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Galho foi usado para marcar carro de Milena para o crime, diz executor

Segundo Dionathas Alves, intermediador do crime sinalizou onde estava o carro de Milena Gottardi no estacionamento do Hucam para ele matar a médica. Executor disse que não conhecia a vítima

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/08/2021 às 15h24
 Dionathas Alves Vieira, executor da médica Milena Gottardi
Dionathas Alves Vieira, executor da médica Milena Gottardi. Crédito: Geraldo Neto

Um galho foi usado para sinalizar para o atirador qual era o carro da médica Milena Gottardi, contou o próprio executor confesso, Dionathas Alves Vieira, durante interrogatório nesta sexta-feira (27), quinto de julgamento dos seis réus pela morte de Milena, em setembro de 2017. Ele declarou que não conhecia a vítima e que os intermediadores relataram como ela era.

O executor afirmou ao Júri que, na noite do crime, o carro da médica foi marcado na vaga em que ela estacionou no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam) por Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, que estava no local com Valcir da Silva Dias. Os dois são apontados pelo Ministério Público Estadual (MPES) como os intermediadores do assassinato. Acompanhe o julgamento em tempo real aqui.

"Quando larguei do serviço umas 18h (do dia 14 de setembro de 2017), montei na moto e fui para o hospital. Na entrada do hospital, na primeira casa do lado direito, o carro estava estacionado, eu reconheci o carro, eles (Valcir e Judinho) baixaram o vidro, encostei a moto e entrei no carro", afirmou Dionathas aos jurados.

Ele continuou: "Perguntaram se eu estava tranquilo, mas falei que estava com sede, queria água. O Valcir falou que ia comprar. Logo após o Judinho, que estava no carona, entregou a arma que estava em uma meia, disse que a arma estava municiada e que era para eu ficar tranquilo, e foram conversando comigo".

Dionathas Alves

Executor confesso de Milena, em depoimento

"Eles me orientaram, falaram onde eu tinha que colocar a moto e me falaram que pegariam um galho no mato e iam deixar no lugar onde o carro da médica estava parado. Me falaram como ela era, que era branca, loira e estaria de salto alto e um jaleco branco "

O atirador informou ainda que foi Judinho que saiu do carro e marcou qual era o veículo de Milena. Após isso, segundo ele, não demorou muito para Milena chegar.

"Veio duas mulheres, uma estava me olhando. Ela passou, só escutei que o carro ligou o alarme e fez 'plim plim'. Eu desci. Eles tinham me orientando para dizer que era um assalto, pegar o telefone dela, e depois jogar fora. Ela estava focada no porta-malas, não sei se colocando uma bolsa. Anunciei o assalto. Na hora fiquei cego, tirei (a arma) da cintura e logo após foi efetuado o disparo, foi uma ou duas vezes", contou.

ORIENTADO A FUGIR

Dionathas ainda afirmou que foi orientado a fugir após a repercussão que o crime tomou. Segundo ele, Valcir o aconselhou a ir para Minas Gerais, mas ele se recusou.

"O Valcir ficava me ligando, falando que era para eu fugir para Minas Gerais, mas eu disse que ficaria em Timbuí, distrito de Fundão. Tinha sido divulgada uma foto, mas que não tinha nada a ver comigo. Mesmo assim, eles falavam que era para eu meter o pé, que a coisa estava ficando feia", afirmou Dionathas.

ENTENDA O CASO

A médica Milena Gottardi, 38 anos, foi baleada no dia 14 de setembro de 2017, quando encerrava um plantão no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Maruípe, Vitória. Ela havia parado no estacionamento para conversar com uma amiga, quando foi atingida na cabeça.

Socorrida em estado gravíssimo, a médica teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

Milena Gottardi: do crime ao julgamento dos réus

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o ex-policial civil Hilário Frasson teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

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