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Macário reconhece vazamento de operação contra TH Joias, mas atribui ação à polícia

Macário reconhece vazamento de operação contra TH Joias, mas atribui ação à polícia

Declaração foi feita em sessão do TRF-2 ocorrida em 8 de setembro, cinco dias após o então deputado ser preso no Rio de Janeiro

Publicado em 3 de março de 2026 às 14:33

Macário Júdice Neto, desembargado preso pela PF
Macário Júdice Neto, desembargador do TRF-2 preso pela Polícia Federal Crédito: Cloves Louzada

desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), preso desde dezembro do ano passado sob suspeita de vazar a Operação Zargun — que levou à prisão do então deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos, o TH Jóias —, reconheceu que houve vazamento da ação policial, mas atribuiu o ato a policiais envolvidos nas prisões e apreensões.

A afirmação do desembargador foi feita durante uma sessão de julgamento do caso no TRF-2, em 8 de setembro de 2025, cinco dias após TH Joias ser preso.

“A operação vazou. E não foi na Justiça Federal. Eu fui contra a execução dos mandados junto com a Polícia Civil, não porque desconfio ou não confio na Polícia Civil. Porque, depois que três ou quatro se unem, vira comício”, declarou Macário Júdice, relator do caso no TRF-2. Ouça abaixo a fala na íntegra.

Afirmação de desembargador foi feita em 8 de setembro de 2025, em sessão de julgamento no TRF-2

Conforme informado pelo jornal O Globo, a transcrição do voto de Macário consta no relatório da Polícia Federal entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Diferentemente dos outros investigados, o magistrado não foi indiciado por ser desembargador federal. Dessa forma, o caso teve de ser levado à PGR, que vai avaliar se oferece ou não denúncia contra ele.

A Polícia Federal indiciou a esposa do desembargador, Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj); o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União); e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva.

Macário disse que alertou o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Fábio Galvão, a não fazer a operação em conjunto.

“E fizeram. E tiveram a dificuldade de prender o TH porque a operação vazou. Então talvez essa seja a situação de não encontrarem armas, dinheiro. Depois das 18h do dia anterior da prisão, já sabiam. Quem é que ia deixar alguma coisa à mostra?”, manifestou o desembargador.

Entenda as suspeitas contra o desembargador

A investigação da Polícia Federal apontou que Macário teria vazado informações da Operação Zargun. A principal linha de apuração se baseia em um suposto encontro do desembargador com o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, em um jantar em 2 de setembro, véspera da ação policial que levou à prisão de TH Joias.

Os advogados de Macário Júdice pretendiam usar as informações das antenas de celular para provar que o desembargador não estava nesse jantar, que teria motivado sua prisão, e, a partir dessa prova, solicitar que ele fosse solto.

Agentes confirmaram que houve uma troca de mensagens, às 22h12 de 2 de setembro, entre o assessor de Bacellar, Rui Carvalho Bulhões Júnior, e o parlamentar. Na conversa, o então presidente da Alerj teria relatado a Rui que estava em uma reunião com o desembargador capixaba, em uma churrascaria.

A PF ainda teria encontrado, no celular do presidente da Alerj, mensagens trocadas entre ele e o desembargador, o que embasou a investigação. Depois disso, Bacellar teria avisado TH Joias sobre a operação da Polícia Federal.

Após ser avisado por Bacellar, TH Joias teria apagado dados do seu celular e se desfeito de objetos em casa. Com um aparelho novo, teria colocado Bacellar como primeiro contato na lista de comunicação urgente. Enquanto a Polícia Federal estava em sua residência, o então deputado enviou ao presidente da Alerj uma foto das imagens do sistema de segurança que mostravam a equipe dentro do local. Os ambientes estavam revirados e faltavam móveis.

Em 3 de dezembro, Bacellar foi preso durante outra operação, a primeira fase da Unha e Carne, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações mostraram indícios de que TH Joias usava o mandato para favorecer o Comando Vermelho e intermediava compra e venda de fuzis, além de drogas e equipamentos antidrones.

De acordo com a denúncia, esses equipamentos eram utilizados para impedir ações policiais em áreas sob domínio da facção. TH ainda é acusado de nomear para cargos na Alerj pessoas investigadas por envolvimento com o CV.

A defesa de Bacellar afirmou que ele não atuou para obstruir investigações e negou ter vazado informações a possíveis alvos de operações da Polícia Federal. Os advogados dizem ainda que Bacellar foi ouvido pela PF e esclareceu tudo o que lhe foi perguntado.

Ainda segundo a defesa, o então presidente da Alerj não teria jantado com o desembargador na véspera da prisão de TH Joias. Segundo o advogado de Bacellar, o desembargador “teve o nome mencionado em vão” durante uma conversa entre seu cliente e TH Joias.

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