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Meaípe

Cenário de crime: conheça o sítio onde Dante Michelini foi morto no ES

A Gazeta foi ao local onde vítima foi assassinada, acompanhada pela equipe da Polícia Civil que elucidou o crime; confira fotos e vídeos

Públicado em 

19 fev 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

O que era um refúgio de isolamento voluntário transformou-se em um cenário de crime. O Sítio Pequeira, localizado na região de Meaípe, em Guarapari, guarda não só os rastros do assassinato de Dante Brito Michelini, praticado com extrema violência, mas de anos de abandono.
No último dia 13, nossa equipe foi ao local, acompanhada pelos policiais civis da DHPP de Guarapari, liderada pelo delegado Franco Malini, e também com o delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP).
A investigação realizada por eles levou ao autor confesso do crime, Willian Santos Monzoli, cujas informações ajudaram a localizar a cabeça da vítima, que foi decapitada, e entender a dinâmica da ação criminosa. 
A propriedade, de mais de 50 mil m², é cercada por uma vegetação densa que avançou sobre as estradas internas, onde o mato alto dificulta o acesso. Há galpões fechados, quartos entulhados de objetos pessoais e documentos espalhados. Parte da estrutura da casa ruiu com o incêndio que sucedeu o assassinato.
O delegado Franco Malini conta que precisou usar um facão para reduzir o mato e ter acesso à casa principal.
Aos policiais, os caseiros relataram que Dante não autorizava a limpeza da residência ou corte do mato, permitindo somente uma trilha por onde passava com sua moto.
A casa principal ainda guarda o odor da morte. O corpo da vítima, decapitada, foi encontrado na varanda no dia 3 de fevereiro. Estima-se que tenha sido morto quase 15 dias antes.
Cheiro semelhante exalava da piscina, um dos símbolos da decadência da propriedade. A desconfiança inicial era de que a cabeça de Dante tinha sido abandonada no espaço, afogada no acúmulo de água parada, limo e restos de peixes mortos. 
Ela chegou a ser esvaziada, mas descobriram que o que parecia ser o crânio era o caso de duas tartarugas.

Vida isolada

Dante vivia uma rotina de pouco convívio social. Há relatos que saía de casa com máscara e boné para não ser reconhecido por um suposto envolvimento no sequestro e morte de Araceli Cabrera Crespo, ocorrido há 50 anos.
Lançou mão de porteiras, cadeados, câmeras de monitoramento e sensores de presença para evitar que o sítio onde vivia fosse utilizado como atalho.
Mas nada disto conseguiu impedir o retorno de um invasor, que burlou a tecnologia e flagrou a vítima em sua varanda. 
Naquele início de noite Dante foi golpeado, agredido e decapitado. Willian informou à polícia que usou utensílios do sítio como armas para a agressão e o crime: uma faca com soco inglês, um instrumento agrícola e uma madeira.
Levou a cabeça. Com ela embaixo do braço, pulou cercas e porteiras. Parou na praia, onde a manteve no colo até decidir que o descarte seria feito no Canal de Guarapari.
Naquele dia, antes de deixar o sítio, incendiou a casa com um isqueiro de Dante. Contou aos policiais que ficou revoltado com fotos que viu nas paredes. No dia seguinte, voltou ao local do crime  para conversar com o corpo sem cabeça enquanto fumava um cigarro de maconha.
Foi preso cerca de oito dias após o crime, ao ser flagrado em uma tentativa de roubo. Contra ele havia um mandado da Justiça da Bahia por descumprimento de medida protetiva.  Semanas depois confessou o assassinato de Dante.
A polícia avalia que o isolamento do sítio impediu que o cheiro do corpo em decomposição chamasse a atenção dos vizinhos. A fumaça do incêndio pode não ter sido vista em função das chuvas locais. Quem descobriu o crime foram os caseiros.
As imagens das câmeras não foram recuperadas. O fogo consumiu os computadores onde os registros eram armazenados. E avançou implacável sobre o piano, louças, roupas, móveis, motocicletas e objetos guardados, transformando em cinzas parte do acervo da família.

Defesa

Os advogados Ricardo Gilbert Côco e Yara Karlla Rodrigues Januth, que representam o autor confesso do crime, discordam das conclusões da Polícia Civil.
Assinalam que o crime veio da indignação com o assassinato de Araceli. "Ele disse que teve o sentimento de fazer justiça, ao pensar no sofrimento da família de Araceli e que o mesmo poderia ter ocorrido com seu filho”, informou Ricardo Gilbert Côco em entrevista no último dia 12.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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