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Esposa de desembargador do ES preso é indiciada pela Polícia Federal

Esposa de desembargador do ES preso é indiciada pela Polícia Federal

Em dezembro do ano passado, a casa de Flávia e Macário Júdice, no Espírito Santo, foi alvo de busca e apreensão

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 20:06

Flávia Ferraço e Macário Júdice
Flávia e Macário Júdice Neto Crédito: Redes sociais

Polícia Federal (PF) indiciou Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e esposa do desembargador Macário Júdice Neto. O magistrado não foi indiciado por ter foro privilegiado, mas está preso desde 16 de dezembro do ano passado, por suspeita de obstrução de investigação. Ele teria vazado informações sigilosas sobre a Operação Zargun, que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB).

Flávia exercia o cargo de assessor 9 e atuava na diretoria-geral da presidência da Alerj.  Sua exoneração na Casa de Leis ocorreu em 6 de novembro de 2025, a pedido dela. A informação do indiciamento da esposa de Macário foi confirmada pela reportagem do Estadão.

Em dezembro do ano passado, a casa do desembargador e de Flávia no Espírito Santo foi alvo de busca e apreensão. À época, não havia confirmação de que ela era investigada na ação que prendeu seu marido. A reportagem tenta localizar a defesa de Flávia. O espaço segue aberto para manifestações.

Outros indiciados

A PF também indiciou o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), por suspeita de manterem laços com o Comando Vermelho (CV), incluindo vazamento de informações para favorecer o tráfico de drogas.

A defesa de Bacellar, conduzida pelo advogado Daniel Leon Bialski, afirma que o indiciamento é "arbitrário e abusivo". No mesmo inquérito, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, ambos ligados a TH Joias, foram indiciados.

Segundo a PF, Bacellar é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, em que o então deputado estadual TH Joias foi preso acusado de ligação criminosa com a facção Comando Vermelho.

TH foi detido em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armas, fuzis e equipamentos antidrones para o Comando Vermelho e de usar o mandato para favorecer a facção.

A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH. Naquele mês, ele anunciou a abertura de investigação sobre possível vazamento de informações da operação, após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas.

As investigações da Operação Zargun identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão, no Rio, e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, ex-secretário municipal e estadual e TH Joias.

A organização, segundo a PF, infiltrou-se na administração pública "para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais".

Operação Unha e Carne

Rodrigo Bacellar foi preso em 12 de dezembro pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne.

A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas. De acordo com Moraes, a PF argumentou que Bacellar orientou TH Joias na "remoção de objetos de sua residência", indicando um envolvimento direto "no encobrimento do investigado à atuação dos órgãos de persecução penal".

Bacellar, afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, renovou o pedido de licença do mandato. Ele está sem exercer o cargo desde 10 de dezembro.

Bacellar ocupava o comando da Casa desde 2023. Nesse período, chegou a ocupar interinamente o cargo de governador na ausência do titular Cláudio Castro (PL)

Cinco dias depois da prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o plenário da Assembleia do Rio decidiu, por 42 votos a 21, pela soltura de Bacellar.

Com a palavra, o criminalista Daniel Leon Bialski, que defende Rodrigo Bacellar

"Em relação ao Presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas. Dessa forma, arbitrário e abusivo o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores."

* Com informações da Agência Estado

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