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Plataforma P-57, da Petrobras, no Litoral Sul do Espírito Santo: startup recebeu investimento da petroleira para desenvolver projeto de tecnologia 3D que permite monitorar a corrosão de plataformas 
Plataforma P-57, da Petrobras, no Litoral Sul do Espírito Santo: startup recebeu investimento da petroleira para desenvolver projeto de tecnologia 3D que permite monitorar a corrosão de plataformas . Crédito: Gabriel Lordêllo/Agência Petrobras/Divulgação

Empresas capixabas ganham parceiros para financiar novas tecnologias

Companhias têm feito parcerias com startups do Espírito Santo para continuar evoluindo e até aportam grandes quantias em investimento

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 16/09/2021 às 11h30

Enquanto algumas companhias se aventuram em desenvolver tecnologias próprias, ou adquirem as empresas produtoras de inovação, outras têm feito parcerias com startups do Espírito Santo para continuar evoluindo, e até aportam grandes quantias a título de investimento.

A Yooga, startup capixaba de gestão voltada a atender negócios de micro e pequeno porte, por exemplo, anunciou recentemente o aporte de R$1,5 milhão realizado pela Apex Partnersaporte de R$1,5 milhão realizado pela Apex Partners. Este é o segundo investimento realizado na startup que iniciou suas operações em Vitória ao final de 2017.

A Mogai, por sua vez, conseguiu um contrato de R$ 500 mil com a Petrobras, para desenvolvimento de um projeto de tecnologia 3D que permite monitorar a corrosão de plataformas e gerenciar as pinturas das embarcações.

A tecnologia desenvolvida pela microempresa do Estado é uma espécie de câmera, desenvolvida inicialmente com foco na operação em indústrias de transformação e em mineradoras, medindo a quantidade de minério, grãos e outros.

Quem também recebeu investimento foi a fintech capixaba will bank, considerada uma das maiores instituições financeiras digitais do país. A empresa recebeu um aporte minoritário de capital de R$ 250 milhões de um grupo de investidores liderado pelo fundo de Private Equity da XP e pela gestora Atmos Capital.

O banco digital, fundado em 2017 pela família Piana, empreendedores do setor financeiro do Espírito Santo, e pelo empresário Felipe Felix, era chamado anteriormente de Meu Pag!, tendo foco na emissão de cartões. A empresa, que tem mais da metade dos seus clientes na região Nordeste, fornece, além de cartões de crédito e débito, serviços de investimentos, conta digital remunerada e de conta corrente.

De acordo com Chu Kong, head do fundo de Private Equity da XP, "o investimento no will é uma grande oportunidade de ingressar no mercado de alto crescimento dos bancos digitais, que tem democratizado o acesso ao sistema financeiro. O will se destaca por contar com um forte e experiente time de gestão, com profundo conhecimento do seu público alvo".

Cartão de crédito do Will Bank, banco digital criado por empresários capixabas
Cartão de crédito do Will Bank, banco digital criado por empresários capixabas. Crédito: Will Bank/Divulgação

A pandemia também foi um catalisador das empresas de base tecnológica. As startups nascem para resolver complexidades do mercado, várias das quais se tornaram mais evidentes diante da crise sanitária. Uma delas é a necessidade de maior atenção à saúde, que impulsionou a busca por inovações na área.

A Dersalis, por exemplo, anunciou recentemente que está desenvolvendo, em parceria com a Shell Brasil e o Senai, um projeto que usa a inteligência artificial para identificar antecipadamente eventos de riscos humanos em ambientes do setor de petróleo, gás e energia.

Juntas, as organizações estão criando uma pulseira inteligente que será usada por profissionais da multinacional anglo-holandesa de modo a monitorar o estado de vigília e o bem-estar dos funcionários para garantir a segurança dos próprios trabalhadores e das operações.

FUNDOS DE INVESTIMENTO MIRAM NOVAS IDEIAS CAPIXABAS

Fundos de investimento do Estado e de fora estão também mirando empresas capixabas que têm criado projetos inovadores. Cinco companhias, por exemplo, estão num processo seletivo para receber recursos de fundos de investimento. O programa é desenvolvido pela Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

"A inovação, por definição, é um processo de risco. Muitas vezes as empresas não estão capitalizadas para fazer esse movimento e tocar sua operação normal. A construção de mecanismo de apoio financeiro a esse tipo de inovação é fundamental para que a economia como um todo passe a girar em volta dessas novas ideias. Com esses investimentos, é possível criar uma cultura de inovação. E são vários movimentos ocorrendo nesse sentindo no Espírito Santo", explica o diretor-presidente da Action, Emilio Barbosa.

O projeto conta ainda om o apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). Já a execução ficou por conta da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

Se existia alguma dúvida sobre o Estado estar ou não no mapa de inovação e no radar dos investidores, essa dúvida se dissipou com esse movimento. Os investidores revelaram uma grande porta de oportunidades de investimento em participações aos capixabas. Infelizmente, foi preciso escolher cinco empresas para a próxima etapa, mas as outras também têm um grande potencial para serem investidas”, reconhece Marcelo Carullo.

"AMBIENTE DE INOVAÇÃO TEM AMADURECIDO COM INVESTIMENTOS"

São vários os fatores que contribuem para que as inovações capixabas ganhem cada vez mais notoriedade no país, que passam por investimentos na área, qualificação e até mesmo o tamanho do Estado.

Para o professor da Unidade de Computação da FAESA, Rober Marcone Rosi, um dos pontos que trabalham a favor desse crescimento é o apoio que as startups têm recebido de instituições educacionais, empresas e até do governo.

“O Estado vem se preparando há vários anos para criar esse movimento de apoio a startups. Nos últimos governos, esse processo foi fomentado com programas de incentivo a ideias inovadoras. Isso gerou um saldo de novas possibilidades de inovação muito grande.”

Ele pontua ainda que, recentemente, o governo capixaba criou o Fundo Soberano, a partir do qual foi elaborado um projeto de investimento em empresas de inovação, e que deve ajudar a fomentar mais negócios na área.

“São vários componentes que têm criado uma base que incentiva o surgimento dessas empresas. Mas quanto às vendas, surgiu uma combinação de momento e oportunidade. A PicPay, por exemplo, iniciou no ES atendendo localmente, facilitando pagamentos. E no momento em que desenvolveu essa ferramenta, os bancos começaram a entender que essas ferramentas eram necessárias, e em vez de desenvolver a tecnologia, aportam um investimento em uma empresa que já tem essa inovação”, observou.

Rosi frisa que as empresas capixabas estavam com a solução certa no momento certo, mas que isso só foi possível porque, há vários anos, surgiu uma empresa incubadora de startups no Estado, que foi escalonando com a inserção de outros agentes, e atraiu aceleradoras, entre outras empresas que deram mais capilaridade ao ambiente de inovação.

“O que estamos vendo hoje é a combinação de pessoas que têm capacidade de empreender e têm ideias inovadoras, encontrando bases financeiras e um ambiente de capacitação mais maduro.”

Para o diretor de Extensão Tecnológica e coordenador da Agência de Inovação do Ifes (Agifes), Rodolpho Rangel, além desses fatores, a própria densidade demográfica do Espírito Santo contribui para que projetos desenvolvidos aqui dentro ganhem destaque.

“Por se tratar de um Estado menor que vizinhos como São Paulo, por exemplo, mesmo encontrando concorrentes de peso, ainda é possível alcançar visibilidade.”

Este cenário, ele explica, já têm feito, inclusive, com que empresas que surgiram em outros locais do país queiram migrar para o Estado.

Rodolpho Rangel

Diretor de Extensão Tecnológica e coordenador da Agência de Inovação do Ifes (Agifes)

"O desafio agora é conseguir não só manter essa qualidade que já temos, mas continuar crescendo. O Espírito Santo precisa oferecer mais programas e até políticas públicas para continuar avançando em tecnologia. Sempre fomos conhecidos pela produção de café, por exemplo, e não é algo ruim, é excelente para a economia. Mas também queremos desenvolver tecnologia"

Para a gerente de inovação do Findeslab, Naiara Galliani, o modelo de inovação aberta, que tem se popularizado nos últimos anos, também tem contribuído para o crescimento das startups capixabas e a atração de parcerias com empresas já consolidadas.

Ela explica que a inovação fechada é quando a tecnologia é desenvolvida com recursos e pessoas da própria empresa. Já o modelo aberto consiste na colaboração entre empresas, indivíduos, ou até governo para criação de uma inovação.

Naiara Galliani, gerente de inovação do Findeslab
Naiara Galliani, gerente de inovação do Findeslab. Crédito: Comunicação/ Findes

“Temos sentido, principalmente com o Findeslab, que é uma forma mais eficiente de inovar. A empresa lança o desafio e verifica quem já tem isso pronto, quem pode desenvolver. Temos o caso da Dersalis, desenvolvendo uma solução para a Shell, por exemplo, e é uma grande oportunidade. É uma multinacional, e isso traz visibilidade. E, a partir desses resultados que estão trazendo, outras empresas acabam ficando de olho. Uma coisa acaba puxando a outra.”

Ela reforça que o ecossistema tecnológico capixaba tem se beneficiado muito desse modelo de inovação aberta, que, nos últimos anos, tem proporcionado maior dinamismo ao relacionamento das grandes empresas com startups, e têm permitido um amadurecimento das pequenas empresas de base tecnológica.

Naiara Galliani

Gerente de inovação do Findeslab

"Ter um grande cliente ajuda na maturidade de negociação, de comunicação, de relacionamento. E isso prepara as startups para aproveitar oportunidades quando baterem à porta, na eventualidade de uma grande companhia se interessar."

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