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Maus-tratos a animais: 7 em cada 10 casos no ES são contra cães

Maus-tratos a animais: 7 em cada 10 casos no ES são contra cães

Estado registrou 625 ocorrências em 2025, sendo 472 delas contra cachorros; Grande Vitória concentra a maioria das denúncias

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 14:51

Polícia flagra canil clandestino com 80 cachorros em situação de maus-tratos em Cariacica
Cachorro com sinal de maus-tratos resgatado de canil clandestino em Cariacica, no ano passado Crédito: ONG Amigas dos Pets

caso do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido por um grupo de adolescentes em Santa Catarina, no dia 4 de janeiro, e submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos, gerou mobilização social e pedidos de justiça em todo o país. No Espírito Santo, os cães também concentram a maioria das denúncias de violência contra animais, de acordo com dados do Núcleo de Proteção aos Animais, da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (Depma), disponíveis no Painel de Maus-Tratos a Animais.

Ao todo, o Estado registrou 625 ocorrências de maus-tratos a animais em 2025, sendo que 472 tiveram cachorros como vítimas. Isso significa que 7 em cada 10 casos foram cometidos contra cães no Estado.

As denúncias se concentram principalmente na região da Grande Vitória. Confira os municípios com maior número de ocorrências. com destaque para 

  1. Vila Velha - 79 registros
  2. Vitória - 51 casos
  3. Cariacica - 50 casos
  4. Serra - 49 casos
  5. Guarapari - 34 casos
  6. Cachoeiro de Itapemirim - 33 casos
  7. Colatina - 21 casos

Entre os casos registrados em Vila Velha, está o de um cachorro da raça golden retriever, resgatado em condições de maus-tratos em uma residência de Itapuã. Já em Jardim Guaranhuns, um cão da raça border collie foi encontrado preso em uma varanda em condições degradantes, sem acesso à alimentação ou água e sem qualquer tipo de cuidado.

Outro caso de maus-tratos foi verificado em um canil, que, segundo a Polícia Civil, funcionava clandestinamente no bairro Maracanã, em Cariacica, no ano passado. Lá, foram encontrados cerca de 80 animais, muitos deles presos em uma única gaiola, sob alta temperatura e forte cheiro de amônia. No local, também havia medicamentos de uso veterinário com validades vencidas, como antibióticos, vitaminas e anti-inflamatórios.

Além dos cães, também foram identificados casos envolvendo pássaros (170) e gatos (128). Em menor número, aparecem situações de maus-tratos contra equinos (cavalo, égua, burro, mula etc.), galinhas, bovinos, suínos, carneiros, cabritos, marrecos e galos. Em 52 registros, o tipo de animal não foi informado.

Em uma dessas ocorrências de maus-tratos a diferentes animais, uma operação flagrou três cães, dois gatos e um coelho com sinais de negligência. Os pets estavam em um ambiente com acúmulo de fezes e urina, falta de água potável e alimento adequado, em um apartamento na Praia da Costa, em Vila Velha. 

Casos desse tipo, em que há abuso ou maus-tratos, são a forma de violência mais recorrente, com 495 registros no Estado no ano passado. Também há casos de espancamento ou agressão (235), abandono (106) e envenenamento (106). Outras situações incluem uso de arma de fogo, animais mantidos amarrados, pedradas e agressões com chutes.

Cão comunitário Orelha precisou ser eutanasiado após ser espancado em SC
Cão comunitário Orelha precisou passar por eutanásia após ser espancado em Santa Catarina Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Enfrentamento aos crimes

À frente do Núcleo de Proteção Animal da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (Depma), o delegado Leandro Piquet avalia que o Espírito Santo tem apresentado avanços no enfrentamento aos crimes de maus-tratos contra animais.

Segundo o delegado, o aumento no número de ocorrências registradas no último ano indica uma maior consciência da população, que está mais disposta a denunciar os crimes. “As pessoas passaram a entender o que caracteriza maus-tratos e perceberam que os animais são protegidos por lei”, pontua.

Piquet explica que esse processo também está ligado à confiança no trabalho das forças de segurança. De acordo com ele, a percepção de que as denúncias resultam em investigações e responsabilizações incentiva a formalização dos registros junto à Polícia Civil, contribuindo para a ampliação dos dados oficiais sobre o tema.

O delegado destaca ainda que o combate aos maus-tratos não é uma atribuição exclusiva da polícia. A atuação do Núcleo de Proteção Animal depende de uma rede integrada, que envolve prefeituras, médicos veterinários, organizações não governamentais, protetores independentes e outros parceiros. “Em muitos casos, é necessária uma avaliação técnica para comprovar os maus-tratos, além do resgate imediato do animal e do encaminhamento para tratamento”, explica.

Como denunciar

Casos de maus-tratos a animais podem ser denunciados pelo 190, em situações de flagrante. Também é possível registrar ocorrência presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Online, com envio de fotos e vídeos. Quem preferir manter o anonimato pode utilizar o Disque-Denúncia 181.

“A denúncia precisa ser detalhada, com informações sobre local, data, características do animal e da situação de violência. Isso torna o trabalho policial mais rápido e eficaz”, reforça o delegado.

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