ASSINE

Empresas reforçam máscaras e home office diante da 3ª onda da Covid no ES

Alta de casos tem feito companhias redobrarem os cuidados que já vinham sendo tomados para proteger trabalhadores. Novos tipos de testes passaram a ser aplicados para aumentar o controle da doença

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 11/03/2021 às 02h01
Data: 13/03/2020 - ES - Vitória - Funcionária batendo  o ponto no trabalho - Editoria: Revista AG - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
 Funcionária com máscara cirúrgica batendo o ponto no trabalho: reforço nos cuidados. Crédito: Ricardo Medeiros

Quase 2 mil mortos por dia no país e um ritmo de contaminação que tem superado os mil casos a cada 24 horas no Espírito Santo. A pandemia do coronavírus tem chegado, segundo especialistas, a uma terceira onda antes mesmo da segunda terminar, uma fase ainda mais agressiva que as anteriores, com sistemas de saúde estrangulados país afora diante da nova variante de Manaus (AM), que é duas vezes mais transmissível e tem a carga viral dez vezes maior.

É diante desse cenário caótico, com vários Estados retomando as medidas de restrição, que grandes empresas no Estado voltaram a ligar o sinal de alerta e estão redobrando as medidas de segurança que já vinham sendo adotadas. A flexibilização do home office, por exemplo, foi freada diante de surtos de casos, e o trabalho em casa voltou a ser aplicado para boa parte das equipes.

Há ainda outras medidas que estão sendo implementadas, como o fornecimento de máscaras de proteção mais eficientes, substituindo as de pano pelas cirúrgicas ou tipo N95. A testagem de funcionários em algumas companhias também vem sendo reforçada com outros tipos de testes.

"É o momento das empresas reforçarem ao máximo os cuidados, ampliar o distanciamento, para que possa reduzir a taxa de transmissão. Controlar a transmissão do vírus diminui as chances dele fazer novas mutações, essa é a grande chave. O ideal agora é redobrar o distanciamento", frisou a infectologista Rúbia Miossi, que destacou a recomendação de uso das máscaras cirúrgicas.

Rúbia Miossi

Infectologista

"O ideal é usar aquela máscara comum, descartável, sobretudo a de tripla camada, que é mais eficaz. A máscara de tecido foi recomendada lá atrás porque não tinham insumos e máscaras suficientes para toda população e corria risco de faltar nas unidades de saúde. Era um paliativo. Agora aumentou a produção e elas já estão mais acessíveis. Então o ideal é usar essas máscaras de tripla camada"

Na EDP, por exemplo, as diretrizes de testagem e uso de máscaras de proteção foram atualizadas recentemente, adotando como protocolo as máscaras cirúrgicas de tripla camada e as do tipo N95, sendo que prevalece o uso das últimas sempre que a cidade atingir o nível máximo de alerta no mapa de classificação de risco, ou quando o colaborador pertence a algum grupo de risco.

Desde novembro de 2020, a companhia também passou a utilizar o teste de antígeno em substituição ao sorológico (teste rápido), considerando sua maior eficácia. De acordo com a concessionária de energia, as áreas administrativas seguem em home office e as equipes presenciais passaram a ter uma entrada escalonada. É usado ainda um aplicado para monitorar possíveis sintomas. 

Na Garoto, em Vila Velha, também passou a ser adotado como padrão o uso do novo modelo de máscara de tripla camada descartável. A fábrica adaptou suas escalas e ambientes de trabalho, inclusive com novo design das linhas de montagem, para que seja possível o maior distanciamento entre profissionais e uma redução do pessoal trabalhando junto de forma presencial. 

Petrobras também tem reforçado cuidados. O teletrabalho foi prorrogado para todas as atividades que podem ser realizadas de forma remota, ações de conscientização e orientação para os colaboradores sobre cuidados individuais foram ampliadas, e barreiras preventivas estão sendo fortalecidas nas unidades operacionais.

Nas plataformas, os procedimentos envolvem monitoramento de saúde desde 14 dias antes do embarque, com aplicação de testes PCR antes do embarque. Já nas unidades terrestres, foram alteradas as rotinas e jornadas de trabalho de forma a viabilizar o distanciamento.

A petroleira segue seu programa de ampla testagem, que acumula mais de 600 mil exames feitos no país com os testes rápido e PCR. Recentemente, a Petrobras também incrementou o teste de antígeno no seu programa para algumas situações que demandam diagnóstico em menor prazo. O teste do antígeno detecta se a pessoa está infectada, mas é mais rápido que o PCR.

Segundo Rúbia, os testes PCR e de antígeno são os mais recomendados para estratégias de testagem, mas ela faz um alerta: "Fazer o exame em pessoas que não têm sintomas a gente acaba perdendo a sensibilidade. É importante fazer quando a pessoa tem sintoma. Então o mais importante é a vigilância de sintomas e testagem de todos os sintomáticos".

Plataforma P-58 está localizada no Parque das Baleias, porção capixaba da Bacia de Campos
Plataforma P-58, da Petrobras, é a maior unidade de produção do Espírito Santo e está localizada no Parque das Baleias. Crédito: Divulgação/Agência Petrobras

No setor industrial como um todo, a recomendação para as empresas é: cuidado redobrado. De acordo com Flávio Gustavo Rodrigues, gerente-executivo de Saúde e Segurança do Sesi, entidade do Sistema Findes, as fábricas estão mais preocupadas com o aumento de casos e priorizando o home office sempre que possível, entre outras medidas.

"A gente tem enfatizado os cuidados com higiene e protocolos para manter a produção com segurança. A gente disponibiliza protocolos e cartilhas para essa orientação e o Sesi também realização testes rápidos para o setor. É um momento que todos precisam entender que não é para relaxar, e sim pra ampliar cuidados, para conseguirmos enfrentar esse novo normal e mantermos as operações mesmo nesse período difícil", destacou.

A Vale, por exemplo, tem focado em reduzir a presença do efetivo administrativo e operacional nas unidades e realizado um conjunto de ações que incluem triagem diária, medidas de distanciamento social e higienização, uso de máscaras e testagem em massa. A frota de ônibus para transporte dos funcionários foi ampliada, para reduzir a lotação dos veículos, e as portarias da empresa passaram a restrição de acesso.

Já a ArcelorMittal Tubarão informou ter ampliado seus níveis de segurança, implementando sinalizações, barreiras físicas, definição de fluxo, demarcação de distância segura, mudança de layout das salas e bloqueio de cadeiras em espaços com risco de aglomeração. Também na Suzano, em Aracruz, vem sendo ampliadas as ações tomadas para garantiram a continuidade das operações, segundo a empresa.

TRANSPORTES, COMÉRCIO E SERVIÇOS

No setor de empresas atacadistas e distribuidoras, os negócios passaram a realizar ações como a testagem no formato delivery, com profissionais de saúde fazendo a coleta na própria empresa. São aplicados exames de anticorpos e de antígeno para detecção da Covid-19, segundo informou o Sincades. Há ainda a emissão de um laudo técnico de regularidade, que atesta que a empresa implementou e mantém medidas adequadas de prevenção.

“Este laudo atesta que a empresa adota medidas para conter a disseminação do novo coronavírus e garantir a integridade física de seus empregados. Caso ela não se encaixe nos critérios para a sua emissão, são dadas orientações para a execução das ações necessárias, de acordo com os protocolos sanitários. O laudo também acompanha registro fotográfico e emissão de ART no Crea”, explicou o presidente do Sincades, Idalberto Moro.

No Grupo Águia Branca, o trabalho remoto segue sendo aplicado para 66% dos colaborares, modelo que, segundo a companhia, se mostrou tão eficaz quanto o presencial. Na Viação Águia Branca, uma das empresas do grupo mais impactadas com a pandemia, além de optar pelo trabalho remoto nas funções possíveis, foram reforçados cuidados de higiene nas agências e dentro dos ônibus para empregados e cliente. 

Outro setor que sofreu forte impacto foi o de comércio e serviços, que em outros Estados voltaram a conviver com restrições. No Espírito Santo, o presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, mostrou preocupação com um possível descontrole da pandemia, embora veja o Estado numa situação "confortável" em comparação com outros.

José Lino Sepulcri

Presidente da Fecomércio-ES

"Estamos fazendo recomendações diárias ao setor e pedindo que empresários, trabalhadores e toda a sociedade colaborem. Hoje a gente pode ter até uma situação confortável comparado a quem está num cenário muito difícil, mas é um momento que ainda exige cuidados, até porque o número de contaminados e de óbitos vem crescendo"

Sepulcri lembrou que, atualmente, apenas um município está no risco alto da Covid-19 no Estado. No entanto, mostrou preocupação de que esse número de cidades no pior estágio da pandemia venha a crescer nas próximas semanas, aumentando as restrições.

"O mapa pode ter mudanças nas próximas semanas e isso nos preocupa. Apesar de estarmos com certo equilíbrio aqui, a situação não é pra se acomodar. É preciso aumentar todas as precauções para continuarmos numa situação sob controle".

A Gazeta integra o

Saiba mais
Findes Sincades Coronavírus no ES empresas Fecomércio Mutação do Coronavírus

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.