Publicado em 10 de março de 2026 às 18:29
Embora o calendário oficial para o envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 ainda não tenha sido divulgado, muitos contribuintes já começaram a reunir documentos e revisar informações financeiras. >
A atitude, embora pareça antecipada, é uma precaução necessária, já que este ano traz mudanças relevantes, tanto nas faixas de tributação (que passam a valer na declaração de 2027, ano-base 2026) quanto no nível de fiscalização, que exigem atenção prévia. >
Segundo a Receita Federal, o volume de declarações do imposto de renda tem superado a marca de 40 milhões nos últimos anos e vem acompanhado de um aumento significativo no uso de cruzamento automático de dados. Informações bancárias, rendimentos, bens, dívidas e movimentações financeiras são comparadas em tempo real, reduzindo a margem para inconsistências. >
Entre as novidades está a ampliação da faixa de isenção para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, além de ajustes progressivos para quem recebe até R$ 7.350 por mês, conforme anunciado pelo Ministério da Fazenda (MF). A medida busca aliviar a carga tributária sobre a classe média, mas não elimina a obrigatoriedade de declarar corretamente rendimentos, bens e obrigações financeiras. >
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Para Kaike Ribeiro, CEO da Finanto, um dos erros mais comuns no preenchimento da declaração está relacionado à falta de organização ao longo do ano. “Muitos contribuintes deixam para reunir documentos apenas no momento da declaração, o que aumenta a chance de omissões e divergências, principalmente quando há mais de uma fonte de renda ou movimentações financeiras relevantes”, explica. >
Outro ponto que merece atenção especial em 2026 é a declaração de empréstimos e financiamentos. De acordo com orientações da própria Receita Federal, empréstimos contratados não são considerados renda, mas devem ser informados na ficha de “Dívidas e Ônus Reais” quando o valor for superior a R$ 5 mil. A omissão dessa informação pode gerar inconsistência patrimonial, especialmente quando os recursos foram utilizados para aquisição de bens ou pagamento de despesas relevantes. >
Além disso, os valores pagos ao longo do ano, como parcelas quitadas, devem ser compatíveis com a evolução do patrimônio declarado. “Quando o contribuinte contrata um empréstimo e não o informa, a Receita pode interpretar o aumento de patrimônio como renda não declarada”, alerta Kaike Ribeiro. >
A recomendação para evitar problemas passa por alguns cuidados essenciais: guardar informes de rendimentos, comprovantes bancários, contratos de empréstimo, recibos de despesas dedutíveis e registros de pagamentos ao longo do ano. Especialistas também indicam revisar a declaração pré-preenchida com atenção, já que erros de origem podem ser replicados automaticamente. >
O aumento da digitalização do processo de declaração também trouxe mais rigor na fiscalização. Segundo a Receita Federal, divergências simples , como dados bancários inconsistentes ou omissão de dívidas, estão entre os principais motivos de retenção na malha fina. >
Para Kaike Ribeiro, o imposto de renda deve ser encarado como parte do planejamento financeiro anual, e não como um evento isolado. “Organizar rendimentos, despesas e obrigações financeiras ao longo do ano facilita a declaração, reduz riscos e dá mais clareza sobre a própria vida financeira”, conclui. >
Por Pérola Rodrigues >
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