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É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio. Escreve às terças

Pelé ou Maradona? Sou mais Papa Francisco

É chato ter que reconhecer os hermanos, mas palmas pra Francisco, que ele merece

Publicado em 15/12/2020 às 05h00
Atualizado em 15/12/2020 às 05h01
Papa Francisco realiza celebração diante da imensa praça vazia de São Pedro, no Vaticano, nesta sexta-feira, 27
Papa Francisco é o primeiro pontífice latino-americano e não europeu em mais de 1.200 anos. Crédito: Yara Nardi/Estadão Conteúdo

Quando me perguntam qual dos dois ídolos é o maior do mundo: Pelé ou Maradona? Respondo na hora: Francisco, o Papa, nascido em Buenos Aires, em 1936. O nome de batismo é Jorge Mario Bergoglio, que é unanimidade no ramo.

Quanto a Francisco, o que dizer? Na verdade, ele consagrou-se o primeiro pontífice latino-americano e não europeu em mais de 1.200 anos e o primeiro jesuíta da história. É chato ter que reconhecer os hermanos, mas palmas pra Francisco, que ele merece.

Em relação aos dois craques do futebol, nem se discute. Aliás, a secular frase do eterno número 10, Edson Arantes do Nascimento, foi: “Cuidem das criancinhas do Brasil, desde agora. É ainda a única unanimidade quanto à técnica do futebol”.

Em uma clássica agenda-livro, um grupo de intelectuais de primeira, com ilustração de Guillermo Mirás e desenho de Mariela Camodeca, selecionaram frases sobre o pensamento filosófico da igreja de Francisco.  “Espero que saiam às ruas e façam barulho. Se a Igreja não sai à rua, não é uma Igreja, é uma ONG”, declarou. "Por favor, que outros sejam protagonistas das mudanças. Vocês é que são o futuro”.

O menino pobre, nascido na favela de Flores, é o mais velho de cinco irmãos. A equipe elaboradora da agenda perseguiu a fala do Mestre. “Na sacada da vida não fiquem sem participar. Entrem nela como o filho de Jesus e construam um mundo melhor”, declarou certa vez.

Integrado ao gosto e à identidade paterna, torcia e torce pelo San Lorenzo, no basquete e no futebol. “O católico é alegre sem cara de luto perpétuo”, disse. “Nenhum esforço de pacificação terá longa duração, nem haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, joga para as margens e abandona a periferia a um pedacinho de si mesmo”.

Nunca escondeu sua posição em relação ao capitalismo desenfreado, bem como apoia a teoria da libertação. Entretanto segue as divisões tradicionais da Igreja. Contrária ao aborto e à ordenação de mulheres.

“Um desenvolvimento econômico que não tem em conta os mais fracos e desafortunados, não produz um verdadeiro desenvolvimento. Os pobres têm muito que nos ensinar de humanidade, bondade e sacrifício.”

Mostrou, como ainda mostra, ao assumir o papado, a inutilidade da cultura e da academia quando não se tem uma linha ideológica de execução dos elementos e objetos na prática.

Especialmente na América Latina, essencialmente no Brasil, são incontáveis as “intenções” que acabam em nada que não seja roubo, sob o olhar complacente de quem deveria impedir.

Escreveu Francisco: “Se a política se deixa dominar pela especulação financeira e a economia, não se consegue resolver os problemas que afetam a humanidade. A liberdade é o melhor ambiente para que os pensadores, as associações e os meios de comunicação desenvolvam suas funções”.

E atenção: sem esquecer a obrigação dos cristãos. “Às vezes, se sonham coisas que nunca vão acontecer, mas sonhá-las, desejá-las, busca horizontes e abre-te a coisas grandes.”

Dorian Gray, meu cachorro vira-lata, juntou as patas e rezou.

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