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Finanças públicas

Superávit e déficit: o fechamento das contas do governo do ES em 2025

Os dados são da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo e foram divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional

Públicado em 

28 fev 2026 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

Palácio Anchieta, Vitória
Fachada do Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo, no Centro de Vitória  Crédito: Ricardo Medeiros
O fechamento das contas do governo do Espírito Santo, em 2025, apresentou dados para todos os gostos (ainda mais em ano eleitoral). O resultado primário (receitas menos despesas fora a influência dos juros e amortizações) ficou negativo em R$ 440 milhões. Por outro lado, o resultado nominal que, além dos dados do primário, inclui as receitas e despesas financeiras (juros, correções, dividendos e etc), foi um superávit de R$ 360 milhões. Os dados são da Secretaria de Estado da Fazenda e foram divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional.
"Há algumas questões importantes que explicam esses números. Primeiro é que o Espírito Santo tem dívida líquida negativa (o passivo é menor que o dinheiro em caixa), portanto, a ação dos juros nos favorece. As receitas de capital (juros, dividendos, transferências de capital e outras) foram responsáveis por termos um resultado nominal positivo. A outra coisa, em relação ao primário negativo, foi a entrada, no finalzinho de 2024, de cerca de R$ 1 bilhão no caixa do Estado como parte do pagamento do acordo de Mariana. O dinheiro entrou em 2024, mas não houve tempo de ser usado e beneficiou o resultado daquele ano. As despesas vieram em 2025, houve um descasamento", explicou Benício Costa, secretário da Fazenda do Espírito Santo.
Na visão do economista e ex-secretário de Estado da Fazenda José Teófilo Oliveira, o resultado nominal adequa-se melhor à realidade capixaba. "A contabilidade pública não é algo simples. O primário fica negativo mesmo o governo tendo dinheiro em caixa. Como o recurso entrou no ano anterior, fora do exercício de 2025, não conta. Além disso, não leva em consideração os juros, afinal, foi pensado para governos endividados, que precisam, em regra, de economizar nas receitas primárias (impostos, fundo de participação dos estados, royalties e outras) para pagar as dívidas. No Espírito Santo, há mais dinheiro em caixa do que dívida, portanto, os juros recebidos são maiores que os pagos. No caso capixaba, os juros têm um efeito diferente, por isso o nominal muda o resultado da linha final para mais e devem ser levados em consideração. Não que os outros estados não devam observar o nominal, todos os dados têm a sua importância, mas por aqui o impacto é diferente", ponderou.

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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