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Letícia Gonçalves

Helder tenta convencer que é mais do que um palanque para Lula no ES

Candidato do PT ao Palácio Anchieta não se restringiu a temas nacionais na sabatina realizada por A Gazeta e CBN Vitória. Aliás, espontaneamente até falou sobre o caso Apex

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 16:02

Públicado em 

02 set 2026 às 16:02
Letícia Gonçalves

Colunista

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A disputa pelo governo do Espírito Santo, atualmente, é protagonizada por Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos). Helder Salomão (PT) aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento feito pela Quaest publicado no último dia 27, o petista alcançou 10% das intenções de voto.

Helder não é nem mesmo o candidato ao Palácio Anchieta favorito dos eleitores do presidente Lula (PT), que preferem Ricardo. 

A questão que fica no ar é: será que a candidatura de Helder não é, prioritariamente, uma forma de garantir um palanque estadual para reforçar a campanha pela reeleição de Lula?

Afinal, a corrida pelo Palácio do Planalto é acirrada e cada voto conta. 


"De jeito nenhum. Eu, se fosse candidato à reeleição, teria muita chance de reeleição. Fui o deputado federal mais votado (do Espírito Santo, em 2022). Mas eu tenho outra característica: eu não fico preso a cargos", respondeu o petista.

Se for só para ser palanque do presidente, a gente encontra um outro nome que possa disputar, até porque é fundamental a governabilidade e o número de deputados

Helder Salomão (PT) Candidato ao governo do ES

"Eu tenho um programa de governo que foi discutido durante 8 meses, que está aberto a novas contribuições, que tem 11 eixos e tem 276 compromissos que nós estamos dialogando com o povo capixaba. É para valer", completou.


Para fazer justiça a Helder, ao ser questionado sobre assuntos locais, ele não se desvirtuou para a política nacional, o que seria típico de um candidato que estivesse apenas a serviço do presidente da República.

Na verdade, ele até fez o contrário em determinado momento.

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Quando esta colunista fez uma pergunta a respeito do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Helder, no meio da resposta, trouxe espontaneamente um tema estadual, e polêmico, para a conversa.

"Toda denúncia tem que ser apurada, mesmo que neste caso... isso eu tenho certeza, tem um objetivo de influenciar no processo eleitoral (as revelações sobre os diálogos pouco republicanos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro)", afirmou Helder.

"Recorrendo aos meus pais de novo, o meu pai falava comigo: 'Não faça nada errado, meu filho, porque a gente não pode apoiar o erro do filho'. Eu falo isso para a Sofia e para o Pedro: 'não pratiquem nenhum ato que possa desabonar a sua conduta, porque eu como pai não poderei passar a mão na cabeça de vocês'. Tá acontecendo aqui no estado... Eu não quero falar especificamente da questão dos filhos de ninguém, mas há um claro conflito de interesses no caso da Apex".

A referência clara foi a Ricardo Ferraço, cujo filho, Pedro Chieppe Ferraço, é um dos sócios da Apex, plataforma de investimentos que admitiu ter detectado "inconsistências financeiras".

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Ricardo Ferrraço, governador do ES, durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória. (Da ESq.p/dir.) Os jornalistas Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Leticia Gonçalves, Vilmara Fernandes, e Vitor Vogas.

Sabatina A Gazeta/CBN: Apex, Casagrande, neutralidade e a tática de Ricardo

Não há até agora nenhuma suspeita direta a pesar sobre Pedro Ferraço, cabe frisar. Quem foi afastado da empresa foi o então presidente, Fernando Cinelli.

"O que me preocupa não é se tem filho de A ou B, o que me preocupa são os impactos na economia capixaba do que aconteceu em relação à Apex."

Helder também tratou de temas estaduais ao falar sobre câmeras corporais para policiais, tarifa zero no Transcol e metrô de superfície. Além de uma IA capixaba.

Ele mencionou o nome de Lula ao dizer que conta com o apoio do presidente na campanha, embora a vinda do líder maior dos petistas seja incerta. 

E fez propaganda para o correligionário ao lembrar da inauguração da obra do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, em 2023, do adiantamento de royalties do petróleo repassados ao Espírito Santo em 2003.

Assim, Helder Salomão busca se equilibrar em uma corda bamba estratégica: de um lado, recorre à memória afetiva e aos feitos do governo federal para consolidar seu alinhamento com a imagem do presidente Lula; de outro, empenha-se em demonstrar independência para pautar os dilemas regionais capixabas.

Ao mesclar responsabilidade fiscal, propostas locais e a defesa do seu próprio legado (como ex-prefeito de Cariacica), o candidato tenta provar que sua campanha vai além de um mero palanque eleitoral, afirmando-se como uma alternativa real e viável para o futuro do Espírito Santo.

Falta apenas convencer os eleitores disso.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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