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Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 17:47
Em ano de tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, a corrente de comércio exterior do Espírito Santo manteve o fôlego conquistado em 2024 e fechou 2025 na casa dos US$ 24,3 bilhões. Entre os produtos mais comercializados, o destaque fica para o minério de ferro, café e aço.>
Apesar de os Estados Unidos continuarem sendo o principal parceiro comercial do Espírito Santo, abrigando 27,1% das exportações capixabas, o ano do tarifaço foi marcado pela expansão das relações comerciais com outros países, que fecharam 2025 com uma fatia mais alta das negociações do Estado. A queda de 2024 para o ano passado na participação estadunidense foi de 7,6%, visto que, no ano anterior, o país norte-americano foi destino de 28,6% dos produtos capixabas. >
Entre os países que tiveram expansão na exportação capixaba está Singapura, com 8,6% de participação e crescimento de 235,6% em relação a 2024. O país asiático é o segundo destino dos produtos saídos do Espírito Santo. A China, terceiro maior parceiro, teve 5,7% de participação e alta de 40,9% em relação ao ano anterior. A Coreia do Sul, com 5% da fatia das exportações, teve crescimento de 117,9% de um ano para outro.>
Depois de bater recorde em 2024, o total de importações e exportações do Estado reduziu 1,4% em 2025. Em 2024, o acumulado foi de US$ 24,6 bilhões. Mesmo com a queda, a movimentação em 2025 ainda manteve a corrente de comércio na casa dos US$ 24 bilhões, sendo superior aos nove anos anteriores a 2024.>
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As exportações somaram US$ 10,5 bilhões, queda de 2,6% em relação a 2024. Já as importações chegaram a US$ 13,8 bilhões, redução de 0,6%.>
Os produtos mais exportados do Espírito Santo foram o minério de ferro, com 27,8%, seguido do café não torrado, que representou 15% das exportações. Em seguida, aparecem produtos semiacabados de ferro e aço, com 12,1%, cal, cimentos e materiais de construção, com 9,5%, e petróleo, com 9,2%. >
Por outro lado, na lista do que foi mais importado pelo Espírito Santo em 2025 aparecem os automóveis de passageiros na primeira colocação, com 27,6%. Na segunda posição, estão os veículos para transportes de mercadorias (15,1%) e, em seguida, aeronaves e outros equipamentos (12,6%).>
Segundo Edna Morais, coordenadora de Estudos Econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em 2025 o minério de ferro permaneceu como o principal produto da pauta exportadora, com leve retração, mas ainda dominante.>
Na avaliação da economista, café e derivados reagiram a pressões do mercado internacional e a fatores tarifários, com queda de receitas.>
"Produtos como pimenta-do-reino, pedras ornamentais e extratos apresentaram expansão, sugerindo ajuste da pauta e maior diversificação em 2025, tanto no período pré quanto pós-tarifaço", aponta.>
No caso da pimenta-do-reino, o produto atingiu o maior valor da série histórica no Estado em exportações, sendo o grande destaque de 2025, segundo informações da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag). A pimenta cresceu 113% em valor e 58% em volume, atingindo US$ 347 milhões. No geral, o Espírito Santo respondeu por 69% de todas as exportações brasileiras de pimenta.>
Mesmo em um ano de ajuste após o pico de 2024, vários segmentos apresentaram expansão relevante:>
O Espírito Santo também liderou a exportação nacional de diversos produtos, como gengibre (60%), mamão (40%) e pimenta-do-reino (69%), que tiveram o Estado respondendo pela maior parte das exportações brasileiras.>
Para o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o desempenho de 2025 deve ser analisado à luz do ciclo excepcional vivido no ano anterior. >
“O ano de 2025 foi bom para o agronegócio capixaba, mesmo em um ambiente mais desafiador e com os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos. Viemos de 2024, que foi um ano fora da curva, o melhor da nossa história, muito influenciado pela antecipação de compras de café, especialmente pela União Europeia, e pelos recordes de preços no mercado internacional. Partindo de um patamar tão elevado, é natural algum ajuste, mas os números de 2025 mostram que o agro do Espírito Santo segue forte, competitivo e diversificado”, destacou.>
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