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Letícia Gonçalves

Sabatina A Gazeta/CBN: Apex, Casagrande, neutralidade e a tática de Ricardo

Candidato à reeleição manteve a estratégia de campanha ao não se posicionar sobre determinados temas, ainda que tenha sido, mais de uma vez, provocado a fazê-lo

Publicado em 31 de Agosto de 2026 às 16:00

Públicado em 

31 ago 2026 às 16:00
Letícia Gonçalves

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Pesquisa Quaest publicada na última quinta-feira (27) mostra que a eleição para o governo do Espírito Santo deve ser decidida em dois turnos.

Nessa hipótese, Ricardo não rechaça a ideia de receber o apoio de Helder Salomão, candidato do PT ao Palácio Anchieta.

Pelas projeções atuais, o segundo turno seria disputado entre Ricardo e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

A tática de Ricardo de não acenar exclusivamente aos eleitores de apenas um dos postulantes à Presidência da República é interessante para atrair eleitores de centro, que são menos ruidosos, mas podem ser decisivos no pleito.

Só que isso é uma faca de dois gumes. Quem fica "em cima do muro" também desagrada parte do eleitorado.

CASACARDO

Outra questão substancial é o papel de Casagrande.

O ex-governador, além de aliado de primeira hora, é figura central na campanha de Ricardo. 

O programa eleitoral do emedebista exibido na TV duas horas depois do final da sabatina foi protagonizado pelo socialista.

Mas quem vai governar o estado a partir de janeiro de 2027, se Ricardo for o vencedor do pleito, será Ricardo. Casagrande e ele não são a mesma pessoa, têm diferenças de estilo e ideológicas.

O eleitor que apostar as fichas em Ricardo tendo Casagrande como avalista precisa saber até que ponto essa simbiose vai se estabelecer.

Ricardo respondeu que governará o Espírito Santo de forma compartilhada com os aliados que o ajudaram a compor a frente ampla de apoio, o que inclui Renato Casagrande e seu partido, o PSB, além das demais siglas aliadas.

Quando o assunto, na sabatina, foram temas mais práticos, como segurança pública, ele fez o que é de praxe da parte de candidatos que tentam a reeleição: relembrou os feitos do próprio governo e prometeu, num eventual novo mandato, criar uma subsecretaria de combate ao crime organizado.
Ricardo Ferrraço, governador do ES, durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória. (Da ESq.p/dir.) Os jornalistas Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Leticia Gonçalves, Vilmara Fernandes, e Vitor Vogas.
Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Letícia Gonçalves, Vilmara Fernandes e Vitor Vogas Carlos Alberto Silva
Ricardo respondeu diretamente, cabe ressaltar, à pergunta sobre a crise na Apex, plataforma de investimentos que admitiu ter detectado "inconsistências financeiras" internas.

Um filho do governador, Pedro Chieppe Ferraço, é sócio da Apex. O emedebista ressaltou que o problema envolve dinheiro de investidores privados e não recursos públicos, defendeu que o caso seja apurado e disse acreditar na inocência do filho.

Esse foi o assunto mais delicado para Ricardo na sabatina e, desta vez, ele respondeu objetivamente:

Eu acredito na inocência do meu filho, na boa-fé do meu filho, mas ele, assim como todos, estão submetidos às mesmas regras de investigação

Ricardo Ferraço (MDB) Candidato a governador do Espírito Santo

No fim das contas, na sabatina Ricardo mostrou-se um gestor pragmático que busca fugir do maniqueísmo político. 

Contudo, entre o equilibrismo ideológico e as explicações sobre o papel de aliados e familiares, caberá ao eleitor decidir se essa postura é sinal de moderação responsável ou apenas uma esquiva tática diante dos temas mais espinhosos.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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