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Publicado em 16 de março de 2026 às 19:37
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na última quarta-feira (11), a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro a ter acesso e analisar provas da Operação Baest. A ação, realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo, em 2025, levou à apreensão de R$ 100 milhões e tinha por objetivo desarticular esquema de lavagem de dinheiro de recursos provientes do tráfico por meio do Primeiro Comando de Vitória (PCV).>
No pedido enviado a Moraes, a Polícia Federal justificou que a 2ª Vara Criminal de Vitória já havia autorizado o compartilhamento de provas da Baest e que as informações apuradas pela Polícia Civil no Espírito Santo podem convergir, de alguma forma, com o que tem sido investigado no Rio de Janeiro.>
"Observo que o compartilhamento de informações, com o envio de provas vinculadas à Operação Baest, poderá ser útil às investigações em curso, em razão da convergência dos elementos fáticos e probatórios, de modo que se revela razoável, adequado e pertinente o compartilhamento das informações", manifestou Moraes.>
O pedido da Polícia Federal ocorre no âmbito do inquérito que apura um suposto envolvimento do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias, alvo da Operação Zargun, com o Comando Vermelho. Ao concluir a investigação, a corporação indiciou o ex-parlamentar e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).>
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Também foram indiciados Jéssica de Oliveira Santos, Thárcio Nascimento Salgado e Flávia Ferraço Lopes Júdice, esposa do desembagador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O magistrado não foi indiciado por ter foro privilegiado e o caso dele foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que o denunciou nesta segunda-feira (16). Ele é acusado de vazar dados da Operação Zargun, o que teria favorecido TH Joias.>
Questionado por A Gazeta sobre a decisão de Moraes, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) explicou que requereu judicialmente a autorização de compartilhamento de provas produzidas na Operação Baest, que poderiam estar relacionadas a fatos investigados pela Polícia Federal.>
"O compartilhamento foi autorizado pelo Juízo Criminal e as provas foram compartilhadas com a Polícia Federal", destacou.>
O MPES salientou que as provas compartilhadas não têm relação com o objeto das investigações da Operação Baest e decorreram de "encontro fortuito", quando se concede validade a uma prova que até então era desconhecida e sem relação com o que era investigado originalmente. >
A Operação Baest ainda se encontra em fase de análise e sem denunciados. O relatório final foi concluído em setembro e enviado ao MPES, com o indiciamento de 20 pessoas. No entanto, o órgão ministerial não ofereceu denúncia contra ninguém e justificou que ainda analisa o grande volume de provas colhidas pela Polícia Civil e relacionadas aos indiciados.>
Além disso, surgiram novos elementos que podem levar toda a investigação da Baest a ser reanalisada e ganhar uma segunda fase. Isso porque, após o relatório ser concluído, foi revelado que haviam sido encontradas conversas do desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), com um empresário da Serra alvo da operação. No entanto, esses dados não foram inseridos no documento final.>
O Ministério Público então verificou que ainda existiam dispositivos cujos conteúdos não haviam sido extraídos nem analisados.>
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