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Hilário pediu pensão por morte de Milena 3 dias após assassinato, diz irmão da médica

Douglas Gottardi começou a prestar depoimento no julgamento na manhã desta quinta-feira (26) e terminou de testemunhar por volta das 15 horas

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 26/08/2021 às 17h39
Douglas, irmão, e Zilca Gottardi, mãe de Milena. Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi.Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi.
Douglas, irmão, e Zilca Gottardi, mãe de Milena: entrevista coletiva na última semana antes do julgamento do assassinato da médica. Crédito: Vitor Jubini

Hilário Frasson, três dias após a morte da esposa, Milena Gottardi, teria dado baixa no contrato de emprego onde ela trabalhava e ido ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dar entrada no pedido de pensão por morte. A informação foi dada por Douglas Gottardi, irmão da médica, durante depoimento nesta quinta-feira (26) no quarto dia de julgamento do assassinato de Milena, morta em setembro de 2017.

Em relato ao Tribunal do Júri, que julga seis réus pela morte de Milena, inclusive o ex-marido dela, Douglas afirmou que no dia em que liberou o corpo, Hilário teria tido acesso à carteira de trabalho da esposa. 

"Passou o prazo do velório, na segunda de manhã ele foi no Hucam, no primeiro horário, dar baixa na carteira dela. O pessoal do recursos humanos acionou os amigos da Milena, que nos ligaram. Saindo de lá, imediatamente, ele deu entrada no INSS. No dia em que liberou o corpo ele já estava preocupado com o dinheiro da pensão", disse o irmão de Milena aos jurados.

A médica morreu no dia 15 de setembro, numa sexta-feira, após ter sido baleada no dia anterior no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), em Maruípe, em Vitória.

Ao testemunhar, Douglas ainda deu mais detalhes sobre como Hilário acabou tendo direito a bens que supostamente seriam da família Gottardi.  

"[O apartamento] foi comprado com dinheiro da minha mãe, mas estava no nome dele [Hilário]. Quando eles foram comprar outro na Praia do Canto, ele falou que se eles não se casassem em comunhão de bens, Milena não teria direito ao imóvel anterior, o de Jardim Camburi", destacou.

Douglas relatou ainda que no dia da morte de Milena o celular dele estava no silencioso, pois ele estava na Espanha com a mulher e decidiu deixar o volume do aparelho desligado para não ouvir ligações à noite por conta do fuso horário. "Acordei e vi um monte de ligação de familiares, e quando eu liguei a internet chegou um monte de mensagem."

Segundo ele, quando falou com um primo sobre a tragédia, logo afirmou que Hilário tinha matado a irmã. "Ele me pedia calma, falando que a polícia estava investigando", disse.

Douglas Gottardi

Irmão da Milena

"Na sequência mandei uma mensagem para Hilário: 'Tomara que não tenha sido você'. E Hilário respondeu: 'Não pense isso de mim, irmão' "

Douglas começou a prestar depoimento na manhã desta quinta-feira (26) por volta das 9h30 e terminou de testemunhar aproximadamente às 15 horas.

AVALIAÇÃO DO MPES

Segundo avaliação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), as testemunhas de acusação que falaram durante os quatro dias de julgamento fortaleceram que a condenação é necessária.

"Elas ainda trouxeram mais elementos que não constavam nos autos, como a agressividade que aumentou à medida em que Milena era mais firme em relação a separação", disse o promotor Leonardo Augusto de Andrade Cezar dos Santos.

Segundo a acusação, um ponto que se destaca foi o relato do irmão sobre "a repugnância de Milena em relação a Hilário, e que isto ganhou força na noite entre os dias 5 e 6 de março de 2017, após uma festa de aniversário de Milena em que Hilário bebeu muito".

"Algo grave aconteceu naquele dia e a partir dali ela passou, como foi declarado, a ter nojo de Hilário. Não há uma mudança brusca sem um acontecimento brusco. Pode ter ocorrido um estupro ou uma tentativa. E a partir deste momento, a vontade de Milena pela separação se tornou avassaladora", destacou o promotor.

ENTENDA O CASO

A médica Milena Gottardi, 38 anos, foi baleada no dia 14 de setembro de 2017, quando encerrava um plantão no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Maruípe, Vitória. Ela havia parado no estacionamento para conversar com uma amiga, quando foi atingida na cabeça.

Socorrida em estado gravíssimo, a médica teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o ex-policial civil Hilário Frasson teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

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