O
futebol capixaba não está bem posicionado no ranking no futebol brasileiro em campo, mas (ainda) tem gente pensando em ações para modernizá-lo. A Desportiva Ferroviária, por exemplo, está anunciando um projeto que somente se vê no futebol moderno do primeiro mundo.
Inspirada por casos ocorridos em diferentes lugares do planeta, em que vidas humanas foram salvas pelo preparo de árbitros e outros atletas, o clube grená está anunciando para esta terça-feira (23), em dois turnos, uma capacitação para todos os funcionários, atletas e comissão técnica de Jardim América que promete ser inovador.
Por meio do grupo “Mãos que Salvam Vidas”, formado por estudantes capixabas de Medicina, os grenás serão capacitados a prestar os primeiros socorros de ressuscitação cardiopulmonar e técnica de desengasgo quando ocorrer algum acidente durante as partidas.
Membro da equipe de Comunicação da Desportiva, José Caldas Júnior, que foi atleta campeão brasileiro de futebol americano pelo Vila Velha Tritões, disse que a ação do clube foi inspirada pelo Prêmio Fifa Fair Play, conquistado em dezembro de 2020 pelo jogador italiano Mattia Agnese, que, atuando pelo Ospedaletti, pequeno time da Itália, salvou a vida de um adversário durante um jogo em janeiro do ano passado.
Agnese ainda tinha 17 anos na época quando percebeu que Matteo Brineo, do Cairese, caiu desacordado em campo. Rapidamente, Agnese prestou os primeiros socorros e manteve estabilizada a condição do jogador adversário até a chegada do atendimento especializado.
Apesar de se considerar um “menino normal”, Mattia Agnese, que já havia entrado para o hall da fama do futebol italiano pela atitude, foi chamado de herói pelo craque holandês Ruud Gullit, um dos apresentadores da solenidade virtual promovida pela Fifa para premiar os grandes destaques da temporada 2019/20, em meados de dezembro último.
Caldas Júnior lembrou que o caso de Mattia Agnese foi o de maior repercussão, mas que “de vez em quando ocorre algo parecido em algum lugar do mundo, inclusive no Brasil” e que essas atuações consideradas “heroicas” geralmente ocorrem longe dos olhos do grande público, em lugares distantes e divisões inferiores do
futebol, onde não existem grandes estruturas de apoio aos desportistas.
A equipe do projeto “Mãos que Salvam Vidas” leva todos os equipamentos necessários, mas essencialmente bonecos simulando humanos. O treinamento será realizado em duas turmas, uma pela manhã, às 10h, e outra à tarde, às 13h, nas dependências do Estádio Engenheiro Araripe.
Somente para lembrar, José Caldas Júnior é aquele torcedor que, há cinco anos, pediu a noiva em casamento no intervalo de um jogo da Desportiva e foi destaque nos jornais e televisões locais. E, para constar: eles se casaram e a mulher dele, Flaviana Nogueira Caldas, é uma das alunas de Medicina que compõem o grupo que capacita leigos para salvar vidas.
E esta não é a única ação social do clube capixaba. No instagram @desportivaoficial está a bonita campanha que os mascotes grenás – O Maquinista e o Maquinistinha Grená – estão fazendo para o pequeno torcedor Miguel, que sofre de Atrofia Muscular Espinhal. O objetivo do bazar organizado pelo clube é possibilitar a troca dos aparelhos que sustentam o pequeno Miguel.