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Letícia Gonçalves

Lorenzo Pazolini acena ao centro sem largar o bolsonarismo

Candidato ao governo do ES foi entrevistado em sabatina realizada por A Gazeta e CBN Vitória. Em vez de ficar em cima do muro, colocou um pé em cada lado

Publicado em 01 de Setembro de 2026 às 15:22

Públicado em 

01 set 2026 às 15:22
Letícia Gonçalves

Colunista

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Candidato a governador do Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) apresentou-se como uma espécie de bolsonarista moderado durante sabatina realizada por A Gazeta e Rádio CBN Vitória nesta terça-feira (1º).

A rigor, Pazolini não se definiu como bolsonarista, apesar de ter sido instado a responder se estamparia ou não esse rótulo.

Ele também se esquivou ao ouvir uma pergunta sobre a possível influência do PL do senador Magno Malta num eventual governo do republicano. 

O ex-prefeito tentou manter um pé lá e outro cá em temas polêmicos e chegou a usar a mesma expressão de seu principal adversário, o governador Ricardo Ferraço (MDB), ao se opor a "brigalhada" e ao defender "evitar posições ideológicas muito apaixonadas".


Claramente, Pazolini, um homem de centro-direita, não quer ser visto como alguém tutelado pela parcela mais radical do bolsonarismo, que mobiliza e traz votos, mas, ao mesmo tempo, pode despertar rejeição de parte do eleitorado.

Ricardo, apesar de também acenar à direita e aos conservadores, quando adota o discurso contrário à "brigalhada ideológica" soa menos contraditório que o ex-prefeito de Vitória.

Afinal, Ricardo não declarou voto em Lula (PT) nem em Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República.

Pazolini, ao contrário, escolheu um lado. Subiu no palanque de Flávio.

Aliás, o ex-prefeito elogiou o candidato do PL ao Palácio do Planalto durante a sabatina, vendendo a imagem do filho do Jair como alguém mais "light" do que realmente é. Estratégia essa que condiz com a do próprio Flávio.

"ALGUM GRAU DE CONFIANÇA"

Posicionamentos de Pazolini quanto a temas caros à direita deixam claro que ele não tem como escapar totalmente da "brigalhada".

Ele, por exemplo, é a favor de penas mais brandas aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

Considera que houve apenas crimes de vandalismo, destruição do patrimônio público, ignorando toda a trama montada para desacreditar o sistema eleitoral e os incentivos da alta cúpula do governo Bolsonaro e do próprio Jair para tentar impedir que o resultado da eleição de 2022 se concretizasse.

Nem uma defesa enfática das urnas eletrônicas, por meio das quais ele mesmo foi eleito em 2018, 2020 e 2024, o ex-prefeito conseguiu fazer. 

Disse que as máquinas devem ter "algum grau de confiança", mas ressaltou: "Não tenho conhecimentos técnicos sobre tecnologia da informação, então eu não posso afirmar nem infirmar".

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Ricardo Ferrraço, governador do ES, durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória. (Da ESq.p/dir.) Os jornalistas Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Leticia Gonçalves, Vilmara Fernandes, e Vitor Vogas.

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Pazolini não quer desagradar a base radical que aderiu à campanha após ele ter abraçado as candidaturas de Flávio à Presidência e de Maguinha Malta (PL) ao Senado. E de ter colocado a bispa Eliane Leal (PL) como vice.

Mas também não quer parecer um lunático que vai ignorar a ciência e implantar uma teocracia estadual.

Quando questionado por esta colunista a respeito da influência que o PL de Magno Malta teria em seu governo, se o senador indicaria titulares de secretarias de estado, por exemplo, o ex-prefeito respondeu que, passadas as eleições, o protagonismo que o PL tem na campanha eleitoral "acabou":

"Vamos iniciar a equipe de transição convidando todos os partidos para estarem conosco para um novo rumo no Espírito Santo".
O ex-prefeito Lorenzo Pazolini participando da sabatina realizada por A Gazeta e CBN
Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Lorenzo Pazolini, Letícia Gonçalves, Vilmara Fernandes e Vitor Vogas
Ricardo Medeiros


Outra contradição na sabatina foi o fato de Pazolini defender o "respeito às instituições" e o "Estado democrático de direito" ao mesmo tempo em que "passa pano" para quem tentou derrubar essas mesmas instituições e a democracia.

Ele também exaltou o "devido processo legal" e a presunção de inocência quando aliados dele estavam sob escrutínio, mas não titubeou ao levantar suspeitas ainda menos consolidadas contra adversários.

Questionado sobre as inconsistências que pesam sobre a vida pública de Flávio Bolsonaro, Pazolini argumentou que é "precoce" relacionar o candidato do PL a tratativas nada republicanas com o banqueiro Daniel Vorcaro, caso que é investigado pela Polícia Federal.

Mas em outro momento o próprio ex-prefeito citou o caso Apex como "o maior escândalo financeiro hoje do Brasil, que acontece aqui (no Espírito Santo) com participação ou suposta participação de agentes políticos, de parentes".

Ele não mencionou nomes, mas, obviamente, falou de Ricardo Ferraço, cujo filho é sócio da Apex e, até agora, não é alvo de nenhuma acusação formal.

No geral, avalio que Pazolini saiu-se bem na sabatina.

Ricardo, na segunda-feira (31), assumiu o risco de "ficar em cima do muro" e se esquivar de boa parte das perguntas. 

Pazolini, nesta terça, ficou às vezes de um lado do muro e, às vezes, do outro.

No conteúdo, como já mencionado aqui, incorreu em incoerências. Na forma, pode ter agradado ao eleitor de centro e centro-direita, que lhe concedeu três vitórias eleitorais.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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