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Indústrias do ES se unem para tentar comprar vacinas para funcionários

Lei sancionada por Bolsonaro na quarta (10)  permite que o setor privado possa importar vacinas contra a Covid-19. Grandes companhias já se organizam com o apoio da Findes para negociar a compra de doses

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/03/2021 às 02h03
Campanha de vacinação no Brasil ainda caminha a passos lentos
Vacinas contra a Covid-19: vacinação no Espírito Santo. Crédito: Torstensimon/ Pixabay

Após a lei que autoriza o setor privado a importar vacinas contra a Covid-19 ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro e regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na quarta-feira (10), empresas do Espírito Santo já se articulam para comprar doses para imunizar funcionários. 

Sob coordenação da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), companhias do setor industrial capixaba estão se unindo a empresas e federações de indústrias de outros Estados para tentar adquirir doses. O setor, que aderiu ao movimento Unidos pela Vacina, tem como foco a mobilização para imunizar todos os brasileiros até setembro deste ano.

De acordo com a presidente da Findes, Cris Samorini, a entidade já está em contato com empresas do Estado e com outras federações que pretendem se unir na ação para chegar a um quantitativo de doses necessárias.

Com a parceria, ela acredita que a negociação com os fabricantes pode ser mais bem sucedida, tendo em vista que o pedido será por um número maior de doses.

Cris Samorini

Presidente da Findes

"Neste momento, estamos em contato com indústrias do Espírito Santo e com as Federações de Minas Gerais e Santa Catarina, para identificarmos o número de doses necessárias e nos unirmos no processo de aquisição. Essa atuação em conjunto amplia nossa capacidade de interlocução com os fabricantes"
Christine Samorini, presidente da Findes
Cris Samorini, presidente da Findes: foco em imunizar brasileiros até setembro. Crédito: Findes/divulgação

Em nota, Samorini destacou ainda que, apesar da mobilização do setor, este não é um processo fácil: "Precisamos considerar também que a maioria dos fabricantes tem o compromisso de atender prioritariamente o governo federal, antes de fornecer para o setor privado".

A Findes não divulgou quais as empresas fazem parte das tratativas. Segundo apurou a reportagem, grandes companhias estariam interessadas na aquisição conjunta de doses para funcionários do setor, que emprega 183 mil trabalhadores no Espírito Santo somando fábricas e a construção civil, de acordo com dados do Caged.

183 mil

É O NÚMERO DE TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DO ES

A Gazeta chegou a procurar algumas das principais indústrias do Estado, como Vale e Suzano, e ainda aguarda manifestação. A ArcelorMittal Tubarão enviou resposta, mas informou que não tem, no momento, qualquer iniciativa nesse sentido.

EMPRESAS SÓ PODEM VACINAR FUNCIONÁRIOS APÓS GRUPO PRIORITÁRIO

A lei aprovada pelo Congresso e sancionada por Bolsonaro autoriza Estados, municípios e empresas a comprarem vacinas com registro ou autorização de uso emergencial no Brasil, mas traz regras e condições para que isso seja feito. 

Uma das normas é que a vacinação do setor privado contra a Covid-19 só pode começar depois que os grupos prioritários, como idosos e profissionais de saúde, forem atendidos. 

Ou seja, as empresas não podem vacinar funcionários antes que todo o grupo prioritário seja devidamente imunizado pelo Sistema Público de Saúde (SUS).

A lei ainda estabelece que os importadores, sejam eles empresas ou governos locais, serão responsáveis pela qualidade, eficácia e segurança do medicamento ou vacina a ser importado, assim como pelo monitoramento das condições de transporte, visando garantir as condições gerais e a manutenção da qualidade dos produtos importados, além do seu adequado armazenamento.

EXIGÊNCIA DE DOAÇÃO DE DOSES PARA O SUS

Enquanto estiver em curso a vacinação dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, as doses compradas por empresas deverão ser integralmente doadas ao SUS.

Após a conclusão desta etapa, o setor privado pode começar a vacinar trabalhadores e ficar com metade das vacinas compradas, desde que as doses sejam aplicadas gratuitamente. A outra metade ainda precisará ser revertida para o SUS.

Essas exigências valem tanto para Estados e municípios como para empresas, incluindo aquelas especializadas em vacinas, que se queixam da cláusula de gratuidade. Segundo a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), essa norma inviabiliza a entrada do setor na aplicação da vacinas contra a Covid-19.

“Reconhecemos que toda e qualquer iniciativa que aumente o acesso aos imunizantes é importante, porém em nosso entendimento, não podemos ser colocados no mesmo cesto de outras empresas, que não têm como sua natureza jurídica a prestação de serviços de vacinação e imunização humana”, afirmou, em nota, a ABCVAC.

PREFEITURA DE VITÓRIA QUER APOIO DE EMPRESAS PARA COMPRA DE VACINAS

Na noite desta quinta-feira (11), a Prefeitura de Vitória informou ter enviado ofícios às empresas ArcelorMittalVale e Suzano  solicitando ajuda na compra de vacinas contra a Covid-19 para doação ao município.

A Capital, que ficou de fora do consórcio formado por outras cidades brasileiras e capixabas para comprar imunizantes em conjunto, argumentou justamente que com a lei essas empresas poderiam comprar vacinas e doá-las ao poder público.

“A vacinação é urgente, por esse motivo já solicitamos as empresas que efetuem a compra e façam a doação à nossa capital, de acordo com a lei sancionada. Precisamos estabelecer a rotina econômica de todos os setores, mas acima de tudo necessitamos evitar mortes e salvar vidas. Isso é o que mais importa neste momento e a vacinação é peça chave e fundamental para isso”, disse o prefeito Lorenzo Pazolini.

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