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Violência no trânsito é ainda mais brutal para quem está de moto

As causas dos acidentes com motocicletas, como o que matou a jovem Amanda no último sábado, podem ser distintas, mas as dinâmicas têm sempre em comum a brutalidade

Publicado em 22/04/2021 às 02h00
Moto
Motocicleta de Igor, jovem de 19 anos que morreu no último dia 12, após um acidente na BR 482, no município de Alegre, no Sul do Espírito Santo. Crédito: Corpo de Bombeiros

Amanda. Ronny. Sara. Francisco. Lucineia. Igor. Esses são apenas alguns dos nomes das 11 pessoas que morreram em acidentes envolvendo motocicletas em todo o Espírito Santo desde o início de abril, de acordo com os registros no noticiário deste jornal. Essas perdas abruptas, que causam tanta comoção, têm assustado por sua recorrência. A violência no trânsito pode ser ainda mais brutal para quem está sobre duas rodas, em uma situação mais vulnerável do que em veículos de grande porte.

Levantamento do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar referente ao ano de 2019 mostra que essa fragilidade se reflete nos números de óbitos. Naquele ano, de acordo com os registros, 25 motociclistas perderam a vida na Grande Vitória, de um total de 66 mortes em acidentes no trânsito. Os trechos de rodovias federais que cortam a região não entraram na contabilidade, por serem de responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal.

As vias, tanto urbanas quanto as rodovias, são mais hostis para quem conduz uma motocicleta do que para quem está dentro de um automóvel. O trânsito pode ser encarado como as cadeias alimentares, sendo que motociclistas, ciclistas e pedestres acabam sendo as maiores vítimas dos "predadores". Se a imprudência e a falta de atenção são um risco para qualquer condutor, no caso dos motociclistas elas tendem a ser fatais, ao unir velocidade e falta de proteção.

E a barbárie nas ruas fica ainda mais explícita quando o álcool faz parte do enredo. Menos de um mês após o início da vigência do novo Código de Trânsito Brasileiro, que passou a impor a pena de prisão, não comutativa por penas alternativas, para os motoristas condenados por provocarem mortes na condução de seus veículos, um acidente, na Rodovia Darly Santos, tirou a vida de Amanda Marques Pinto, de 20 anos

O motorista suspeito de provocar a batida foi preso em flagrante e se recusou a fazer o teste de etilômetro no local. Testemunhas afirmaram que o motorista apresentava sinais de embriaguez, o que não pôde ser comprovado. A Polícia Civil autuou o condutor em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor, crime previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro.

A mudança no Código de Trânsito é um avanço inequívoco, uma forma de se atacar a impunidade. Mas para isso também será exigida celeridade da Justiça. Tudo para moldar uma esperada mudança de comportamento, que precisa ser radical: álcool e direção não podem estar associados em nenhuma hipótese. A Lei Seca, desde 2008, determina essa máxima.

As causas dos acidentes com motos podem ser distintas, mas as dinâmicas têm sempre em comum a brutalidade. Ronny de Souza Garcia e Sara Ferreira Menditi eram dois amigos que estavam juntos no veículo na BR 393, em Muqui, no Sul do Estado. Não se sabe o que provocou o acidente, ocorrido na manhã do último domingo (18), apenas que os corpos foram encontrados perto da moto. Não houve tempo para o resgate, morreram ali mesmo. 

Já no último dia 14, o produtor rural Francisco Tomanini, de 52 anos, pilotava a moto com a mulher dele, Lucineia de Paula Cunha, no carona. Percorriam a BR 259, em Colatina, quando sofreram um acidente. Ele morreu no local, enquanto a companheira chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer no dia em que fez 41 anos, na chegada ao Hospital Estadual Sílvio Avidos.

São episódios assustadores. E recorrentes demais para serem encarados como mero acaso. Em 2019, um levantamento divulgado pela Folha de S. Paulo mostrava que, nos dez anos anteriores, 200 mil brasileiros haviam morrido em decorrência de acidentes com motos. E pelo menos outros 2,5 milhões ficaram permanentemente inválidos para o trabalho. Os dados foram obtidos a partir do  seguro Dpvat, para danos causados por veículos.

Motocicletas são um meio de transporte mais acessível, além de terem se tornado uma ferramenta de trabalho para tanta gente enfrentar a crise. Mais segurança é imprescindível, e o comportamento de cada um no trânsito, aliado à fiscalização rigorosa, é o que pode fazer a diferença.

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