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Letícia Gonçalves

Quaest: 63% dos eleitores querem que o próximo governador do ES faça mudanças

Entre os entrevistados, 39% querem "mudar apenas o que não está bom" e 24%, "mudar totalmente". Alguma alteração, certamente, vai haver

Publicado em 28 de Agosto de 2026 às 17:24

Públicado em 

28 ago 2026 às 17:24
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Palácio Anchieta
Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo
Ricardo Medeiros
Já está decretado o fim do revezamento no poder entre Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB), que perdurou de 2003 até abril de 2026, quando Ricardo Ferraço (MDB) assumiu o governo do Espírito Santo.

O emedebista sucedeu Casagrande porque era o vice do socialista e agora busca a reeleição. Ricardo diz sempre, quase como um mantra, que vai "manter o rumo e o ritmo" da gestão estadual.

Não se pode ignorar, entretanto, que Ricardo não é Casagrande. Eles têm estilos diferentes, até ideologicamente falando.

Ou seja, um eventual governo Ricardo Ferraço a partir de 2027 não necessariamente vai ser igual aos mandatos de Casagrande à frente do Palácio Anchieta.

Mas o que será que os eleitores querem?


A Quaest perguntou aos entrevistados no Espírito Santo: "Independentemente do seu voto, na sua opinião, o próximo governador deve continuar o trabalho que vem sendo feito, mudar apenas o que não está bom ou mudar totalmente?".

O resultado é que 39% querem mudar apenas o que não está bom e outros 24% querem mudar tudo.

Confesso que não entendi bem a preferência dos 24%. É para mudar até o que está bom?
Pesquisa Quaest sobre se os eleitores querem mudanças no governo do ES
Pesquisa Quaest sobre se os eleitores querem mudanças no governo do ES Quaest
Enfim, somando os dois percentuais, tem-se que 63% querem algum tipo de transformação na gestão estadual.

A parcela que quer "continuar o trabalho que vem sendo feito" é minoritária, 32%.

Alguma coisa vai mudar, de fato.

Como já mencionado aqui, mesmo que Ricardo seja reeleito, ele não é Casagrande. 

O governo que o emedebista faz hoje é uma continuidade do trabalho do socialista, mas já tem pontos que o diferenciam do antecessor, como a transferência da mediação de conflitos de terra da Secretaria de Direitos Humanos para a de Segurança Pública.

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Se os eleitores lhe concederem mais um mandato, Ricardo vai poder começar uma administração "do zero", com secretários estaduais escolhidos, desde a origem, por ele mesmo.

Se a opção for por outro candidato, são ainda maiores as chances de mudança.

Mas creio que nem mesmo o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), principal adversário de Ricardo, declararia ter o objetivo de "mudar totalmente", para além de acabar apenas "com o que não está bom".

O próprio Pazolini já disse que respeita o legado de Hartung e Casagrande, em termos de gestão.

O deputado federal Helder Salomão (PT) tem simpatia pelo ex-governador e, aliás, gosta de frisar que Ricardo e o socialista são pessoas diferentes.

O PT integrou a administração de Renato Casagrande. Logo, é de se esperar que, caso o petista seja eleito, não haja mudanças muito bruscas.

A pesquisa Quaest mostra, entretanto, que os nomes competitivos são apenas os de Ricardo e Pazolini.

Por essa projeção, os dois disputariam o segundo turno. E, nessa hipótese, no cenário de hoje, Ricardo venceria Pazolini por 45% a 35%.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO


A Quaest também perguntou aos entrevistados como eles avaliam o governo de Ricardo: 56% aprovam e 14% desaprovam.

É um resultado positivo para o emedebista, mas que também pode ser lido como um recall da gestão Casagrande. Afinal, o governo de Ricardo, sozinho, começou há poucos meses.

Pode parecer um contrassenso, é verdade. A maioria aprova o governo e, ainda assim, a maioria quer mudanças.

Isso pode ser lido, talvez, como um recado de que: "ok, está bom, mas precisa melhorar".

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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