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Revitalização de ruas no Centro de Vitória não terá fiação subterrânea

Revitalização de ruas no Centro de Vitória não terá fiação subterrânea

Obra em vias históricas da Capital já começou, mas a falta de um projeto final para aterrar fiação diante de impasse entre prefeitura e EDP, somada às condições do solo de uma das vias, vai fazer com que sonho de moradores não se concretize

Publicado em 18 de março de 2026 às 12:04

Fiação encobre fachada de prédios históricos no Centro de Vitória
Fiação encobre fachada de prédios históricos no Centro de Vitória Crédito: Vitor Jubini

O projeto de revitalização das ruas Gama Rosa e Sete de Setembro, apresentado pela Prefeitura de Vitória em fevereiro, tem imagens que mostram um cenário há muito tempo sonhado pelos moradores do Centro, com calçadões amplos e fiação subterrânea, valorizando os imóveis históricos da região. No entanto, a falta de um projeto final para aterrar os fios, somada às condições do solo de uma das vias, fará com que as projeções não se concretizem totalmente.

Em entrevista à CBN Vitória em 4 de março, o secretário municipal de Obras, Gustavo Perin, afirmou que a prefeitura tinha por objetivo aterrar a fiação, mas encontrou dificuldades com a EDP, responsável pelo fornecimento de energia na cidade. "A equipe da Secretaria Municipal de Desenvolvimento (Sedec) tentou, desde a concepção do projeto... era uma premissa (aterrar os fios). Mas eles (EDP) são relutantes, resistentes, não dão viabilidade para fazer", manifestou.

Já a EDP, ao ser questionada por A Gazeta sobre as alegações do município, informou que não recebeu nenhum projeto formal do Executivo municipal. Destacou ainda que o próprio interessado, no caso a prefeitura, pode fazer a obra por conta própria e depois acionar a concessionária para fazer a conexão com a rede de energia elétrica.

Ao ser questionado se era a EDP ou a prefeitura que decidia se iria ou não aterrar os fios, o secretário afirmou que o serviço é de responsabilidade da distribuidora de energia, que atua sob o regime de concessão federal, e confirmou que a situação dos postes deve continuar como está.

"A gente pode até pagar. Ninguém falou que não era para pagar. Eles não dão viabilidade técnica para fazer. Como é que eu vou impor à distribuidora, que é uma concessão federal? Ela tem essa concessão federal, foi até renovada, para fazer distribuição. Eu falei: 'Nós vamos pagar, a gente está disposto a pagar'. Eles não dão viabilidade técnica. É igual você querer fazer uma ligação de água, de esgoto, e a Cesan falar: 'Aqui não tem viabilidade'", explicou o secretário.

A EDP não deu viabilidade técnica para implantar (a fiação subterrânea)

Gustavo Perin

Secretário Municipal de Obras

EDP diz que não recebeu projeto formal

A prefeitura justifica que não enviou um "projeto formal" porque dependia, primeiro, do fornecimento de dados básicos pela concessionária sobre sua própria infraestrutura. "Até o momento, a EDP não disponibilizou as informações solicitadas. Sem conhecer a rede atual e as cargas instaladas, é tecnicamente impossível elaborar um projeto de enterramento", afirmou o município.

Projeto mostra como Ruas Gama Rosa e Sete de Setembro ficarão após reforma por Prefeitura de Vitória

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, o primeiro contato com a EDP ocorreu em 6 de julho de 2022, por meio da Gerência de Projetos Urbanos (GPU), gerando o protocolo PRO0017939, que até hoje não foi respondido. Já em 2023, diante da necessidade de avançar com o projeto, a prefeitura realizou uma reunião em 4 de abril com a concessionária, na qual solicitou formalmente o cadastro das redes elétricas existentes e das cargas dos consumidores na área de interesse. Em 20 de abril, a prefeitura encaminhou à EDP o recorte da área de intervenção, para subsidiar a concessionária no fornecimento desses dados.

Procurada novamente pela reportagem, a concessionária afirmou que prestou todos os esclarecimentos e informações ao município e se coloca à disposição para esclarecimentos adicionais, se necessário. Disse ainda que opera com rede elétrica aérea, conforme normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e seguindo padrões técnicos para distribuição de energia.

A EDP destacou, por fim, que em caso de solicitação de redes subterrâneas, o projeto e o pedido devem ser submetidos pelo interessado à distribuidora, que irá definir os custos da obra para interligação da rede subterrânea e enviar o orçamento.

Condições do solo da região

Além do não envio do projeto final de aterramento, há um agravante urbanístico na região. De acordo com a prefeitura, no caso específico da Rua Sete, mesmo que houvesse autorização e informações da concessionária, o espaço no subsolo já está saturado.

Levantamentos feitos pelo município indicaram que a via é estreita e seu subsolo abriga redes de drenagem, esgoto, fibra óptica e outros serviços de dados, o que inviabiliza fisicamente a instalação de mais equipamentos sem um redesenho urbano complexo, que exigiria a cooperação de todos os órgãos e concessionárias envolvidas.

Sonho antigo de moradores

O presidente da Associação de Moradores (Amacentro), Walace Bonicenha, explicou que o projeto apresentado em 2021, em reuniões abertas com a comunidade, reivindicava, entre outros pontos, a retirada da fiação aérea com seu enterramento e a ampliação das calçadas e da praça. No entanto, houve mudanças ao longo dos últimos anos.

"Ao longo do processo, as alterações realizadas passaram a considerar principalmente as demandas de um segmento específico, o que resultou em mudanças significativas em relação ao desenho originalmente debatido. Na prática, acabou-se dando prioridade às posições de um pequeno grupo de moradores que defendia a manutenção de um modelo mais antigo de mobilidade e ocupação do espaço urbano, centrado sobretudo no uso do automóvel particular", manifestou.

Um ano de obras

A obra, prevista para durar um ano, começa no início do calçadão da Rua Sete de Setembro, na Praça Costa Pereira, e vai até a Praça Ubaldo Ramalhete. Após a conclusão dessa etapa, a intervenção prossegue pelo trecho até a Rua Coronel Monjardim. Depois, até a Rua Maria Saraiva.

Após essa primeira fase, a intervenção passa para a Rua Gama Rosa, no trecho entre a Rua São Francisco e a Rua 13 de Maio.  Posteriormente, até a interseção da Praça Ubaldo Ramalhete com as Ruas 13 de Maio e Coutinho Mascarenhas.

A expectativa inicial da prefeitura era intervir por último na Praça Ubaldo Ramalhete, mas a Secretaria Municipal de Obras estuda antecipar os trabalhos no local, atendendo a pedidos de comerciantes.

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