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Um ano depois do primeiro caso de Covid-19 no ES, ainda não é permitido relaxar

A crise sanitária ainda está longe de acabar, mas é possível contorná-la com medidas racionais, sobretudo com posturas individuais mais zelosas

Publicado em 05/03/2021 às 02h00
Memória
Grupo colocou cruzes na areia da Praia de Camburi, em Vitória, em 21 de junho de 2020, em memória das vítimas da Covid-19 no Espírito Santo. Crédito: Plenária contra a Covid-19

Há um ano, este jornal noticiava o primeiro caso confirmado do novo coronavírus no Espírito Santo. Naquele 5 de março de 2020,  o nome da doença, Covid-19, adotado pela OMS no início de fevereiro, ainda começava a se popularizar, com o primeiro registro capixaba sendo o oitavo confirmado pelo Ministério da Saúde no Brasil naquele momento. Posteriormente, investigações epidemiológicas confirmaram a presença de anticorpos em pacientes do Espírito Santo nos meses anteriores, indicando que o vírus já circulava por aqui antes do primeiro caso confirmado.

Um ano depois, com  recordes diários sucessivos de mortes pela doença no país e pelo menos 19 Estados com risco iminente de colapso nos sistemas de saúde, especialistas da área  afirmam categoricamente que, nacionalmente, este é o período mais crítico da pandemia desde que ela foi declarada, em 11 de março do ano passado.

O Espírito Santo, também um ano depois, permanece alerta. O Painel de Ocupação de Leitos Hospitalares, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), apontava nesta quinta-feira (04) a taxa de ocupação de 80,1% dos leitos de UTI e 69,6% dos leitos de enfermaria. Nesta mesma data, o Estado registrou 1.001 pacientes em leitos públicos, o maior número desde 11 de janeiro. O sistema de saúde no Estado volta a ser pressionado, mas com a promessa de abertura de novas unidades.

O governador Renato Casagrande já anunciou uma nova expansão, com 158 leitos de UTI exclusivos para Covid-19. Os primeiros 70 devem ser abertos até o final da primeira quinzena de março e outros 48 até o fim do mês. Em abril, devem ser entregues os últimos 40. Justamente o período para o qual o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, já afirmou haver projeções de um novo pico de transmissão da doença no Espírito Santo.

É a terceira onda que começa a se formar. E ninguém pode afirmar que será uma surpresa, com as estatísticas expostas e os constantes avisos das autoridades estaduais, tornados públicos pela imprensa. O Estado estabeleceu uma matriz de risco que tem sido a bússola para a decisão rápida de medidas mais restritivas de circulação em cada um dos 78 municípios, mas independentemente de decretos e imposições de novas regras, o fator comportamento individual ainda é o mais importante. 

Um ano depois, a população está cansada. Uma parcela relevante perdeu emprego e renda, enquanto as decisões no âmbito federal sobre a continuidade do auxílio emergencial engatinham. A pandemia afeta diretamente a vida das pessoas em várias esferas, pela perda de um ente querido, pela falta de trabalho e mesmo pelos aspectos emocionais. A fadiga é compreensível, mas não o afrouxamento dos cuidados. Não se avista ainda a vacinação em massa, e, enquanto se espera, a prevenção continua sendo imprescindível para que haja controle do contágio.

Quando se olha para trás, é impossível  encarar os 6.499 óbitos pela doença no Estado sem consternação. A tragédia capixaba só não foi mais dolorosa porque, diferentemente do negacionismo que ainda pauta o governo Bolsonaro, a população do Espírito Santo testemunhou uma gestão atuante e participativa. O gerenciamento estadual do sistema de saúde foi exemplar, sem omissões. Houve contingência desde o primeiro momento, com remanejamento da infraestrutura hospitalar para potencializar o tratamento dos pacientes da doença.

O governo estadual também se antecipou na compra de seringas e agulhas diante da iminência das vacinas. E quando percebeu a leniência do Planalto na compra dos imunizantes, abriu negociações com laboratórios. O impasse na aquisição das vacinas se prolongou no âmbito federal, mas não se pode dizer que as autoridades estaduais cruzaram os braços.

O Espírito Santo teve destaque no enfrentamento da pandemia a ponto de poder estender a mão a outros entes, ao receber pacientes do Amazonas, Rondônia e Santa Catarina, como já foi dito neste espaço. O retrospecto da Covid-19 em terras capixabas permite afirmar que foi possível consolidar uma relação de confiança do cidadão com os gestores da crise, baseada em transparência e decisões assertivas.

Um ano depois, a crise sanitária ainda está longe de acabar, mas é possível contorná-la com medidas racionais, sobretudo com posturas individuais mais zelosas. Um ano depois, ainda não é permitido relaxar.

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