A rigor, Pazolini não se definiu como bolsonarista, apesar de ter sido instado a responder se estamparia ou não esse rótulo.
Ele também se esquivou ao ouvir uma pergunta sobre a possível influência do PL do senador Magno Malta num eventual governo do republicano.
O ex-prefeito tentou manter um pé lá e outro cá em temas polêmicos e chegou a usar a mesma expressão de seu principal adversário, o governador Ricardo Ferraço (MDB), ao se opor a
"brigalhada" e ao defender "evitar posições ideológicas muito apaixonadas".
Claramente, Pazolini, um homem de centro-direita, não quer ser visto como alguém tutelado pela parcela mais radical do bolsonarismo, que mobiliza e traz votos, mas, ao mesmo tempo, pode despertar rejeição de parte do eleitorado.
Ricardo, apesar de também acenar à direita e aos conservadores, quando adota o discurso contrário à "brigalhada ideológica" soa menos contraditório que o ex-prefeito de Vitória.
Afinal, Ricardo não declarou voto em Lula (PT) nem em Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República.
Aliás, o ex-prefeito elogiou o candidato do PL ao Palácio do Planalto durante a sabatina, vendendo a imagem do filho do Jair como alguém mais "light" do que realmente é. Estratégia essa que condiz com a do próprio Flávio.
"ALGUM GRAU DE CONFIANÇA"
Posicionamentos de Pazolini quanto a temas caros à direita deixam claro que ele não tem como escapar totalmente da "brigalhada".
Ele, por exemplo, é a favor de penas mais brandas aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
Considera que houve apenas crimes de vandalismo, destruição do patrimônio público, ignorando toda a trama montada para desacreditar o sistema eleitoral e os incentivos da alta cúpula do governo Bolsonaro e do próprio Jair para tentar impedir que o resultado da eleição de 2022 se concretizasse.
Nem uma defesa enfática das urnas eletrônicas, por meio das quais ele mesmo foi eleito em 2018, 2020 e 2024, o ex-prefeito conseguiu fazer.
Disse que as máquinas devem ter "algum grau de confiança", mas ressaltou: "Não tenho conhecimentos técnicos sobre tecnologia da informação, então eu não posso afirmar nem infirmar".