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Produção de petróleo em terra deve ficar 5 vezes maior até 2030 no ES

São esperados R$ 300 milhões em investimentos privados por ano no segmento com a entrada de novos operadores privados em campos maduros e com as concessões à venda pela Petrobras

Publicado em 28/09/2020 às 05h00
Poço de petróleo no campo terrestre de Fazenda Alegre, da Petrobras, em Jaguaré
Poço de petróleo no campo terrestre de Fazenda Alegre, em Jaguaré, que está sendo vendido pela Petrobras. Crédito: Geraldo Campos Jr

Após anos com a produção de petróleo e gás em campos terrestres em acentuado declínio, o Espírito Santo se prepara para viver uma revolução no setor que deve quintuplicar a produção onshore capixaba. Os motivos são muitos, como a venda, pela Petrobras, de campos em que ela não investia mais por falta de interesse e a realização de novos leilões.

Com essas iniciativas, a extração de petróleo em terra no Estado, que já chegou aos 25 mil barris por dia e hoje está no patamar de 9 mil barris, deve saltar para cerca de 50 mil em 10 anos. Isso porque são esperados R$ 300 milhões em investimentos privados por ano no segmento, até 2030, para elevar a produção, totalizando R$ 3 bilhões em 10 anos.

 A estimativa é do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, coordenado pelo Sistema Findes, levando em consideração estimativas das próprias operadoras e com base em um estudo do Programa de Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (Reate), do Ministério de Minas e Energia.

A produtividade de um campo em terra é muito inferior aos poços no mar. Em agosto, por exemplo, enquanto o Espírito Santo produziu 9,7 mil barris/dia em terra, foram extraídos 103 mil barris/dia de campos marítimos no pós-sal e  123 mil no pré-sal. Ou seja, o onshore correspondeu a apenas 4,1% da produção capixaba. Ainda assim, segundo o Fórum da Findes, esse é um segmento importante por gerar mais empregos e oportunidades de negócios para pequenas empresas.

A expectativa é que esses investimentos criem cerca de 2 mil empregos por ano, entre os diretos e os indiretos, em outros elos da cadeia de petróleo e gás, como empresas de suporte operacional, metalmecânica, logística e de estudos ambientais. As vagas deverão ser criadas na Região Norte do Estado, onde há campos de petróleo e gás em terra. 

Hoje, o Espírito Santo conta com seis empresas que produzem petróleo em terra: Petrobras, Imetame, Vipetro, Ubuntu, Petromais e Central Resources. Há ainda outras áreas em fase exploratória na região da Bacia Sedimentar do Espírito Santo, que compreende da Grande Vitória até a Bahia.

Acontece que a Petrobras, dentro do seu processo de revisão do portfólio de produção, está deixando esses campos terrestres no Estado e vendendo para a iniciativa privada. No passado, a empresa vendeu três campos do Polo Lagoa Parda, na região de Linhares, para a capixaba Imetame Energia. Em agosto, o consórcio Karavan SPE Cricaré S.A. anunciou a compra de 27 campos terrestres do Polo Cricaré, que ficam em São Mateus, Jaguaré, Linhares e Conceição da Barra.

No caso da Karavan, segundo o Fórum da Findes, os campos adquiridos produziram, em média, 1,7 mil barris por dia de óleo. Já de acordo com as estimativas da própria empresa, a produção pode chegar a 8 mil barris por dia em breve após a realização de investimentos para ampliar a produção, como a realização de novas perfurações e a injeção de vapor nos poços.

Terminal Norte Capixaba
Terminal Norte Capixaba, operado pela Transpetro, faz o escoamento do óleo produzido em terra no ES e será vendido à iniciativa privada. Crédito: Edson Martins

Principal região produtora em terras capixabas, o Polo Norte Capixaba, entre São Mateus, Linhares e Jaguaré, também foi colocado à venda pela Petrobras no mês passado. O polo inclui os maiores campos onshore no Estado, o de Fazenda Alegre e o de Cancã. Fazenda Alegre, por exemplo, já produziu 18 mil barris por dia no início da década passada e hoje produz 4,5 mil barris/dia, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Além das jazidas, o pacote inclui gasodutos e óleodutos, a Estação de Tratamento de Fazenda Alegre, que recebe todo o óleo produzido na região, e o Terminal Aquaviário Norte Capixaba, localizado no litoral de São Mateus, e operado pela Transpetro. É por lá que o petróleo produzido no Estado é escoado. Ou seja, quem comprar o ativo terá toda a cadeia em mãos: campos produtores - estação de tratamento - dutos - porto.

"A Petrobras não quer mais focar em projetos com retorno baixo, como é o caso do onshore. Isso deixou de ser interessante para ela diante do pré-sal e até positivo para o Estado, porque a empresa já não vinha investindo e fazendo o que devia nesses campos", disse o especialista em Exploração e Produção de Petróleo e Gás Fernando Taboada.

O especialista explicou que, quando os novos operadores chegarem, eles farão do crescimento da produção o "grande projeto de suas vidas". "O próximo comprador certamente vai investir e produzir mais. Nos locais onde a Petrobras já vendeu e transferiu a operação para a iniciativa privada, em cerca de quatro meses já é possível ver um crescimento da produção muito significativo."

Como mostrou A Gazeta, a Petrobras está focando cada vez mais no pré-sal e, por isso, reduzirá expressivamente seu tamanho no Estado, a começar pela saída dos campos terrestres, mas também por campos em águas rasas e áreas produtoras de gás. No Espírito Santo, a empresa só pretende continuar tendo atividades de produção nos campos do Parque das Baleias, que ficam no Litoral Sul capixaba, já na Bacia de Campos, e têm poços no pré-sal.

NOVO CICLO DA RODADA PERMANENTE

Outra expectativa positiva é que novas operadoras cheguem ao Estado por meio da oferta permanente da ANP, que conta com campos marginais em terras capixabas. O segundo ciclo de vendas pela modalidade acontecerá no dia 3 de dezembro e já conta com 57 empresas inscritas, inclusive gigantes mundiais do setor de petróleo.

A oferta permanente consiste na “oferta contínua de blocos exploratórios e áreas com acumulações marginais localizados em quaisquer bacias terrestres ou marítimas”, de acordo com a agência, com exceção dos blocos localizados no polígono do pré-sal, nas áreas estratégicas ou além das 200 milhas náuticas da costa, assim como os blocos já autorizados a integrar os últimos leilões tradicionais previstos para acontecerem, da 17ª e 18ª rodada de licitações, que contam com áreas no Espírito Santo.

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