A Log-In Logística, empresa responsável pelo Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), o único a operar contêineres no Espírito Santo, enxerga a expansão do TVV, liberada há poucos dias pela Receita Federal, como uma grande oportunidade de mudar o patamar da operação capixaba. Na visão de Gustavo Paixão, diretor-geral de Terminais da Log-In, a ampliação da área em mais de 60% (de 103 mil m² para 168 mil m²), junto com os investimentos em equipamentos feitos nos últimos anos, dão fôlego ao TVV.
"É um momento importante para o comércio internacional do Espírito Santo. Fizemos uma série de investimentos em equipamentos nos últimos anos, que aumentaram a eficiência do terminal, mas precisávamos de mais área. Essa liberação por parte da Receita Federal conclui um ciclo relevante. O TVV chegou a operar com 120% da sua capacidade, quase colapsando, o normal são 85%. Agora, teremos condições de performar no mais alto nível, em condições adequadas. A área útil do terminal foi ampliada em mais de 60%, ampliamos os espaços cobertos em 90% (para 28 mil m²) e temos condições de aumentar a movimentação de contêineres em 40%. Temos, a partir de agora, plenas condições de atender os chamados picos de demanda, que fogem da normalidade da operação, caso, por exemplo, do auge da safra do café, que começa agora. Em 2024, só para lembrar de um caso, ficamos em situação complicada neste mesmo período", disse Paixão.
Pelas contas do executivo, a performance operacional tem condições de aumentar em 40% em relação ao topo da movimentação já registrada, que se deu em 2024. Naquele ano, o TVV operou 354 mil TEUs (unidade de medida que representa um contêiner de 20 pés, que é o mais utilizado), agora, pode chegar aos 495 mil TEUs. "Temos condições de manter as cargas que já estão aqui, o que já é ótimo, e começar a capturar alguma coisa que está indo para Rio de Janeiro e até Santos. Falo, por exemplo, de operação offshore, caso de tubos utilizados na produção de óleo e gás, e produtos siderúrgicos. Importante dizer que a volta da operação ferroviária dentro do porto é fundamental nesse processo. Queremos chegar aos 85% de capacidade até o final de 2026".
Mas existem algumas preocupações no horizonte. "Hoje, aqui em Vitória, a largura limite das embarcações é de 32,49 metros, precisamos fazer chegar a 37,5 metros. O que isso significa? Atualmente, só temos capacidade para receber quatro navios da frota da Log-In. Com os 37,5 metros, poderíamos receber todos os nove. Teríamos condições de receber todos os navios que fazem cabotagem no Brasil. Tem demanda para navegação nacional e de longo curso, que é a internacional, mas precisamos de capacidade. Outra coisa que precisa ser solucionada é o acesso ao porto por Vila Velha. A ponte (sobre o Rio Aribiri) é de mão e contramão, não atende mais a demanda do porto. É algo que precisa ser solucionado, trava a expansão do comércio internacional do Espírito Santo. A Vports (concessionária responsável pelo Porto de Vitória) está atuando, mas a sociedade precisa apoiar. É fundamental para o desenvolvimento do complexo", assinalou Gustavo Paixão.
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