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O negócio é bom, mas EDP coloca pé no freio nos investimentos em energia solar

A multinacional portuguesa, responsável pela distribuição de energia em boa parte do Espírito Santo, confia no negócio, mas algumas questões estão atrapalhando. Entenda

Vitória
Publicado em 10/03/2026 às 18h21
Usina de energia solar da EDP
Usina de energia solar da EDP instalada no Norte do Espírito Santo. Crédito: Divulgação/EDP

A EDP, gigante mundial da geração e distribuição de energia elétrica, chegou, no começo da década, a investir mais de R$ 200 milhões por ano na construção de fazendas solares no Espírito Santo. Do ano passado para cá, a multinacional resolveu colocar o pé no freio nos investimentos na área. Não que tenha desistido do negócio, muito pelo contrário, mas algumas questões estão atrapalhando o desenrolar das coisas: redução do crescimento da economia brasileira e, principalmente, o tal do curtailment - corte deliberado da geração, por parte do Operador Nacional do Sistema (ONS) por falta de capacidade da rede de transmissão para escoar essa energia. Em 2025, o Brasil disperdiçou cerca de 20% da geração de energia eólica e solar por causa do problema. O número é da consultoria Volt Robotics.

"Nós temos todo o interesse de continuar investindo em energia solar, confiamos muito no projeto e vamos fazer novos aporte, mas estamos em um momento em que há excesso de oferta e há ainda a questão do curtailment. O Brasil está crescendo, mas não mais a 3% ao ano, portanto, há queda de demanda no horizonte. Além disso, precisa ser encontrada uma saída para os cortes por falta de capacidade. Acompanhamos com atenção, por exemplo, os projetos de armazenamento de energia. O governo sinalizou com um leilão, vamos aguardar. O horizonte é muito promissor nessa área, principalmente para o Brasil", disse João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, que esteve no Estado, nesta terça-feira (10), para a inauguração do Centro de Operação Integrado da companhia, na Serra.

Há dois grandes projetos em curso, mas ainda sem data certa para irem a mercado, que podem melhorar bastante a situação. Os dois são tocados pelo governo federal. O primeiro é um linhão do Nordeste (grande produtor brasileiro de energia solar e eólica) ao Sul do país, que tem por objetivo dar vazão à produção de energia renovável. Um projeto na casa dos R$ 17 bilhões. O outro é um leilão para a contratação de sistemas de baterias com capacidade gigantesca de armazenar energia. Saindo do papel, melhoram muito a situação do curtailment, tirando a pedra do sapato dos investidores.

E sobre a aceleração do crescimento da economia? Aí o debate vai bem mais longe...

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