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Novo tarifaço: como ficam as taxas dos produtos do ES mais exportados aos EUA

Novo tarifaço: como ficam as taxas dos produtos do ES mais exportados aos EUA

Estados Unidos foram destino de 16,8% dos produtos capixabas exportados em 2025; entenda impacto para essas mercadorias da nova tarifa global imposta por Trump

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 08:24

Contêineres
Contêineres no Porto de Vila Velha: produtos terão nova taxação para entrar nos EUA Crédito: Carlos Alberto Silva

A novela do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos importados de diferentes países, inclusive o Brasil, ganhou novos capítulos nos últimos dias. Depois de a Suprema Corte derrubar as tarifas que chegavam a 50% a itens brasileiros, o presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu e anunciou a imposição de uma tarifa global de 10%, que no último sábado (21) foi elevada para 15%.

No entanto, ele não emitiu oficialmente uma diretriz para aumentar a alíquota até esta terça-feira (24), às 0h01 no horário de Washington, quando a taxa de 10% passou a valer.

A decisão afeta os principais produtos do Espírito Santo exportados para os Estados Unidos, principal parceiro comercial capixaba no exterior. O país norte-americano recebeu 16,8% das exportações do Estado em 2025, sendo que os principais itens foram rochas ornamentais, aço, petróleo, celulose, café e minério de ferro. Mercadorias que agora devem ter uma nova taxação para entrar nos EUA.

Na prática, a decisão da Suprema Corte, na última sexta-feira (20), anulou todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O que inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. E ainda a sobretaxa de 40% sobre diversos itens de origem brasileira, anunciada por Trump em julho de 2025.

Em novembro, Trump havia retirado a taxa de 40% sobre uma série de produtos do agro, incluindo café verde e torrado, mas mantido a tarifação do café solúvel. Em geral, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ainda estavam sob tarifas 22% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Com a queda das sobretaxas que somavam 50%, o resultado final é uma tarifa de 15% sobre produtos brasileiros, o que inclui o Espírito Santo, com exceção de itens como aço e alumínio, que continuam também sujeitos à alíquota de 50%, a ser somada à nova tarifa global.

Mas a nova ordem executiva de Trump também apresenta algumas exceções, que ficam com taxa zerada. Nesta lista estão, novamente, o café cru e em grãos, gengibre, a macadâmia e outros produtos.

O despachante aduaneiro e diretor comercial da Speed Soluções em Comex, Bruno Marques, explica que para a maioria das mercadorias agora vigora a tarifa padrão (já cobrada antes do tarifaço) mais os 15% da taxa global. Ele lembra que essa taxa varia de produto a produto.

Já o advogado especialista em Direito Comercial Internacional Bruno Barcellos Pereira explica que a tarifa geral imposta pelos Estados Unidos de 15% é o nível máximo autorizado pela Seção 122 sem necessidade de votação no Congresso. Essa é uma lei comercial que permite ao presidente norte-americano estabelecer tarifas globais temporárias por até 150 dias sem aprovação prévia.

Pereira lembra que o setor de rochas ornamentais, como mármore e granito, também entra na tarifa adicional de 15%, que antes estava em 50%. “O setor, fortemente dependente do mercado americano, tende a sentir impacto relevante em contratos e margens”, aponta.

Entram também na casa dos 15% a celulose, o minério de ferro e o ferro fundido. Para o advogado, no caso da celulose, por ser commodity global com alta demanda, o impacto pode ser parcialmente absorvido pelo mercado. Para o minério, o efeito depende da ampliação da procura pelo produto e da capacidade de repasse ao comprador norte-americano.

As mudanças para o café

No caso dos impactos para o café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse que segue em contato constante com os parceiros dos Estados Unidos e monitora a publicação oficial das medidas anunciadas pelo presidente Donald Trump para ter a certeza do cenário que se apresentará ao comércio entre o maior produtor mundial, o Brasil, e o principal importador global do produto – também o maior comprador dos cafés do Brasil –, os EUA.

Por ora, o entendimento da entidade é que os cafés verdes e os cafés torrado e moído estão isentos da taxação, conforme acordo firmado em novembro de 2025, e que o café solúvel deixaria de ser tarifado em 50% e passaria a ter taxas de 15%, em condições de isonomia com outros países concorrentes.

Para o Cecafé, se confirmado, esse cenário é positivo, uma vez que o Brasil permanece não taxado na matéria-prima e no produto torrado, além de se beneficiar da redução das tarifas ao solúvel para as mesmas condições comerciais adotadas pelos EUA a outras origens fabricantes.

“Saímos de uma situação em que tínhamos 50% de tarifa, o que resultou numa queda de agosto até janeiro deste ano de praticamente 50% e a situação a cada mês ficando pior para aquele que era nosso maior mercado. Os Estados Unidos são os maiores clientes de solúvel do Brasil há mais de 60 anos. Praticamente 20% daquilo que exportamos vai para lá. É um mercado de mais de US$ 250 milhões e seria uma perda terrível para o setor. A taxa de 15% coloca todo mundo em circunstâncias iguais. Assim, o mercado fica muito mais justo”, avalia Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics).

Impactos para o Brasil e Espírito Santo

Para o presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, o Espírito Santo e o Brasil podem ficar entre os maiores beneficiados pela nova tarifa global de 15% imposta pelos Estados Unidos, apesar do ambiente de forte instabilidade e incerteza nos mercados.

Lira lembra ainda que as rochas ornamentais devem ser um dos principais produtos beneficiados pela decisão da Suprema Corte e pela nova taxa. Isso porque o produto não estava na lista de exceções inicial e agora passa a pagar a tarifa de 15%, em vez da sobretaxa anterior. Outros itens apontados por ele como beneficiados são pescados, uva e mel.

O presidente do IJSN cita que um estudo do Global Trade Alert, órgão independente que monitora em tempo real políticas governamentais que afetam o comércio internacional, apontou que a economia brasileira deve ser a mais beneficiada pela derrubada do tarifaço, com redução de 13,6 pontos percentuais na tarifa média de importação de produtos pelos EUA.

Na sequência, aparecem como mais beneficiadas as economias da China, com queda de 7,1 pontos percentuais, e da Índia, com redução de 5,6 pontos percentuais.

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