Com o melhor IDHM da região do Caparaó (0,721 – alto, de acordo com a classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), um robusto campus universitário formado por dois centros federais e um faculdade municipal, escolas secundárias de bom nível e um dos Institutos Federais que já foi modelo no Brasil, a cidade de
Alegre, no Sul do Espírito Santo, vai ter mais um motivo para se orgulhar.
É que está em fase de finalização o Projeto Memória Musical Du Alegre, desenvolvido pelo tenente músico da
Polícia Militar Marco Aurélio Oliveira, 51 anos. O trabalho é resultado da quarentena imposta pela pandemia da
Covid-19 e está sendo viabilizado por meio de uma campanha de financiamento coletivo que vai até o dia 7 de novembro, quando ele pretende completar a arrecadação de R$ 10 mil pelo site
www.benfeitoria.com/memoriamusicaldualegre.
Há quatro níveis de doações: R$ 35, R$ 50, R$ 80 e R$ 100. Para cada doação, que o maestro chama de benfeitoria, há um tipo de recompensa, desde o acesso a um link para download do CD, até o maior valor, pelo qual o benfeitor recebe um CD autografado e mais dois CDs para presentear aos amigos. Se não conseguir atingir a meta de R$ 10 mil, o dinheiro volta para quem doou e começa tudo de novo. Mas Marco Aurélio está otimista e entusiasmado com o projeto.
“Não faço a mínima ideia de como será a repercussão quando o projeto estiver concluído, mas, sinceramente, acho que, se daqui a 50 anos, quando talvez eu não esteja mais por aqui, se alguém ou algum músico de Alegre escutasse o CD ou tocasse os arranjos e partituras, eu teria atingido a repercussão que almejo”, reflete Marco Aurélio, que, além de 2º tenente da Banda de Música da Polícia Militar, também é regente no Projeto sociocultural Banda Júnior da PMES.
Quando Marco Aurélio nasceu, em 23 de setembro de 1969, Alegre já contava 78 anos de idade. Está fazendo 200 anos que as primeiras incursões do capitão-mor Manoel Esteve de Limas, de Minas Gerais, foram feitas na região, em 1820. Alegre foi emancipada de Cachoeiro de Itapemirim em 6 de janeiro de 1891 e chegou a ter a maior população do Estado, na década de 1920, com mais de 120 mil habitantes na época áurea do plantio de café no Sul do Estado, segundo registros históricos da cidade.
Marco Aurélio é clarinetista e saxofonista, iniciou seus estudos de música na Banda Lira Carlos Gomes, uma das muitas que Alegre já teve, e formou-se em licenciatura em música pela
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O regente resgatou partituras de músicas que ninguém sabia que ainda existiam. São chorinhos, valsas, bossa nova e fox trot, contemplando os compositores Saint Clair Pinheiro, Paulo Abreu e Wilson Laerte, que viveram em meados do século passado e que agora são levados ao conhecimento da geração mais jovem.
O maestro conta que ele não está sozinho no projeto musical. "Várias pessoas participaram de muitas formas neste projeto. Familiares dos compositores que me cederam partituras, colegas músicos que abraçaram o projeto, mesmo não sendo “du” Alegre. Citar nomes aqui ficaria difícil, pois certamente esqueceria alguém, mas, dentre os músicos, quero destacar o Toni Lemos e seu filho Marcelo Lemos, que cantaram uma das duas faixas que não são instrumentais".
Mas ele destaca a importância do financiamento coletivo do CD: "Mas, sem dúvida, os parceiros mais importantes são os benfeitores que estão tornando o projeto possível. Já são mais de 70 benfeitores que aderiram à ideia. Ainda falta trazer mais benfeitores para o projeto".