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Tarifaço atinge café, pimenta, mamão e gengibre; veja ações do agro do ES

Tarifaço atinge café, pimenta, mamão e gengibre; veja ações do agro do ES

Produtores têm avaliado alternativas para garantir as vendas, que vão desde manter a exportação para os EUA, fazendo ajustes de preços, até busca por novos mercados

Publicado em 1 de agosto de 2025 às 14:42

Enio Bergoli vê com preocupação taxação de 50% dos Estados Unidos aos produtos agrícolas capixabas

Impactadas pelas tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as exportações do agro capixaba têm batido recordes nos últimos anos. Só no primeiro semestre de 2025, os envios do agronegócio capixaba somaram US$ 1,56 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), o maior valor já registrado para o período de janeiro a junho na série histórica.

Nesse período, os embarques para o exterior somaram mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos. Na lista de mais exportados estão café, pimenta-do-reino, mamão e gengibre. Os Estados Unidos lideraram como principal destino dos produtos, com 23% do valor exportado, segundo informações da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag).

Diante da cobrança de 40% adicional para os produtos chegarem ao mercado norte americano — desde o início do ano, já incidia taxa de 10% — produtores têm avaliado alternativas para garantir as vendas, que vão desde manter a exportação para os EUA, fazendo ajustes de preços, até busca por novos mercados.

Márcio Cândido Ferreira, presidente do Conselho Deliberativo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), vê com otimismo a situação, acreditando que as negociações em curso vão levar o café para a lista de isenções. Principalmente porque, segundo explica, os EUA dependem significativamente do café brasileiro, e a imposição da tarifa de 50% tem um impacto direto no bolso do consumidor americano, gerando inflação elevada.

Mas caso as tarifas de fato se mantenham a partir do dia 6 de agosto, Ferreira afirma que o setor do café já avalia alternativas para minimizar impactos, com a reacomodação da produção para outros mercados, emergindo como uma solução natural e viável, principalmente para Europa e Ásia.

“O Brasil está muito à frente dos demais. Então, isso pode, inclusive, nos trazer vantagem em termos de aumento de participação na Europa. Óbvio que a gente quer crescer na Europa, quer crescer em outros destinos sem necessidade de abrir mão de onde a gente já tem primazia, que é o mercado americano”, afirmou.

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Café solúvel do Espírito Santo é destinado aos EUA Crédito: Ulrike Leone/Pixabay

No caso dos produtores de mamão, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), José Roberto Fontes, disse que a fruta brasileira já enfrenta uma taxa de 10% para o mercado dos Estados Unidos, que, apesar de ser  estratégico e de alto valor, representa entre 13% e 15% da exportação total de mamão do Brasil.

“Mas 100% da exportação para o mercado americano sai daqui do Espírito Santo, então, não deixa de ter um impacto. E como a gente sabe que o arranjo produtivo do mamão é financeiramente seguro pela exportação, então qualquer redução desse percentual afeta diretamente o mercado interno. Então, essa é a nossa preocupação”, aponta.

No caso da manutenção da tarifa de 50%, Fontes explica que os produtores devem passar para o cliente final e que, por isso, não têm segurança de que vão manter o volume de mercado.

“O setor tem buscado conversar com os clientes, tentando negociar esse valor de ajuste. No entanto, temos buscado outras propostas também de algum arranjo do setor produtivo para reduzir os custos de produção, pois eles são maiores para o mercado americano, maior que o custo para enviar para a Europa, por exemplo”, explica.

Além da Europa, outro mercado visado do setor é o do Chile, que tem as mesmas exigências feitas pelos Estados Unidos.

Já Augusto Roza Pereira, produtor de mamão em Linhares, no Norte capixaba, e exportador, afirma que tem buscado mecanismos que ajudem os clientes a ter o menor impacto possível, para que os negócios continuem até uma definição sobre a tarifa. “Eles também vão tirar um pouco de margem, de maneira a ter o menor impacto ao consumidor final lá”, detalha.

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Preço do gengibre em queda

Os produtores de gengibre do Espírito Santo, que somam cerca de 3.500 famílias, também estão calculando impactos do tarifaço, visto que boa parte da produção vai para os Estados Unidos.

Alexandre Lemke Belz, produtor da especiaria em Santa Maria de Jetibá e que também tem propriedade em Santa Leopoldina — duas cidades da Região Serrana do Estado —, conta que, no último mês, desde o anúncio do tarifaço aos produtos brasileiros, houve queda no valor do gengibre.

Ele relatou que algumas cargas que estavam no oceano com destino aos EUA chegaram a ter desvio para a Europa, o que contribuiu para pressionar os preços para baixo.

Tive três contêineres cancelados e muitos custos com carga parada no porto. Para recuperar vai levar um tempo ainda

Alexandre Lemke Belz

Produtor de gengibre do ES

Outro problema apontado pelos produtores é a concorrência com a China, que também envia muito gengibre para os Estados Unidos e pode acabar sendo mais atrativo, visto que o país asiático tem taxas inferiores aos produtos brasileiros.

Pimenta

O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, destacou que há preocupação muito grande também nas produções de pimenta e pescado.

"Enquanto não ocorrer a negociação para reduzir a tarifa da pimenta, nós estamos propondo ações de diplomacia do governo federal, a quem cabe essa incumbência, junto, principalmente, à China, para que a nossa pimenta-do-reino chegue em igualdade de tarifa com o Vietnã, que tem tarifa mais baixa, e também que se reduza a tarifa que a gente paga atualmente para exportar a nossa pimenta para o México", declarou.

No caso do pescado, o secretário avaliou que exportar para a Ásia seria inviável devido ao preço do frete e que a União Europeia impõe muitas restrições. Dessa forma, um caminho avaliado é enviar os produtos para o Reino Unido, que não faz mais parte do bloco desde o Brexit.

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