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Economia

PIB: Brasil precisa olhar para investimento e produtividade. Como?

O IBGE soltou, na manhã desta terça-feira (03), o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2025: crescimento de 2,3%

Publicado em 03 de Março de 2026 às 17:08

Públicado em 

03 mar 2026 às 17:08
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho Abdo Filho
Cais das Artes
Trabalhador durante o processo para revestir as paredes do Cais das Artes Crédito: Carlos Alberto Silva
O IBGE soltou, na manhã desta terça-feira (03), o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2025: crescimento de 2,3%, o mais baixo desde 2021. Se olharmos sob a perspectiva de que a economia está rodando sob uma taxa de juros de 15% ao ano, nem foi tão ruim. Se pensarmos que essa taxa poderia estar mais baixa caso os gastos estatais estivessem em uma dinâmica menos perigosa, é para se lamentar. Novamente o agronegócio puxou a expansão, com um avanço de 11,7%, respondendo por 33% de todo o crescimento brasileiro.
Quando olhamos para a demanda contabilizada pelo PIB - gastos das famílias, gastos dos governos e investimentos -, encontramos algumas respostas e pontos de atenção em cima da nossa economia. No ano, o consumo das famílias cresceu 1,3%, o menor percentual desde 2020, sendo que no último trimestre a variação foi de zero. Nos investimentos, fundamentais para ganhos de eficiência, produtividade e, portanto, para garantir crescimento sustentado, expansão anual de 2,9% (forte frenagem na comparação com os 6,9% de 2024) e encolhimento de 3,5% no quarto trimestre. O Brasil fechou 2025 com uma taxa de investimento de 16,8% do PIB. Nos grandes emergentes, isso fica em 23%. Os números, portanto, mostram que famílias e empresários, diante da escalada dos juros, pisaram forte no freio, principalmente no final do ano.
Enquanto isso, na ponta dos gastos estatais, avanço anual de 2,1%, acima dos 2% de 2024 e mantendo o ritmo de expansões anuais acima de 2%, iniciado lá em 2021. O consumo dos governos, de acordo com o IBGE, foi a principal influência positiva, do lado da demanda, no quarto trimestre do ano passado. Entre 2010 e 2014, o país viveu um forte aumento dos gastos do governo. O crescimento da dívida pública no período, trazendo a desconfiança dos investidores de carona, desaguou na maior recessão já vivida pelo Brasil - queda de 6,6% em apenas dois anos (2015 e 2016). Todo este contexto de gastos públicos elevados, que não vem de agora, mantém as taxas de juros do Brasil entre as mais altas do mundo, prejudicando bastante o desempenho da economia no médio e longo prazos.
Na falta de investimentos, a indústria, por exemplo, pena. O recorde do PIB industrial brasileiro se deu em 2013. Hoje, estamos 4,2% abaixo do nível alcançado no terceiro trimestre de 2013. Olhando apenas para a indústria de transformação, estamos 15,9% menores do que o pico da série histórica, no terceiro trimestre de 2008, há quase 20 anos... Os investimentos, muito ligados à indústria, estão 12,6% menores do que o registrado no segundo trimestre de 2013, pico da série.  
O Brasil está longe de uma recessão e o mercado de trabalho está muito aquecido. Ótimas notícias, mas para que consigamos crescer mais, mantendo os atuais níveis de emprego, com remunerações maiores e sem inflação, precisamos investir mais. A população brasileira está envelhecendo e, por isso, os níveis de produtividade precisam ser alavancados. Não há alternativa. Temos que reduzir, de maneira sustentada, as taxas de juros, para isso, a questão do gasto público precisa ser enfrentada com coragem e sem demagogia.
Teremos eleições gerais em 2026. O bom debate é fundamental para que os futuros deputados, senadores, governadores e presidente da República saibam o que fazer com a bola (que está quicando na frente do gol).  

Abdo Filho

Abdo Filho Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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