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Está nas mãos de cada um não prolongar ainda mais a agonia desta quarentena

Ônibus municipais e do Sistema Transcol não terão permissão para circular a partir deste domingo (28), em um movimento inédito desde o início da pandemia no Estado, para tentar reduzir consideravelmente a circulação de pessoas

Publicado em 26/03/2021 às 02h00
Transcol
Terminal de Vila Velha: nenhum ônibus do Transcol vai circular entre 28 de março e 4 de abril. Crédito: Fernando Madeira

Pela primeira vez, os transportes público, rodoviário e ferroviário de passageiros no Espírito Santo estarão proibidos. A medida drástica tomada pelo governo estadual acontece após uma semana de quarentena na qual expectativas não foram alcançadas, o que exigiu a sua prorrogação, com novas imposições, até 4 de abril, feriado de Páscoa. Mais uma vez a confraternização e o lazer do feriadão terão que ser abdicados. A sociedade precisa se comprometer com o cumprimento do isolamento e entender, de uma vez por todas, que quanto mais se luta contra as restrições, mais tempo elas são necessárias. E assim se prolonga a agonia.

Ônibus municipais e do Sistema Transcol não terão permissão para circular a partir deste domingo (28), em um movimento inédito desde o início da pandemia no Estado, para tentar reduzir consideravelmente a circulação de pessoas, a ponto de conseguir desacelerar a velocidade do contágio da Covid-19 e diminuir a pressão no sistema de saúde. Ônibus intermunicipais tampouco poderão fazer viagens entre as cidades, com o fechamento de rodoviárias. E o trem de passageiros da Vale terá atividades suspensas.

É um degrau mais perto do lockdown, mas ainda não pode ser assim denominado porque apesar de limitar a livre circulação de quem depende desses meios para se locomover dentro dos municípios ou entre eles, ainda não há impedimento legal para que as pessoas saiam às ruas.

Não há proibição, mas fica cada vez mais oportuno colocar essa recusa insistente em se comprometer com a quarentena no campo da moral. O encontro do negacionismo com a defesa de uma pretensa liberdade individual que atropela o bem comum é o que está tornando essa jornada mais longa do que deveria. Outros países conseguiram, por que só o brasileiro é incapaz disso? 

Uma semana após o início da quarentena, o índice de isolamento social chegou a 39,4% no Espírito Santo. Um percentual ínfimo, muito distante dos 70% que são considerados ideais por especialistas para que haja impacto na redução da disseminação do vírus. O próprio governo estadual tinha pretensões menos ambiciosas, esperando que ao menos metade da população evitasse sair de casa. Nem isso foi possível. Mas, ao mesmo tempo, é possível que, sem esse grau baixo de engajamento, o colapso já fosse uma realidade a esta altura. O pouco que foi feito valeu a pena.

Já a redução no uso do transporte público foi de 20%. Desde o início da pandemia, o impasse entre o tamanho da frota circulando e a superlotação foi cotidianamente colocado em questão tanto por críticos quanto por apoiadores das medidas restritivas. E de fato a incapacidade de reduzir o número de passageiros expôs alguns dos dilemas sociais dessa pandemia, que colocam frente a frente quem pode se dar ao luxo de ficar em casa e quem não tem saída e precisa buscar o sustento.

Com os ônibus fora de circulação, os serviços essenciais com permissão para funcionar até 4 de abril terão de arcar com o transporte de seus funcionários por uma semana. Já quem circular pela Grande Vitória sem necessidade não terá como fazer isso sem gastar mais com táxi ou transporte por aplicativo.

Não é um castigo para a população ou para o comércio e o setor de serviços, com restrições ainda mais pesadas nesta segunda fase da quarentena. É um remédio amargo que precisa ser administrado, já que não há ainda uma ampla cobertura vacinal que proteja as pessoas e evite casos graves da doença. Na iminência do colapso hospitalar, é inevitável dar um passo para trás, justamente para evitar que cidadãos tenham atendimento médico negado quando mais precisam. A morte por Covid-19 é dolorosa demais, é a dignidade de cada um e de seus familiares que se busca preservar. Vidas são o único bem irrecuperável.

Deveria ser simples entender que é mais barato para todo mundo usar máscara, lavar as mãos e evitar aglomerações. As medidas foram apertadas e são difíceis em diferentes níveis, para alguns setores em vulnerabilidade social são um drama que só será amenizado com o pagamento do novo auxílio emergencial.

O que continua sendo inaceitável é que aqueles com renda e empregos garantidos neste momento continuem se reunindo com amigos ou se recusem a usar máscara, como se o Espírito Santo não estivesse no ponto mais crítico dessa pandemia. A insensibilidade de quem pode se recolher e se cuidar neste momento dramático e não o faz é cruel. E, pior, pode fazer essa aflição durar ainda mais, com medidas ainda mais duras.

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