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Letícia Gonçalves

Do Café com Pólvora ao Véio da Havan: os acenos de Ricardo Ferraço à direita

Governador é apoiado por uma coalizão partidária de diversos matizes ideológicos. Mas emite sinais, principalmente, para um espectro

Publicado em 15 de Julho de 2026 às 14:40

Públicado em 

15 jul 2026 às 14:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Ricardo Ferraço e Luciano Hang em Vila Velha
Ricardo Ferraço e Luciano Hang em Vila Velha Caio Favel/Governo ES
Pré-candidato ao governo do Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República, num aceno claro ao PL estadual e aos eleitores bolsonaristas.

O governador Ricardo Ferraço (MDB), principal adversário de Pazolini, não chegou a tanto, mas fez mais de uma sinalização em direção a esse mesmo eleitorado.

Para citar exemplos recentes, no início do mês, Ricardo participou do "Café com Pólvora", promovido pelo Clube de Tiro de Vila Velha.

Já nesta quarta-feira (15), na mesma cidade, o governador apareceu ao lado do empresário Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan (um tanto etarista esse apelido, mas o próprio Hang adotou a alcunha).

O Véio da Havan ainda não disse se vai ou não endossar a pré-candidatura de Flávio, mas esteve na linha de frente do bolsonarismo nos tempos do governo de Jair e tem a imagem bastante associada à direita brasileira.

A rigor, Ricardo fez uma visita institucional às obras da loja da Havan na Avenida Carlos Lindenberg. Não um ato eleitoral. 

Mas fotos e vídeos registrados ao lado do empresário dono do empreendimento têm um peso simbólico.
A pré-candidatura do governador é sustentada por uma ampla aliança, que envolve partidos de centro, como o próprio MDB, de centro-direita, como PP e União Brasil, e também de centro-esquerda, como o PSB.

O principal apoiador de Ricardo, aliás, é o ex-governador Renato Casagrande, quadro histórico do Partido Socialista Brasileiro.

Mas o emedebista, pessoalmente, é um político de centro-direita e flerta cada vez mais com os eleitores mais à direita desse espectro.

Isso não quer dizer que Ricardo vai subir no palanque de Flávio Bolsonaro tal qual fez Pazolini. A coligação desenhada até agora nem permitiria esse gesto.

Com Lula (PT) Ricardo não vai, ao contrário do PSB e de Casagrande.

Na prática, a postura mais à direita de Ricardo já se fez sentir no governo, como quando ele retirou a mediação de conflitos de terra da Secretaria Estadual de Direitos Humanos
e a repassou à Secretaria Estadual de Segurança Pública.


Ricardo também não participou de agendas oficiais de Lula no Espírito Santo durante visitas presidenciais, embora tenha recepcionado o presidente no Aeroporto de Vitória em uma das ocasiões.

Não se pode dizer, entretanto, que o governador deu uma guinada ideológica.

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Ricardo Ferraço sempre foi filiado a partidos de direita, centro ou centro-direita. A saber: PDS; PFL; PTB; PSDB; PPS; PSDB; DEM; União Brasil e MDB.

O único ponto fora da curva aí é o PPS, antigo Partido Comunista e que hoje é o Cidadania, uma sigla de centro-esquerda. Ricardo foi filiado ao partido de 2001 a 2005, mas nunca um militante de esquerda.

A trajetória de Ricardo é marcada pela ligação com o setor empresarial.

E não se pode deixar de mencionar o pai dele, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Theodorico Ferraço (PP), um tradicional político de direita no Espírito Santo.

O debate esquerda x direita é raso, considerando que o dia a dia das políticas públicas exige mais pragmatismo e menos ideologia. Mais evidências e menos jogo para a plateia.

A decisão de voto do eleitor, no entanto, tem um componente subjetivo.

E é, presumivelmente, devido a essa percepção que Ricardo decidiu sinalizar aos eleitores dessa forma.

O mesmo se pode dizer de Pazolini. O caso do ex-prefeito, porém, envolve a tentativa de aliança com o PL do senador Magno Malta no estado. Fornecer um palanque local a Flávio é uma forma de pavimentar esse caminho.

Cabe lembrar que a Quaest mostrou que, no Espírito Santo, 16% dos eleitores do ES se dizem bolsonaristas e 14%, lulistas.

A maior fatia, 30%, ressalte-se, identifica-se como independente.


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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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