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Lembranças

Do escurinho do cinema cutucando a memória tardia

Nesta madrugada, depois de ler um pouquinho, foi entrando mente adentro cenas e mais cenas, a maioria originadas de filmes ou peças de teatro

Públicado em 

16 fev 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Cinema
Os filmes de guerra produzidos pelos Estados Unidos eram uma maravilha Crédito: Pixabay
Ninguém gosta dos filmes de Cecil B. DeMille, exceto o público. Nem sei se ele ganhou ou deixou de ganhar um Oscar ou outro prêmio à magia do cinema. Só sei que o senhor Cecil enchia, em todos os sentidos, as salas de cinema.
Em “Os Dez Mandamentos”, a projeção foi dividida em dois tempos, com intervalo e tudo. A plebe ignara ficava torcendo para os egípcios contra o povo judeu durante a travessia do Mar Vermelho, quando marchavam para a outra margem por milagre de Jeová. De tanto gritarem e orarem o Mar Vermelho se abriu para dar passagem, porque saco tem limite.
Queridos leitores, a memória visual é fundamental. A existência depende do alter ego. O outro é que torna real as nossas coisas. Então, a lembrança de uma pessoa ou coisa está inevitavelmente associada à cena real. É difícil trazer à lembrança a imagem do próprio Cristo sem a cruz. Aliás, a própria cruz já simboliza o filho de Deus.
Nesta madrugada, depois de ler um pouquinho, foi entrando mente adentro cenas e mais cenas, a maioria originadas de filmes ou peças de teatro. Até conseguir dormir e sonhar com a peça “O Barbeiro de Sevilla, de Gioachino Rossini. Ninguém governa mesmo o inconsciente. Freud tinha razão.
As façanhas do Super-Homem em preto-e-branco na minha infância enchiam minha alma de emoção, principalmente pelos superpoderes. O alter ego do herói, o jornalista Clark Kent, do Planeta Diário, de repente, não mais que de repente, enfia-se em uma cabine telefônica e aparece no meu sonho.
O homem com a vestimenta discreta, para não chamar atenção, usava capa vermelha, botas roxas e camisa azul, imagino. No interior do meu dormir, ele foi chamado para uma urgente missão heróica: salvar uma pessoa prestes a ser atropelada por uma bicicleta.
No caminho vinha derrubando tudo. Para salvar uma vitima de bandidos, derrubava metade dos prédios de Nova York. Não sei até hoje como pôde dar certo seu namoro íntimo com Miriam Lane, considerando que tudo, mas tudo mesmo no filho de Kripton era de aço. Pobre mulher.
O sonhar e imaginar infantil tinha lá suas peculiaridades.
Nos primórdios da minha infância, no desenho animado não havia a menor menção a sexo: ninguém era filho de ninguém na Disneyworld. Como ocorre nos dias de hoje, dinheiro é muito mais importante que amor e se multiplica mais.
Uma única moeda da sorte, de um único pato, Tio Patinhas, gerava toda a bonança da revistinha. A bela pata Margarida não dava muita bola para o único figurante que trabalhava, o Pato Donald: que vivia na merda. Ela preferia seu primo rico, o Gastão, que achava dinheiro no chão. O Pateta era um pateta.
Os donos do pedaço, os americanos, para obter a maravilhosa submissão do Brasil na Segunda Guerra, criaram o Zé Carioca, na galhofa (os pracinhas foram realmente heróis e morreram quase todos defendendo a nossa pátria amada). Os donos da guerra não apoiavam como deviam a tropa da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
Mesmo assim, sem a devida proteção, nem nas vestimentas, nem nos armamentos de guerra indispensáveis, tomaram dois montes inexpugnáveis, Castelo e Cassino, dos italianos fascistas. Este foi o verdadeiro campeonato mundial ganho pelo Brasil.
O Capitão Marvel e sua família, o Junior e a Mary, voavam, voavam, voavam e voavam. Eu adoro dizer que a palavra é a comunicação da vida, no caso dos Marvel, “Shazam”. Olha só que time imbatível, S de Salomão, H de Hércules, A de Atlas, e M de Mercúrio. Era falar e transformar-se.
Os filmes de guerra produzidos pelos Estados Unidos eram uma maravilha. Teve um, “Torpedo”, com Glenn Ford, pior que esse pandemônio. Pelo roteiro do filme de propaganda pós-guerra, um único submarino afundava o Japão. Todo mundo no cinema torcia e vibrava. Depois, era só comer pipoca com ar de vencedores. Era bom, esse delírio.
Se o sono não vem, penso no amor.
As atrizes, ah, as atrizes. Sophia Loren, também conhecida na rua lá de casa como “Inspiração”, chefiava. Adelaide Chiozzo, Eliana Macedo e sua irmã Zezé, da Escolhinha do Professor Raymundo, “vivem” até hoje. Já os galãs como Cyll Farney, Mazzaropi, e outros, faziam os modelos da época.
O gênio do Chico Anysio deixa a gente navegar pelo simplório e sofisticado humor. Saibam vocês que ele recolhia para a TV Globo os gênios do humor e da fantasia amorosa das décadas passadas.
É ou não é Walter D’Ávila? Deixa eu recordar de ti antes que aprovem o esquecimento obrigatório.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, dorme.
Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião de A Gazeta.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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