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Covid-19: mesmo sem proibição, maioria das igrejas do ES segue fechada

No Espírito Santo, há lei estadual que estabelece o serviço desses locais como "essencial nos períodos de calamidade pública"

Publicado em 08/04/2021 às 13h57
Atualizado em 08/04/2021 às 13h57
A Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Prainha de Vila Velha, foi reaberta ao público
Igreja Católica permanece com as portas fechadas em cidades classificadas com risco extremo para Covid-19 . Crédito: Ricardo Medeiros

Diante do agravamento da pandemia da Covid-19 no Espírito Santo, muitas igrejas decidiram por manter a suspensão das  atividades presenciais, oferecendo cultos e missas no formato on-line para evitar aglomerações. 

Atualmente, o Espírito Santo tem 37 municípios classificados com risco extremo pelo governo estuadual e 39 com risco alto. Apenas duas cidades estão classificadas como risco moderado.  

Em março, durante a quarentena de 18 dias, as lideranças religiosas capixabas já haviam sido orientadas pelo governador Renato Casagrande a suspender as atividades presenciais, o que, na época, foi acatado. 

LEI PERMITE ABERTURA

No Espírito Santo, o funcionamento de templos e igrejas segue a lei estadual 11.151/2020, que, desde o ano passado, estabelece o serviço desses locais como "essencial nos períodos de calamidade pública." 

O texto foi aprovado pela Assembleia Legislativa e sancionado pelo governador Renato Casagrande (PSB) em julho, em meio à politização do tema, incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O governo federal já havia incluído as atividades religiosas no rol dos serviços essenciais desde março.

CONVENÇÃO BATISTA

Mesmo com a lei estadual permitindo o funciomanto das igrejas, o pastor Diego Bravim, diretor-geral da Convenção Batista do Espirito Santo, afirmou que a decisão de manter as portas fechadas é necessária para o momento.

"Estamos seguindo as orientações feitas pela secretaria de saúde, áreas sanitárias, governo estadual e federal. Estamos acompanhando tudo com responsabilidade. Mesmo a igreja sendo classificada como atividade essencial pela Assembléia, estamos respeitando aquilo que tem sido trazido pelo governo do Estado. Sendo assim, em sua maioria as igrejas estão realizando cultos virtuais", contou.

Pastor Diego Bravim

Diretor-geral da Convenção Batista do Espirito Santo

"É preciso ser coerente, ter bom senso e cuidado. A palavra da lgreja é uma palavra de cuidado, de amor, de respeito à vida"

A Convenção Batista conta com 738 igrejas espalhadas pelos 78 municípios do Espírito Santo. São de cerca de 90 mil integrantes. O pastor Diego Bravim pontua que o momento é de cooperação. "Cada Igreja Batista segue o espírito autônomo nas suas decisões administrativas. Porém, a palavra da Convenção é sempre uma palavra reconhecida por elas e essa tem sido a tratativa neste exato momento", afirma.

O pastor relatou ainda que nas igrejas onde os cultos são presenciais existe a preocupação em manter o distanciamento e os cuidados necessários. "Aquelas que estão realizando os cultos no formato híbrido, estão mantendo a orientação da nota técnica do governo de 30% de ocupação e todo o protocolo sanitário, mas a grande maioria está realizando no formato on-line".

IGREJA CATÓLICA

De acordo com o arcebispo Dom Frei Dario Campos, responsável pela Arquiodiocese de Vitória, a Igreja Católica segue as orientações da Matriz de Risco do governo estadual. 

Nas regiões de risco extremo, as atividades litúrgicas são realizadas pelas redes sociais. A distribuição da Comunhão Eucarística será feita fora da missa, em horários previamente estabelecidos e respeitando as normas sanitária. Ainda segundo a Arquiodiocese, atividades presenciais como catequese estão suspensas e o atendimento ao público precisa de agendamento prévio.

Já nas cidades de risco alto, a assessoria da Arquiodiocese pontua que será permitida a participação física dos fiéis nas missas, com o limite de até 30% da capacidade física de cada igreja.

Nas classificadas como risco baixo, serão permitidas a participação física dos fiéis desde que os protocolos de distanciamento social e proteção sejam adotados.

O padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória,  destaca que no ano passado a igreja também realizou celebrações virtuais em muitos momentos. "Ficamos boa parte do ano passado com celebrações presenciais suspensas. Em agosto, nós tínhamos retomado as atividades presenciais de forma parcial e seguindo os protocolos. Na quarentena, intensificamos de novo o isolamento social, já que o Estado ficou em risco extremo", explicou. 

Padre Kelder Brandão

Vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória

"O maior objetivo da Igreja neste momento é colaborar para que a pandemia seja contida e que a gente consiga salvar o maior número de pessoas"

MARANATA 

Igreja Cristã Maranata suspendeu as atividades presenciais mesmo antes da quarentena no Espírito Santo e os cultos e reuniões vão continuar no formato virtual. 

De acordo com o último comunidado divulgado pela igreja, no dia 23 de março, não há previsão para o retorno dos cultos presenciais. As atividades continuarão suspensas até a nova orientação do Estado para evitar aglomeração.

A igreja informa ainda que os cultos são realizados diariamente de forma online às 20h pelos canais digitais oficiais da ICM, especialmente no YouTube.

SUPREMO DEBATE LIBERAÇÃO 

A discussão sobre a abertura ou não das igrejas chegou ao Judiciário. Nesta quinta-feira, o  plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve continuar a votação sobre a liberação de cultos religiosos presenciais durante o agravamento da pandemia de Covid-19.

O ministro Kassio Nunes Maques, nomeado para a Corte pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), já concedeu uma decisão provisória impedindo a prefeitura de Belo Horizonte (BH) de fechar os templos, mesmo na pior fase da pandemia. Já o ministro Gilmar Mendes manteve o fechamento adotado em São Paulo. Agora os outros ministros vão se posicionar.

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