O IBGE soltou, na manhã desta terça-feira (03), o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2025: crescimento de 2,3%, o mais baixo desde 2021. Se olharmos sob a perspectiva de que a economia está rodando sob uma taxa de juros de 15% ao ano, nem foi tão ruim. Se pensarmos que essa taxa poderia estar mais baixa caso os gastos estatais estivessem em uma dinâmica menos perigosa, é para se lamentar. Novamente o agronegócio puxou a expansão, com um avanço de 11,7%, respondendo por 33% de todo o crescimento brasileiro.
Quando olhamos para a demanda contabilizada pelo PIB - gastos das famílias, gastos dos governos e investimentos -, encontramos algumas respostas e pontos de atenção em cima da nossa economia. No ano, o consumo das famílias cresceu 1,3%, o menor percentual desde 2020, sendo que no último trimestre a variação foi de zero. Nos investimentos, fundamentais para ganhos de eficiência, produtividade e, portanto, para garantir crescimento sustentado, expansão anual de 2,9% (forte frenagem na comparação com os 6,9% de 2024) e encolhimento de 3,5% no quarto trimestre. O Brasil fechou 2025 com uma taxa de investimento de 16,8% do PIB. Nos grandes emergentes, isso fica em 23%. Os números, portanto, mostram que famílias e empresários, diante da escalada dos juros, pisaram forte no freio, principalmente no final do ano.
Enquanto isso, na ponta dos gastos estatais, avanço anual de 2,1%, acima dos 2% de 2024 e mantendo o ritmo de expansões anuais acima de 2%, iniciado lá em 2021. O consumo dos governos, de acordo com o IBGE, foi a principal influência positiva, do lado da demanda, no quarto trimestre do ano passado. Entre 2010 e 2014, o país viveu um forte aumento dos gastos do governo. O crescimento da dívida pública no período, trazendo a desconfiança dos investidores de carona, desaguou na maior recessão já vivida pelo Brasil - queda de 6,6% em apenas dois anos (2015 e 2016). Todo este contexto de gastos públicos elevados, que não vem de agora, mantém as taxas de juros do Brasil entre as mais altas do mundo, prejudicando bastante o desempenho da economia no médio e longo prazos.
Na falta de investimentos, a indústria, por exemplo, pena. O recorde do PIB industrial brasileiro se deu em 2013. Hoje, estamos 4,2% abaixo do nível alcançado no terceiro trimestre de 2013. Olhando apenas para a indústria de transformação, estamos 15,9% menores do que o pico da série histórica, no terceiro trimestre de 2008, há quase 20 anos... Os investimentos, muito ligados à indústria, estão 12,6% menores do que o registrado no segundo trimestre de 2013, pico da série.
O Brasil está longe de uma recessão e o mercado de trabalho está muito aquecido. Ótimas notícias, mas para que consigamos crescer mais, mantendo os atuais níveis de emprego, com remunerações maiores e sem inflação, precisamos investir mais. A população brasileira está envelhecendo e, por isso, os níveis de produtividade precisam ser alavancados. Não há alternativa. Temos que reduzir, de maneira sustentada, as taxas de juros, para isso, a questão do gasto público precisa ser enfrentada com coragem e sem demagogia.
Teremos eleições gerais em 2026. O bom debate é fundamental para que os futuros deputados, senadores, governadores e presidente da República saibam o que fazer com a bola (que está quicando na frente do gol).
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