Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Capixaba
  • Polícia
  • Operação encontra cães abandonados e com sinais de maus-tratos em prédio de Vitória
Em Maruípe

Operação encontra cães abandonados e com sinais de maus-tratos em prédio de Vitória

Um dos animais foi localizado morto, preso em um espaço isolado e sem acesso à comida ou água; quando chegou ao local, a polícia flagrou o funcionário do proprietário do local vivendo em condições precárias com a família

Publicado em 07 de Maio de 2025 às 11:44

Felipe Sena

Publicado em 

07 mai 2025 às 11:44
Uma operação realizada pela Polícia Civil encontrou sete cães em situação de abandono e maus-tratos na área de um prédio no bairro Maruípe, em Vitória, e o funcionário do proprietário do local vivendo com a família no local, em condições precárias. O flagrante ocorreu na manhã desta quarta-feira (7). Um dos cachorros foi localizado morto, preso em um espaço isolado e sem acesso à comida ou água. Os demais apresentavam sinais visíveis de negligência. Sobre os residentes do local, o delegado responsável pelo caso acionou a Polícia Federal, por suspeitar de situação análoga à escravidão.
Segundo o titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (DEPMA), delegado Marcelo Nolasco, a investigação começou após uma denúncia feita por uma moradora, que procurou a delegacia relatando a situação. Os animais teriam sido colocados sob cuidados de uma família cuja situação também deve ser investigada. 
Viemos até aqui hoje pela manhã e encontramos uma situação muito pior do que poderíamos imaginar. Dos sete cachorros que foram objeto da denúncia, um estava morto num local isolado, trancado com tapume, sem acesso nenhum à água ou comida. Morreu de fome e sede. Os outros estavam infestados de carrapatos, com muitos sinais de maus-tratos, sem comida, vivendo na rua, se virando como podiam
Delegado Marcelo Nolasco - Titular da DEPMA
Um dos animais teria morrido de fome e sede no local
Um dos animais teria morrido de fome e sede no local Crédito: Ricardo Medeiros

Suspeita de condição análoga à escravidão

Ainda conforme o delegado, o responsável pelos animais é um funcionário de uma empresa que pertence ao dono do imóvel onde os cães foram encontrados. “O dono dos cachorros que não está aqui presente no momento será devidamente intimado e responderá a um inquérito policial por maus-tratos aos animais”, explicou o delegado.
Durante a ação, os agentes também encontraram uma mulher com três filhos pequenos vivendo em condições precárias no mesmo local. Ela contou que o marido trabalha na empresa do proprietário do imóvel e que a família mora ali a pedido do patrão para evitar invasões.
Encontramos aqui no local uma família. A mulher falou que o marido dela não tem sábado, domingo, feriado, férias, nada. Não tem nenhum direito trabalhista, e eles vivem numa imundície. Vivem em meio a fezes de animais e em um local sucateado. É uma ruína. Apesar disso, ela está preocupada em perder isto aqui. Esperamos poder ajudá-la
Delegado Marcelo Nolasco - Titular da DEPMA
Delegado diz ter acionado a PF para apurar situação da família
Delegado diz ter acionado a PF para apurar situação da família Crédito: Ricardo Medeiros
A Polícia Federal foi acionada para apurar se a situação caracteriza pelo delegado da Polícia Civil como de trabalho análogo à escravidão. A equipe da assistência social da Prefeitura de Vitória também foi chamada para prestar apoio à família, e a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória foi acionada para apoio à ocorrência. 
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) destacou que todos os animais resgatados apresentavam sinais evidentes de maus-tratos, negligência e falta de cuidados essenciais. Após o resgate, os animais passaram por protocolo sanitário completo, incluindo controle de ecto e endoparasitas, vacinação e coleta de sangue para exames laboratoriais. Ainda segundo a pasta, assim que estiverem plenamente recuperados, serão encaminhados para adoção responsável.

Polícia Federal analisa o caso

Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Polícia Federal informou que o caso da família em possível situação análoga à escravidão está em fase de análise preliminar para determinar se haverá a necessidade de instauração de um inquérito. Por enquanto, ninguém foi autuado, conforme a corporação.
Já a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informou que acionou a equipe do Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) para realizar o primeiro atendimento no domicílio e encaminhou a família para o acompanhamento no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que realizará os encaminhamentos pertinentes às situações de violações de direito vivenciadas.

O que diz o Ministério Público do Trabalho

O Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) informou que tomou conhecimento do ocorrido pela imprensa e instaurou procedimento de investigação para apurar o caso.

O que diz o Ministério do Trabalho sobre o caso

"Segundo o Ministério do Trabalho (MTE), auditores fiscais e a Superintendência Regional não participaram da ação e só tomaram conhecimento do caso por meio da imprensa. 
O Superintendente Regional do Trabalho, Alcimar Candeias, disse que "infelizmente, o Ministério não foi comunicado a tempo de adotar as providências previstas em lei, como a confirmação do ocorrido e a verificação de eventual enquadramento no artigo 149 do Código Penal, que trata do crime de trabalho em condição análoga à escravidão, considerando a possibilidade de haver uma relação de emprego em condições degradantes. Em regra, nessas situações, o Ministério determina ao empregador o pagamento das verbas salariais e rescisórias devidas e, caso se configure o vínculo, emite as guias de seguro-desemprego ao trabalhador. Paralelamente, é elaborado um relatório circunstanciado com foto-documentação, que é encaminhado à Polícia Federal e ao Ministério Público do Trabalho para a instauração do inquérito policial na Justiça Federal e para eventual ação civil pública na Justiça do Trabalho". 

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Mbappé, Vini e Konaté escondem mensagem de apoio a Ceuta antes de jogo do Real Madrid
Políciais militares resgatam homem de 100 anos em Eldorado (SP)
Polícia resgata homem de 100 anos ilhado pela chuva no interior de SP
Eleitor pode denunciar notícias falsas e deepfakes em vários canais na internet.
Fake news sobre eleições? Saiba como denunciar e evitar desinformação

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados