. E quando você empreende por necessidade as pessoas vão, geralmente, para negócios tradicionais, sem diferencial, trabalhando em margens apertadas, o que dificulta a existência do negócio por um longo período”, explica.
A expectativa, segundo o professor, tende a ser bem melhor depois que a pandemia passar – principalmente depois que uma vacina for disponibilizada. “Depois que tivermos uma vacina, toda essa demanda reprimida voltará ao mercado, então podemos esperar um celeiro de oportunidades. Os clientes vão continuar existindo”, observa.
Segundo o presidente da Junta Comercial, Carlos Rafael, tem chamado a atenção o número de empresas criadas no setor de saúde. Para Mainardes, é possível que tais empresas não fiquem em atividade por muito tempo. “Isso é comum. O empreendedor surfa a onda – de produção de máscaras, de álcool em gel, por exemplo – e quando a onda começa a diminuir ele vai para outro negócio”, comenta.

EXTINÇÃO DE EMPRESAS CRESCE 16% NO ANO

Com a crise, não é só a abertura de novos negócios que fica prejudicada. A extinção de empresas já existentes também tem sido observada. De janeiro a junho, o encerramento das atividades empresariais cresceu 16%. Os dados, no entanto, podem não refletir  a crise trazida pelo coronavírus já que muitos negócios fechados agora devido à Covid-19 não tiveram seus registros baixados do sistema do governo.
Para Carlos Rafael, porém, nem tudo é explicado pelo coronavírus. “No começo do ano, o governo federal facilitou muito o encerramento de atividades empresariais, então muita gente que já tinha fechado e não tinha oficializado o encerramento das atividades aproveitou essa oportunidade”, pondera.
“Há, sim, um crescimento, mas não é nada monstruoso. Em junho deste ano, por exemplo, foram 709 empresas fechadas. Em junho do ano passado, foram 613”, minimiza Carlos Rafael, lembrando que o tipo das empresas que mais fecham é também o das empresas que mais abrem: lojas de roupas, restaurantes e lanchonetes.

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