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Reflexão

Como arrumar o mundo para os pequeninos?

Devemos a eles um espaço de vida e virtudes, como base para uma vida melhor

Públicado em 

23 fev 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Crianças brincando
Uma vez, lendo não sei bem o quê, aparece um conselho: “Estou de acordo que temos a obrigação de reformar o mundo e melhorá-lo para nós e para os que vêm (...)". Crédito: jcomp/Freepik
Estava eu às voltas com a minha ronda da madrugada onde fiscalizo o nada e exerço pelos corredores exercícios importantes, como verificar se tudo está como estava ontem e estará amanhã, quando apareceu a notícia.
Nasceu Valentin, mais um neto, filho de Alice, irmão de Gael, primo de Bento, que é filho de Paula, irmã de Alice, minhas filhas adoradas. Muita geração, que bom, muita geração.
Pensei em como arrumar o mundo para os pequeninos.
Afinal, eles não têm culpa. Devemos a eles um espaço de vida e virtudes, como base para uma vida melhor. Tentamos outrora, e alguns de nós ainda tentamos e, creio, fazemos a nossa parte. Boa parte da nossa juventude foi gasta e ferida em nome do país que, por exemplo, sucumbia nas garras de uma ditadura insana. E outras milongas mais.
Uma vez, lendo não sei bem o quê, aparece um conselho: “Estou de acordo que temos a obrigação de reformar o mundo e melhorá-lo para nós e para os que vêm. Mas para começar, vamos fazer um esforço para urinar no vaso sem molhar a tampa, que já é um concreto começo”.
É mesmo. Não depende de ataques histéricos das, por assim dizer, instâncias superiores, especializadas em urinar pelo banheiro todo, e nós, o povo, temos que limpar. Agora, com esse pandemônio, aparecem as inteligências. Lembro de um governador de Minas no auge da epidemia da Aids.
Ao visitar um hospital, injetou na própria veia sangue contaminado de HIV.
Diante da perplexidade dos acompanhantes, justificou:
- Não se preocupem. Tô de camisinha, tô de camisinha.
Tenho, na rotina dessas madrugadas, pensado no país, no mundo e, pasmem, na temperatura do reino de Deus dentro de um pandemônio onde o combate está entregue a pessoas cujo narcisismo patológico é dirigido para o umbigo. Não têm a menor ideia sequer do que estão fazendo ali.
A Inglaterra, por exemplo, tem uma rainha que não morre nunca e tem a função de não ter função. Cabe aos parlamentares e aos ministérios pensar a mesma coisa, uns à direita, outros à esquerda. Tia Cecy, aqui ao lado, argumenta: “Mas pelo menos eles falam inglês”.
Não sei o que ela quis dizer com isso. Nem eu e nem ela. Mudando de assunto...
Tenho cá meus planos a discutir.
Assim, logo de cara, entreguemos o governo da brava nação tupiniquim para o sistema imperial, escolhendo apenas a rainha e o rei. Esses colocariam nos altos cargos executivos seus melhores amigos, como é agora. Nisso não iria mudar nada. Assim como as votações sem sentido nas Casas de Lei.
Analfabetos e semianalfabetos falariam coisas sem sentido e, exatamente como agora, não haveria a menor hipótese de correção. A Bíblia do governo seria, como é agora, fundamentada na Teoria do Caos. Por exemplo: se uma pessoa cometesse um crime publicamente, tudo fotografado e realizado na presença de testemunhas, o autor no máximo, exatamente como agora, seria denominado suspeito.
A Lei não seria prévia. Obedeceria aos costumes, exatamente como é hoje. Já que as bocas e boquinhas estariam garantidas, não haveria a menor necessidade de exercer a mentira oficial. Assim, quem sabe a imprensa teria acesso, não só às versões oficiais, mas ao âmago do esgoto onde ficam entulhadas as falcatruas dos podres poderes. A senhora prestou atenção? Ninguém detalha a origem e o destino de uma roubalheira por maior que seja. Um amigo sustentava que rigorosamente não havia fatos, mas versões.
Dizem que uma altíssima autoridade dialogava com o seu secretário:
- Acho que o senhor não deviria guardar este dinheiro em notas.
- Rigorosamente o senhor não deviria nem estar roubando, responde.
Mudando de conversa, comemorei na madrugada o nascimento, exatamente em Paris, de meu neto Valentin, mais uma esperança do novo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, aprecia a foto do rebento.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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