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Coronavírus: Quais os riscos que você corre ao tirar a máscara no ônibus?

Especialistas afirmam que pacientes sem máscara têm mais chances de serem contaminados pela Covid-19. Entenda os motivos

Rede Gazeta
Publicado em 27/10/2020 às 17h29
Muitos usuários do Transcol estão usando a máscara de proteção contra o coronavírus. Mas ainda é possível ver alguns em ela ´
Alguns usuários do Transcol não estão usando a máscara de proteção contra a Covid-19. Crédito: Carlos Alberto Silva

Ambientes com pouca circulação de ar, alta rotatividade de pessoas e muitas superfícies em metal. Essas características já colocam os ônibus na lista dos locais onde há mais chances de ser infectado pelo novo coronavírus.  O risco, no entanto, é potencializado pela insistência de alguns passageiros em não respeitar a regra que obriga o uso de máscara, alertam os médicos.   

Não é à toa que o uso da máscara é obrigatório. Ele tem um papel importante contra a doença ao evitar que pessoas saudáveis entrem em contato com as gotículas dos contaminados, assim como a disseminação do vírus por doentes aos falar ou tossir. Ela é a principal barreira para impedir que o SarsCov-2 se espalhe em lugares fechados, como é o caso dos ônibus.

No entanto, os especialistas observam que alguns passageiros acabam retirando a peça ao entrar nos coletivos por incômodo, para falar ao celular e até por acreditarem que já estão imunes por já terem sido infectados, embora não haja evidências científicas sobre o tempo a imunização dos anticorpos duram no organismo.

A infectologista Rubia Miossi pontua que os capixabas demonstram estar atentos sobre a necessidade de usar o álcool em gel durante as viagens nos coletivos  — ao contrário da tendência nacional de relaxamento —, mas nem todos usam a proteção no rosto e acabam colocando a própria vida e a dos outros passageiros em perigo.

"Em um ônibus lotado, a máscara pode ser insuficiente caso várias passageiros ali tenham o vírus. Quinze minutos em contato com o vírus é o tempo médio para que haja um risco alto de contaminação. Mas, se todos estiverem com a máscara, todos ficarão seguros. A conduta de uma única pessoa pode afetar o bem estar do coletivo inteiro", declara a infectologista, acrescentando que os ônibus são um dos principais vetores da doença na Grande Vitória.

O infectologista Lauro Ferreira Pinto lembra que ainda enfrentamos um momento instável da pandemia. No Espírito Santo, por exemplo, o número de casos voltou a aumentar nas últimas semanas, trazendo uma discussão sobre a segunda onda da doença. Devido à importância das máscaras nesse contexto, ele diz que só será possível dispensar o uso dessa item de proteção quando os casos "despencarem".

"Por isso, agora mais do que nunca, a preocupação com a máscara prevalece. A sociedade quer voltar ao normal. A sociedade está cansada. Mas a doença está aí fora. Até que os casos tenham despencado, esse cuidado tem que permanecer", defende Ferreira.

PERIGOS

Os dados obtidos na quarta fase do inquérito sorológico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), realizada em junho deste ano, indicam que boa parte dos contaminados pela Covid-19 no Estado pode ter sido infectada enquanto utilizava o coletivo.

De acordo com a pesquisa, cerca de 29,1% dos capixabas que testaram positivo passaram mais de 30 minutos dentro do transporte público, onde quase nunca é possível respeitar a distância mínima de um metro, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Do total de contaminados, 21,9% também entravam nos veículos pelo menos quatro dias por semana.

“O vírus dentro dos coletivos ganha força, principalmente, por causa das pessoas que apresentam sintomas e ignoram a doença. Mas, é importante lembrar que ela pode ser transmitida mesmo que a febre e a falta de ar apareçam, por isso o uso das máscaras por todos é fundamental", pontua Miossi.

Outro dado que reforça a necessidade do uso de máscaras é o tempo de permanência do vírus no interior dos veículos. Um estudo feito por pesquisadores norte-americanos revelou que o novo coronavírus pode sobreviver por até 4 horas em objetos de cobre, como moedas, e 9 horas no metal, como os corrimões dos ônibus e as portas.  Já em materiais de plástico ou inox, como chaves e cartões de passagem, o vírus pode permanecer até por 3 dias se a área não for higienizada corretamente.

"Tornou-se difícil limpar os ônibus durante as viagens. Lógico que eles devem ser higienizados ao menos nos terminais, só que o ideal seria desinfectar as poltronas a cada passageiro. Sabemos que isso é impossível. À medida em que as pessoas tocarem na janela ou no corrimão, portanto, é preciso que tomem cuidado por conta própria e usem álcool”, ressalta Ferreira.

CUIDADOS

Segundo os especialistas, os passageiros também precisam se atentar para o uso correto da máscara. Para que ela ofereça a proteção adequada, é preciso que cubra totalmente o nariz, a boca e o queixo e que não fique folgada no rosto, especialmente nas laterais. Eles ainda recomendam que ao menos duas máscaras reservas sejam levadas dentro da bolsa.

"Entendo que nem todos podem abrir mão do transporte público, mas têm pessoas que tiram a máscara para fumar, coçar e limpar o rosto. Acabaram de encostar a mão no corrimão e põem ela na boca. Isso é inapropriado. Também não é bom tocar na parte da frente da máscara, pois pode estar infectada",  defende Ferreira.

Já para quem não descuida das medidas de segurança e acaba sentando ao lado de alguém sem máscara, o recomendável é sair de perto o mais rápido possível. "Não adianta chamar a atenção da outra pessoa, porque isso pode gerar confusão dentro do coletivo. Então o mais adequado é deixar o ambiente, mudar de poltrona", orienta Rúbia Miossi.

A falta de máscara fez com que duas passageiras trocassem agressões físicas dentro de um Transcol, na sexta-feira (16), em Vila Velha. A briga começou quando uma delas se negou a ficar no ônibus a proteção no rosto, embora seu uso seja obrigatório desde maio deste ano.

Mesmo após ser abordada pelo motorista, que pediu para que a mulher colocasse a proteção, ela resistiu. Outra passageira ficou indignada com a situação e a discussão teve início, o que resultou em xingamentos, socos e na ida de passageiros para prestar depoimento na delegacia.

Usuários do Sistema Transcol reclamam que tem sido frequente a circulação dos ônibus com lotação acima da capacidade ideal e com pessoas sem máscaras. De acordo com eles, os ônibus estão transitando sem um número máximo de pessoas e distanciamento social de 1,5 metro nos terminais não é fiscalizado.

(*) Maria Fernanda Conti é aluna do 23° Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob supervisão das editoras Joyce Meriguetti e Érica Vaz.

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