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PIB do Espírito Santo cai 5,1% em 2020, primeiro ano de pandemia

Queda foi a maior desde 2016. Indústria e serviços foram os setores mais impactados. O comércio conseguiu registrar crescimento, puxado pelas vendas nos supermercados

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 17/03/2021 às 16h17
Atualizado em 17/03/2021 às 18h01
Data: 18/03/2020 - ES - Vitória - Coronavírus - Movimentação de bares no Triângulo das Bermudas na Praia do Canto - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini - GZ
Setor de bares e restaurantes foi um dos mais afetados pela pandemia. Crédito: Vitor Jubini - 28/03/2020

O ano de 2020 foi de recessão na economia do Espírito Santo. No primeiro ano de pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba teve retração de 5,1%, segundo projeção do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) divulgada na tarde desta quarta-feira (17). A queda foi maior do que a registrada no Brasil, de 4,1%, de acordo com o IBGE.

Esse foi o pior resultado anual desde 2016. Ao todo, a economia do Estado produziu R$ 139,5 bilhões em riquezas em 2020. O dado consolidado do PIB estadual, calculado pelo IBGE, leva até dois anos para sair.

Com exceção do comércio, todas as grandes áreas da economia do Estado tiveram queda. A indústria foi o setor mais impactado com queda de 13,9%.

“A indústria em 2020, a exemplo do que já vinha ocorrendo em 2019, ainda é impactada pelas tragédias de Brumadinho e Mariana (Minas Gerais). O setor apresentou queda de 13,9%, puxada predominantemente pela indústria extrativa. A produção de minério foi menor, tivemos algumas paradas na produção das usinas e ainda dificuldade de fazer chegar a matéria prima (minério de ferro) lá de Minas Gerais”, explicou o coordenador de Estudos Econômicos do IJSN, Antônio Ricardo Freislebem da Rocha.

Ele explicou que o setor, principalmente a indústria extrativa, tem um peso maior para a economia do Espírito Santo do que para a brasileira. Com isso, quando enfrenta dificuldades, como a queda da demanda mundial causada pela pandemia, o impacto sobre o PIB é mais significativo.

Já o comércio conseguiu avançar e impediu que o PIB capixaba sofresse uma queda ainda maior. No acumulado do ano, o setor teve alta de 4%. Esse resultado foi influenciado pelo crescimento de 4,6% no varejo restrito, principalmente por conta dos hipermercados e supermercados, que cresceram quase 12% no ano. Em contrapartida, a venda de veículos teve queda de 4,8%.

O setor de serviços, que vinha tentando se recuperar em 2019 (com crescimento de 1% no ano), foi o mais afetado pelas medidas de restrição de funcionamento e de circulação de pessoas em 2020, além do distanciamento social. A retração no acumulado do ano foi de 7,4%.

Essa queda foi principalmente causada pelos chamados serviços prestados às famílias, que contemplam os salões de beleza, academias, alimentação fora de casa, alojamentos, entre outros. Juntos, eles tiveram redução de 32% em 2020.

A retração do ano passado é a maior desde 2016, quando somaram-se a crise político-fiscal de 2014/2015 e a tragédia de Mariana, em Minas Gerais, que teve como consequência a paralisação das atividades da Samarco no Espírito Santo. Naquele ano, o PIB do Estado caiu 5,2%.

RESULTADO PODERIA SER PIOR

O resultado do PIB do Espírito Santo em 2020 poderia ter sido ainda pior se não fosse a retomada econômica registrada no fim do ano. No último trimestre, o crescimento foi de 3,3% em relação ao período imediatamente anterior que, por sua vez, havia registrado alta de 9,8%.

Todavia, essas duas altas, impulsionadas principalmente pela disponibilização do auxílio emergencial - que aqueceu as vendas no varejo -, não foram suficientes para reparar as perdas dos primeiros meses do ano.

No último trimestre do ano, o comércio cresceu 9,2%, ainda que o valor do auxílio já fosse a metade daquele pago nos meses iniciais. Para o coordenador de Estudos Econômicos do instituto, o motivo seria uma confiança maior da população com relação ao fim da pandemia.

“No fim do ano passado, o desempenho do comércio foi bastante impulsionado por aquela expectativa de melhora na situação. Talvez a população tivesse uma confiança maior. Além disso, o comércio, historicamente, tem um desempenho bom, uma sazonalidade positiva, nesse período do ano”, esclarece.

FIM DO AUXÍLIO E NOVAS CEPAS VÃO INTERROMPER RETOMADA

A avaliação da equipe do IJSN é de que, embora os dois últimos trimestres de 2020 tenham apontado para um aquecimento na atividade econômica, o agravamento da pandemia e a demora na retomada do auxílio emergencial devem interromper essa tendência.

Antônio Ricardo Freislebem da Rocha

Coordenador de Estudos Econômicos do IJSN

"A economia vinha mostrando sinais de crescimento, como o saldo de emprego, por exemplo. No entanto, essas novas cepas virais que surgiram vão interromper com certeza esse processo. Além disso, o fim do auxílio terá sim impactos importantes na nossa economia, pelo menos no primeiro trimestre deste ano"

Para o restante do ano, contudo, a perspectiva ainda é positiva. Isso porque a vacinação tem ocorrido de forma rápida em países como China e Estados Unidos, que são importantes parceiros comerciais do Espírito Santo.

O diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira, esclarece que o Estado tem uma grande abertura ao comércio internacional. Essa característica fez com que a crise do coronavírus chegasse ao Espírito Santo antes de outras unidades da federação, mas também pode fazer com que ele se recupere primeiro.

“Mesmo antes do primeiro caso (de Covid-19) ser registrado no Brasil, o Espírito Santo já sentia o impacto do que acontecia no mundo. Somos um dos Estados brasileiros com maior grau de abertura econômica. China e Estados Unidos, que foram epicentros da pandemia antes do Brasil, são os principais parceiros na nossa balança. Mas quando a economia mundial começa a se reaquecer, o Espírito Santo tende a crescer mais forte que o Brasil”, aponta.

Ele afirmou ainda que a perspectiva para crescimento desses países é positiva para o ano, o que beneficiaria o Estado. Além disso, Lira citou o bom ambiente de negócios do Espírito Santo, que contribui para a atração de investimentos.

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