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"Não mandei matar Milena e nem mandaria", diz Hilário em depoimento

Último dos réus a depor no julgamento sobre o assassinato da médica Milena Gottardi, o ex-marido da vítima, Hilário Frasson, é apontado como um dos mandantes do crime

Tempo de leitura: 4min
Caso Milena Gotardi
O ex-policial civil Hilário Frasson, acusado de ser o mandante do assassinato da ex-esposa, a médica Milena Gottardi . Crédito: Fernando Madeira/Arte Geraldo Neto

Último dos réus a depor no julgamento sobre o assassinato da médica Milena Gottardi, o ex-marido da vítima, Hilário Frasson, afirmou neste sábado (28), sexto dia do júri, que não mandou matar a ex-esposa e negou qualquer participação na trama. Ele é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPES) como um dos mandantes do feminicídio, ocorrido em setembro de 2017.

Ao entrar no salão do júri para o interrogatório, chorando, Hilário iniciou: "Nego qualquer tipo de participação a cerca da imputação de ter mandando matar a Milena. Não mandei e nem mandaria", afirmou. Acompanhe o julgamento em tempo real aqui.

O réu confirmou que, na época do crime, ele e Milena passavam por um desentendimento em função da separação. "Nesta época nós já estávamos passando por um pequeno desentendimento, um desgaste no casamento, como era de conhecimento. Já tinha saído de casa para ela ficar com as crianças. Saí em comum acordo com ela. Fizemos um acordo judicial idealizado por nós e levamos aos advogados para que pudessem formalizar. Foi proposto por ela com guarda compartilhada, para que ela ficasse no conforto do nosso lar", relatou.

Apesar dos atritos, segundo Hilário, ambos sempre se respeitaram. "Vivi muitos anos com a Milena e sobretudo com a família dela. Sempre fomos muito respeitosos, muito amigos, sinceros, sempre buscamos a felicidade, viver em família, um ajudar ao outro, incentivar os projetos que tínhamos na vida, sempre nos respeitamos da melhor forma possível que um casal possa ser respeitar. "

Hilário Frasson

Ex-marido de Milena e réu acusado de ser mandante do crime

"Tivemos desentendimentos ideológicos, de trabalho ou no convívio dentro de casa, mas com toda sinceridade nada que ultrapasse a rotina de um casal mediano, uma família mediana"

Hilário negou ter encontrado com Dionathas Alves (executor confesso da médica) e Valcir da Silva Dias. Em seu depoimento, Dionathas afirmou ter encontrado com os dois em um posto de gasolina na Serra. O ex-policial afirmou que não conhecia Dionathas. Já no caso de Valcir, disse que o conhecia, mas que não era próximo.

A polícia chegou a apontar, após interceptação telefônica, uma ligação entre Hilário e Valcir no dia do crime. O ex-policial disse, porém, que o assunto tratado foi a venda de cavalos. 

"Quando residi na casa do Tarciso Favaro, que foi quando eu estava separado e fora de casa, o Tarciso queria investir em cavalo, algo que eu gostava muito, e convenci Favaro a comprar alguns animais em um haras em Meaípe. Ele comprou alguns potros e eu também comprei um potro. Levei os potros para a casa de um médico em Aracruz. Mas Tarciso não queria ter despesa com os animais e decidiu vender. E vendemos um para Rio Bananal, o outro deu problema de saúde e doamos para uma clínica veterinária, e o outro ficou na propriedade do meu pai, onde tentei vender com meu pai. Meu pai que falou que Valcir era a saída para eu consegui vender o cavalo. Foi assim que fizemos contato, mas só para este assunto", afirmou.

ENTENDA O CASO

A médica Milena Gottardi, 38 anos, foi baleada no dia 14 de setembro de 2017, quando encerrava um plantão no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Maruípe, Vitória. Ela havia parado no estacionamento para conversar com uma amiga, quando foi atingida na cabeça.

Socorrida em estado gravíssimo, a médica teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o ex-policial civil Hilário Frasson teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessou ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de roubar a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor. 

Em 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, foi preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na mesma data, o ex-marido Hilário Frasson foi preso. 

O último a ser detido foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais.

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